quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Lula, Bolsonaro e os Estereótipos

Estereótipo é uma marca consagrada relacionada a pessoas ou a coisas em que um grupo de características aparentes serve para defini-las de forma superficial e não raramente equivocada. Para muita gente, as aparências é que contam, pois definir as coisas apenas com os olhos ou com o conhecimento de poucas informações não exige esforço e pode-se fazer um diagnóstico rápido, embora com grandes chances de se cometer uma injustiça.

Para muitos, um líder teria a obrigação de possuir u diploma de nível superior, pois ainda acreditamos que a inteligência plena só seria adquirida após um curso universitário, o que não é verdade. A inteligência é na verdade um processo resultante de uma combinação de fatores, como análise, crítica, verificação de informações, etc.. 

Outra coisa a saber: se é difícil entrar em uma faculdade, graças a provas que na verdade examinam não a inteligência, mas a memória - reparem que as pessoas que tiram melhores notas em qualquer tipo de provas são muito boas em memória - é muito fácil sair delas. Basta frequentar assiduamente aulas e assinar o nome em trabalhos de grupo que o caminho para o diploma é francamente facilitado.

A inteligência deve vir da capacidade cognitiva da pessoa e não adquirida por meios burocráticos como em uma aula acadêmica. Bobagem achar que um pedaço de papel chamado "diploma" seria uma forma segura de comprovar a inteligência de uma pessoa. Membros da equipe deste blog conhecem muitas pessoas portadoras de diploma que demonstram uma burrice surpreendente em muitos assuntos, inclusive nas áreas em que se formaram no nível superior.

Quem é o sábio? Quem é o Analfabeto?

Duas figuras da política brasileira são ótimos exemplos do equívoco resultante de nosso cacoete em definir as coisas através de estereótipos: o ex-sindicalista e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-militar Jair Messias Bolsonaro.

Para quem se baseia em estereótipos, entre as duas figuras políticas citadas, certamente definiriam Bolsonaro como "sábio" e Lula como "analfabeto". Bolsonaro, por ser capitão, é oficial e para ser oficial militar, a graduação superior é mais do que obrigatória. Lula só possui o ensino médio, exigido pela profissão de metalúrgico que exerceu antes de entrar na política.

Mas se despirmos do estereótipo e analisarmos atitude e falas de cada um, vamos inverter o conceito. A entrevista dada por Bolsonaro no Roda Viva (programa de uma rede de TV que deveria ser pública e que foi devidamente sequestrada pelo PSDB) mostrou um troglodita ignorante cujo nível intelectual é inferior ao de um doente mental com cinco anos de idade. O ex-militar já começa a ser chacota mundial e só consegue ser defendido por gente tão ignorante quanto ele.

Do outro lado, ouça os discursos de Lula ou leia seus textos escritos. São de uma sabedoria ímpar. A própria gestão como presidente foi exemplar, sendo objeto de estudo em faculdades do mundo todo. Lula é definido por cientistas políticos como o melhor presidente brasileiro de todo os tempos e não cansa de demonstrar sua verdadeira inteligência quando fala. E quando mais fala, mais sábio se mostra. Impossível ser a mesma pessoa após ouvir Lula falar, pois sempre se aprende com ele.

Ou seja, enquanto um portador de diploma desfila besteiras quando abre a boca, numa exibição de total desprezo pelo mundo real e total falta de análise, o que não possui diploma dá lições de verdadeira sabedoria. Seria muito perigosa uma guerra comandada por Bolsonaro, um irresponsável desastrado sem noção do mundo real que certamente atiraria para todos os lados, matando muitos inocentes por falta de análise objetiva dos fatos.

Resta saber o que Bolsonaro fazia enquanto estava na universidade, pois estudar é o que ele não estava fazendo. Enquanto isso, o sindicalista "bronco" observava tudo ao seu redor e tirava grandes lições dos menores detalhes de tudo o que via. Lula estudou a vida, que é muito mais complexa do que qualquer coisa ensinada nas melhores faculdades. 

Em matéria de sabedoria natural, Lula já é Pós-PHD. Ou mais do que isto. Dando um banho no militar "letrado" Bolsonaro, que deve usar o diploma para se defender do mico em demonstrar total desconhecimento mínimo dos fatos reais. 

sábado, 28 de julho de 2018

Mídia usa Bolsonaro para empurrar Alckmin

Um estranho jogo está sendo feito pela grande mídia para favorecer a vitória de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato-representante dos magnatas, especuladores e banqueiros. Para que Lula não esteja no páreo, a mídia, instrumento dos mais ricos, optou por uma forma inédita de jogo para favorecer o candidato tucano que a representa.

A mídia resolveu fazer uma propaganda negativa contra Bolsonaro. Como a mídia sabe que ela é odiada não apenas pelos esquerdistas mas também pelos neo-fascistas, ela espera que isto seja uma espécie de "propaganda às avessas" de Bolsonaro, favorecendo a ida do ex-militar ao segundo turno.

É certo que, vendo que a grande mídia fala mal do Bolsonaro, os bolsonaristas que já estão contra a mídia votarão no candidato, já que a presença midiática, mesmo negativa, do ex-militar manterá o candidato de extrema-direita na memória de seus eleitores em potencial, que digitarão o nome do ex-militar nas urnas, forçando-o a ir ao segundo turno com Alckmin.

Com isso, Bolsonaro vira o candidato-espantalho para a maior parte dos eleitores que, sem saída, votarão no Alckmin, que vencerá as eleições e continuará com o golpe, eliminando direitos e destruindo a soberania nacional.

Sabe-se que para ampla maioria da população, entