terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

PT X PSL

Por Rafael Patto, no Facebook - Publicado no Contraponto PIG

É preciso ser muito idiota para considerar que o problema era o Partido dos Trabalhadores, que tirando a Dilma, prendendo o Lula e derrotando o PT, tudo estaria lindo.

Tiraram o PT e puseram o que? O que é esse psl? Até anteontem ninguém tinha ouvido falar nessa sigla. Um partido sem história, sem lastro popular e que agora é desmascarado como um verdadeiro LARANJAL.

Suponhamos que o PT seja mesmo toda a desgraça que muita gente ainda pensa que é.

Um partido que nasceu de intensa mobilização da classe trabalhadora.

Um partido que foi gestado publicamente, em assembleias multitudinárias, abertas.

Um partido que desde os primórdios contou com a participação ativa do que até hoje já tivemos de melhor no universo intelectual: FLORESTAN FERNANDES, SÉRGIO BUARQUE DE HOLLANDA, PAULO FREIRE, MOACIR GADOTTI, ANTONIO CANDIDO, são alguns dos que contribuíram com a formação do Partido dos Trabalhadores, desde sua gênese.

Outros, como JACOB GORENDER, chegaram um pouco mais tarde, mas desempenharam também importante papel na vida do partido.

Um partido que, além desses intelectuais de primeira grandeza, viu também grandes artistas se juntaram aos trabalhadores: LELIA ABRAMO, que é uma das signatárias da ata de fundação do partido; CHICO BUARQUE, MARIETA SEVERO, EVA WILMA, HUGO CARVANA, BETE MENDES sempre foram apoiadores de todas as horas, sem falar em tantos mais que, ainda que não tenham uma atuação partidária assídua, não deixam de comparecer com sua militância em momentos cruciais.

Enfim, se um partido político com esse CAPITAL HUMANO, com esse LASTRO DE HISTÓRIA, é uma desgraça que arruinou um país, um tal psl seria a redenção? O que esperar de um partido criado a portas fechadas, em reuniões de engravatados que não discutiam pautas sociais, mas sim fatiamento de fundo partidário? O que esperar de um partido que simplesmente "brotou" na cena política brasileira, sem que dele faça parte nenhuma liderança genuína saída do seio popular, nenhuma referência intelectual autêntica, nenhum político de currículo elogiável: apenas oportunistas e carreiristas profissionais em busca de vantagens pessoais?

Se um grupo político extremamente heterogêneo e inegavelmente comprometido com valores como justiça social, afirmação das minorias, combate às desigualdades regionais etc. é uma bosta, o que esperar do empoderamento desembestado de uma família racista, homofóbica, misógina, fascista, que não se cansa de manifestar seu desprezo pela vida humana?

O que já estamos vendo ainda não é a resposta para essas perguntas. As respostas ainda estão por vir. E é melhor JAIRmos preparando o lombo...

domingo, 6 de janeiro de 2019

Como ser otimista com Bolsonaro?

Várias celebridades e alguns cidadãos demonstram algum certo otimismo com o governo Bolsonaro, além de acreditar que ele venceu naturalmente sem roubar durante a campanha. É um sinal de falta de informação e desconhecimento total dos métodos e da equipe que rondam o atual presidente.

Bolsonaro é classificado por especialistas em política como sendo de extrema-direita. Os otimistas desconhecem este fato e ao serem alertados, tratam como exagero, acreditando ser o ex-capitão apenas mais um presidente dentre tantos.

Os otimistas estão errados. Como claramente não entendem de política, ignoram que não apenas mudamos de presidente como mudamos de regime. Não ha como falar mais em democracia, pois Bolsonado é comprometido com o prejuízo da população brasileira e já dá sinais claros disso.

Sem propostas para o desenvolvimento do país e ideologicamente retrógrado e entreguista, pretende proteger ricos (nacionais e estrangeiros), acabar com a soberania nacional e prejudicar a classe trabalhadora. A extinção do Ministério do Trabalho foi um recado e tanto e é um detalhe que deveria acabar com o otimismo dos que ainda acreditam na sádica e confusa gestão Bolsonaro.

A equipe chamada para o governo e formada por um bando que reúne muitos fundamentalistas religiosos e militares agressivos. Quase todos portadores de paranoia, desejosos em combater problemas e inimigos que não existem.

Como ser otimista com um governo assim? Os ricos e famosos como Djavan e Toni Ramos, que deram declarações do tipo, até podem, pois a boa vida e a grande fortuna que possuem os tornam imunes aos ataques de Bolsonaro, que já deixou claro de que não prejudicará os ricos e a classe média alta, onde situa a maioria esmagadora de seus apoiadores.

Quem deve ficar preocupado são os trabalhadores e os integrantes das classes criminalizadas por  Bolsonaro e por apoiadores, incluindo assessores, equipes e "gurus" (como Olavo de Carvalho e Silas Malafaia, "patrões" do "Mito"). Índios, negros, gays, pobres, ateus, mulheres e sobretudo que segue ideologias progressistas, devem ficar bem preocupados.

Para piorar ainda mais, a chegada de Bolsonaro serviu de "sinal verde" para que muitos crimes possam acontecer, pois bolsonaristas, loucos para agredir desafetos, encontraram liberdade para agir, crentes na impunidade resultante do argumento de que estavam "se defendendo contra forças nocivas". Com Bolsonaro no poder, ficou fácil acusar desafetos de serem nocivos à sociedade.

A única esperança que temos é ver o governo Bolsonaro se espatifar, se desmoralizar e destruir o Brasil de tal forma que ensine os brasileiros a escolher melhor seus governantes. Com o Brasil em ruínas, vai ficar difícil achar que um brutamontes, comprometido com a ganância capitalista e o fascismo ideológico, irá reconstruir tudo.

No último dia 28 de outubro, tivemos a oportunidade de escolher entre um professor e um brutamontes, em um país cujos problemas tem origem na educação. Preferimos o brutamontes.

Agora aceitemos e assistamos o país se esfarelar, às custas da perda de muitas vidas, sob os mais variados motivos. Tempos difíceis se iniciam e devemos estar preparados para reagir da melhor forma.

PS: Eu sou Cecílio do Valle e gostaria de ter iniciado a minha participação neste blog com um assunto bom. Mas não pude. O Brasil está prestes a entrar em sua pior fase e não deveria ignorar isso. Mas vamos em frente que quanto mais descermos, mais haverá necessidade de subir de novo. Depois da tempestade (que promete ser longa e forte) haverá a bonança. Um abraço!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Este blog mudará de dono

Devido a falta de tempo, decidi passar o comando deste blog para um dos meus amigos, que tem o nome de Cecílio do Valle. Vocês devem ter notado que além de estar sem postagens, este blog tem preferido publicar textos alheios com comentários meus. Por isso, abro mão do comando deste blog, que passará a ser administrado pelo novo dono, que respeitará o estilo e o perfil já consagrados. 

Agradeço o prestigio de vocês e continuem me acompanhando no Rio de Carneiro e no Footilidades, que continuarei administrando. Ter menos blogs para mim é mais conveniente. Conseguirei manter estes dois. Um abraço e continuem prestigiando o blog que continuará ativo com o novo dono.


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Como seria o Brasil de Bolsonaro (de acordo com suas próprias palavras)

Cynara Menezes - Blog Socialista Morena

Um exercício futurístico sobre o destino que nos reserva se o candidato de extrema-direita for eleito no próximo domingo.

Com a Câmara Federal presidida por um dos filhos do presidente da República e o Senado pelo outro filho, o Brasil virou uma dinastia militar-civil-teocrática desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder. A expressão “estado policial” é a exata tradução do que vivemos: violência, repressão e banhos de sangue se tornaram parte do cotidiano do brasileiro.

Depois que o presidente Jair liberou as armas de fogo para toda a população, os atentados a bala, antes raros no país, tornaram-se frequentes. A exemplo do que acontecia nos Estados Unidos de Donald Trump, que não foi reeleito, pelo menos um massacre por mês é perpetrado. O número de pessoas, muitas delas crianças, atingidas por tiros acidentais dentro de casa se multiplicou em 3000%.

A lista de animais em extinção já tem mais de 100 espécies desde que o ex-militar ocupou o poder e extinguiu o ministério do Meio Ambiente. Com a caça “esportiva” liberada em todo o território nacional, animais da fauna brasileira estão desaparecendo com uma rapidez nunca vista desde a colonização do país pelos portugueses. Os órgãos de meio ambiente nada fazem, até porque uma das primeiras ações de governo de Bolsonaro foi transformá-los em órgãos sem nenhum poder de fiscalização e punição.

A polícia e as Forças Armadas têm mantido os moradores das comunidades carentes acuados, com medo de sair de casa. O toque de recolher foi instituído em todas as regiões pobres das grandes cidades. De acordo com pesquisas clandestinas, já que o governo controla os dados oficiais, o número de jovens negros inocentes mortos em “autos de resistência” subiu 500% desde que Bolsonaro concedeu excludente de ilicitude para os policiais, uma espécie de salvo-conduto para matar. Parte da população, porém, não parece se solidarizar com as mães de família pobres que perderam seus filhos. “Se morreu é porque alguma coisa fez”, defendem os bolsonaristas.

O número de jovens negros inocentes mortos em “autos de resistência” subiu 500% desde que Bolsonaro concedeu excludente de ilicitude para os policiais, uma espécie de salvo-conduto para matar.

Mesmo com os cidadãos armados e a polícia matando “suspeitos”, todos eles negros, a rodo, os índices de criminalidade não param de subir, impulsionados pelo aumento da desigualdade social e da miséria. Expulsos de suas terras, índios e quilombolas engrossam a multidão de brasileiros desabrigados e sem casa para morar, vivendo em barracos na periferia das grandes cidades. Tampouco há quem os defenda, já que os líderes dos sem-terra e dos sem-teto estão presos acusados de “terrorismo” e as ONGs foram proibidas de atuar em território nacional.

Até mesmo as lideranças do agronegócio, velhos aliados de Bolsonaro, têm mostrado insatisfação com os rumos do governo, já que o país perdeu vários mercados após o ex-deputado assumir a presidência. Ao tirar o Brasil do acordo de Paris, Bolsonaro viu as portas da União Europeia se fecharem para nossos produtos. E graças à atitude do presidente de apoiar Israel irrestritamente, os pecuaristas perderam também as exportações para os países islâmicos, principais importadores da carne e do frango brasileiros. A China também reduziu o comércio conosco devido às críticas de Bolsonaro às empresas chinesas.

Ao tirar o Brasil do acordo de Paris, Bolsonaro viu as portas da União Europeia se fecharem para os produtos brasileiros. E graças à atitude do presidente de apoiar Israel irrestritamente, os pecuaristas perderam as exportações para os países islâmicos.

Mas as entidades ruralistas não podem reclamar, porque apoiaram a iniciativa do PSL, partido do presidente, de enfraquecer os sindicatos, acabando com a unicidade sindical. As empregadas domésticas voltaram a ser trabalhadoras de segunda classe, porque Bolsonaro revogou a lei que as igualava aos demais trabalhadores, com direito a carteira assinada, férias remuneradas e 13º salário. Aliás, nenhum trabalhador tem férias e 13º, e tampouco conta com os sindicatos para pressionar o governo: a lei de greve também foi revogada e os protestos nas ruas só podem ocorrer com autorização da polícia. Com o fim do 13º salário, o comércio natalino foi destruído e muitas lojas que apostavam no movimento da época fecharam, aumentando o número de desempregados.

Nas escolas, policiais militares chegam a algemar crianças pequenas que “se comportam mal” como forma de castigo, parte da “repressão democrática” imaginada pelos assessores educacionais do presidente. Nos livros escolares, a ditadura é chamada de “movimento” e aspectos positivos da prática da tortura em seres humanos são apresentados aos alunos. À frente do Ministério da Educação, um general concretiza o que a direita acusava o PT de fazer: doutrina criancinhas.

Professores que não aceitam os novos parâmetros curriculares são perseguidos e demitidos, como aconteceu nos EUA na época do macarthismo, graças à obrigatoriedade da aplicação do “Escola Sem Partido” em toda a educação pública. Estudantes são estimulados a gravar e denunciar docentes que fogem da cartilha. Os alunos também são obrigados a orar antes das aulas, de acordo com a Bíblia protestante. Outras religiões não são aceitas. Nas aulas de ciências, ensina-se o criacionismo.

Nos livros escolares, a ditadura é chamada de “movimento” e aspectos positivos da prática de tortura em seres humanos são apresentados aos alunos. Os alunos são obrigados a orar antes das aulas e ensina-se o criacionismo nas aulas de ciências.

O desmatamento atinge níveis recordes. As previsões são de que a Amazônia, após a permissão da exploração do parque Nacional do Xingu por uma mineradora dos Estados Unidos, seja reduzida a um quarto do tamanho nos próximos dez anos. O presidente também estabeleceu, via decreto, áreas para “desmate legal” de madeira. Com isso, muitas árvores amazônicas também entraram para a lista de espécies em extinção.

LGBTs são caçados nas ruas por “esquadrões bolsonaristas” e obrigados a se vestir de acordo com as “normas de conduta” baixadas pela presidência da República: para manter a “moral e os bons costumes”, a polícia pode enquadrar em “atentado ao pudor” quem se vestir “em desacordo” com o gênero de seu registro civil. Homossexuais não podem manifestar afeto abertamente nas ruas e, ao se assumirem, ficam impedidos de ocupar cargos públicos. Se continuarem no armário, tudo bem. Bolsonaro revogou a lei que dá o direito aos transgêneros de ter um documento de identidade de acordo com seu nome social, marginalizando-os da sociedade.

O presidente também revogou a lei do feminicídio, que tipificou o crime que atinge mulheres por sua condição de gênero. Com isso, este tipo de crime está cada vez mais em ascensão, dando o Brasil o triste recorde de campeão mundial em feminicídios. O fato de o presidente ter defendido que apenas armar as mulheres seria suficiente para diminuir mostrou-se falso, já que os ex-maridos e companheiros também andam armados.

Com a venda da Petrobras para uma estatal norueguesa, os preços do combustível e do gás de cozinha triplicaram em relação ao governo Dilma Rousseff, do PT. O litro da gasolina já custa 10 reais e o botijão sai por até 200 reais em algumas regiões, maior preço de toda a história. O preço do diesel também explodiu, mas os caminhoneiros não podem protestar porque Bolsonaro sancionou um projeto de sua própria autoria que pune com até 4 anos de cadeia quem obstruir estradas.

A Globo e a Folha, perseguidas por Jair Bolsonaro desde o primeiro dia no cargo, estão à beira da falência. Os outros jornais, TVs e revistas que apoiaram abertamente sua campanha mostram apenas os aspectos favoráveis do governo, aprovadas por um “supervisor” da própria empresa de comunicação. “É preciso transmitir otimismo, isso é bom para o país”, justificam os donos da mídia. Os veículos alternativos foram proibidos, acusados de disseminar “fake news”.

O litro da gasolina já custa 10 reais e o botijão sai por até 200 reais. O diesel também explodiu, mas os caminhoneiros não podem protestar porque Bolsonaro sancionou um projeto de sua própria autoria que pune com até 4 anos de cadeia quem obstruir estradas.

A perseguição a pessoas de esquerda é cotidiana, como prometeu o candidato durante a campanha: “ou vão para fora ou vão para a cadeia”. Uma reforma política extinguiu o PT e o PCdoB foi proibido de usar a palavra “comunista” em sua sigla. Um projeto do filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, tornou crime o comunismo no país. Utilizar os símbolos da foice e do martelo já é motivo suficiente para ir para a prisão.

Líderes opositores e cidadãos comuns fazem fila diante das embaixadas de países europeus em busca de asilo, enquanto a propaganda governamental repete o slogan da ditadura, ops, do movimento militar: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Lá fora, o país já é conhecido pela alcunha de “as Filipinas da América do Sul”.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Porque jamais nos vencerão

Escrito por Fernando Brito - Blog O Tijolaço

Se o Brasil tivesse uma imprensa digna da sua missão de informar, o Brasil não estaria à beira de cair sob o tacão do fascismo.

Se o Brasil tivesse instituições dignas de sua missão constitucional, não estaria na iminência de viver sob uma ditadura.

Se o Brasil tivesse liberais dignos de princípios e não amantes da velhacaria e de interesses eleitoreiros não estaria ao ponto de descer para a treva do autoritarismo.

Se Brasil tivesse uma elite econômica que amasse o país que sustenta sua fartura não estaria a um passo de regressarmos a escravatura.

Mas este país não os tem e por isso assistimos, indefesos, vê-lo atirado no lixo, submetido a um governante tosco, primário, imbecil, capaz de negar o direito mais básico que tem cada ser humano que aqui vive: o direito de ser brasileiro.

Quem assistir ao vídeo onde o Sr. Jair Bolsonaro despeja, com um discurso gutural o seu desejo de expulsar do país todos aqueles que não concordarem ou se submeterem a sua vontade fascista não pode deixar de perceber quão escura é a treva em que ele lançará esse país.

Desde Médici ninguém ameaçava um brasileiro com o exílio.

Mesmo os “bem-postos” – juízes, promotores, deputados, empresários, “mercadistas” – que odeiam o povo simples e humilde desse país não podem deixar de ver que vamos ser mergulhados na selva da violência estatal, numa situação em que as grandes maiorias da população serão submetidas à alternativa entre a vassalagem ou a insurreição.

As altas patentes militares, que aderem e se submetem a um capitãozinho “bunda-suja”, que há 30 anos garatujava no papel  planos de explodir bombas em quartéis para obter salário melhor –  se não sabem, deveriam saber  – enfiaram as forças armadas na idolatria da indisciplina, da conspiração, da deformação de só ter coragem de apontar as armas para seu próprio povo, o que as decai à condição que Caxias rejeitou, a de capitães do mato.

Errem. Suicidem-se. Escondam numa votação escandalosamente manipulada, onde a boa-fé do povo brasileiro aceita ver como “corruptos” os que nem de longe, mesmo na sua vileza, os que praticam a mais vil das corrupções: a de vender o Brasil, a de vender os direitos do nosso povo, a de vender o sagrado bem da liberdade para instaurar um governo de pústulas, de tatibitatis, de gente microcéfala e, pior, genuflexa ao ponto de bater continência para a bandeira norte-americana.

É de repetir Castro Alves e gritar para que Andrada arranque dos ares seu pendão para que não sirva de mortalha às liberdades.

O nazismo teve seu ápice, teve multidões, teve seus braços erguidos no “heil” de milhares encantados, hipnotizados.

Os que ousaram resistir teriam passado anos como ratos em suas tocas não fosse o fato de que eram homens e mulheres cercados pelos ratos.

Quis-se avançar como um Brasil de todos. Ninguém foi perseguido, nenhuma bolsa foi saqueada, nem mesmo os salões foram violados. Apenas – e muito timidamente entreabriu-se suas portas para que outros pudessem entrar.

Será que é ofensa demais ver o rosto cafuzo, mulato, crestado do sol ao seu lado no shopping, no avião, na loja? É tanto o desprezo à carne da qual se nutrem ao sangue do qual bebem, aos pobres que os fazem ricos?

Eis, senhores, numa palavra, a torpeza de seu crime. Querem a morte de quem os nutre, de quem lhes constrói as casas de luxo, as mansões, de quem compra seus produtos, de quem é escorchado por seus bancos, de quem consome as porcarias que colocam no mercado? Querem o sangue de quem nunca lhes tirou uma gota de seu champanhe?

Há, porém, uma arma mortal e sem defesa, apontada contra os senhores.

Chama-se história, responde pelo nome de marcha incontível dos povos pelos seus direitos e liberdades. Neguem-na, persigam-na, prendam-na, exilem-na: nada adiantará.

Ela triunfa. Sempre haverá festa quando ela voltar e vocês se forem. É certo que haverá dores, haverá filhos separados dos pais, haverá vidas interrompidas, algumas perdidas.

Ainda há tempo para um difícil acesso de lucidez, tão mais difícil quanto mais covardes são aqueles que poderiam provoca-lo.

Mesmo assim, a causa de vocês é perdida, inviável, perversa. Há e haverá sempre brasileiros que não se vergarão que seja de onde for, estarão de pé, a enfrenta-los. Vocês não têm mais a censura e o silêncio que tiveram, há meio século para implantar uma ditadura.

Vocês são os zumbis do tempo que se foi e não adianta que avancem como hordas ameaçadoras.

Nós somos a vida e a humanidade, e a vida humana triunfará.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Aliados de Bolsonaro usando o WhatsApp para espalhar notícias falsas


Damir Mujezinovic - The Inquisitr - Tradução: Google

Como a Inquisitr relatou anteriormente, o candidato presidencial de extrema direita Jair Bolsonaro está caminhando para a vitória no Brasil. Bolsonaro obteve 46,7% dos votos no primeiro turno, enquanto o esquerdista Fernando Haddad obteve apenas 28,37%.

Enquanto alguns compararam a iminente eleição de Bolsonaro aos agora-EUA. A ascendência do presidente Donald Trump em 2016, acredita-se que Bolsonaro está muito mais à direita de Trump. Bolsonaro é, na verdade, um defensor da ditadura militar, afeiçoado à tortura e à pena de morte, e conhecido por frequentemente fazer comentários sexistas e racistas, homofóbicos e sexistas.

Assim como outros populistas de extrema direita, Bolsonaro é conhecido por usar notícias falsas para ampliar sua retórica violenta. Mas, em vez de usar meios agora convencionais de espalhar falsidades - mídias sociais como as plataformas Facebook e Twitter -, o Bolsonaro se voltou para outra plataforma de propriedade da Zuckerberg, o aplicativo móvel de mensagens instantâneas WhatsApp.

Um grupo de empresários brasileiros está financiando a campanha de desinformação de Bolsonaro, informa o jornal The Guardian.

“A prática é ilegal, pois constitui doações de campanha não declaradas pelas empresas, algo banido pela legislação eleitoral”, observou a mídia brasileira.

O adversário de Bolsonaro, Fernando Haddad, acusou o candidato de extrema-direita de fraude eleitoral, acrescentando que 156 empresas brasileiras financiaram a campanha de desinformação WhatsApp de Bolsonaro.

"As pessoas de negócios que se envolveram com isso terão que pagar judicialmente - e já sabemos de várias pessoas que participaram", disse Haddad.

A campanha de Bolsonaro e o próprio Jair Bolsonaro rejeitaram as alegações, chamando-as de notícias falsas.

"Eu não posso controlar se um empresário que é amigo de mim está fazendo isso. Eu sei que é contra a lei ”, disse Bolsonaro à mídia local.

Em um breve comunicado fornecido à Reuters, um representante do WhatsApp disse que o relatório de fraude eleitoral nas eleições presidenciais do Brasil está sendo levado a sério, acrescentando que o WhatsApp baniu "centenas de milhares de contas" desde o início da eleição.

O jornalista americano vencedor do Prêmio Pulitzer, residente no Brasil, Glenn Greenwald, observou no Twitter que o Bolsonaro - ao contrário de seus pares ocidentais - conseguiu armar o WhatsApp.



Segundo dados publicados pelo Buzzfeed, cerca de 40% dos brasileiros usam o WhatsApp. Como as mensagens do WhatsApp são criptografadas, é impossível monitorar a plataforma ou avaliar o escopo da campanha de notícias falsas de Bolsonaro.

No Brasil, o WhatsApp também é uma fonte de notícias popular, já que 60% dos eleitores lêem a maioria de suas notícias na plataforma, de acordo com pesquisa. Bolsonaro, observa Buzzfeed, planeja ampliar o armamento do WhatsApp após a eleição e quer impedir que os juízes do país suspendam o serviço WhatsApp.


Como nem mesmo o WhatsApp consegue ler as mensagens criptografadas, ainda não está claro o que a empresa poderia fazer para impedir o abuso na plataforma de mensagens instantâneas.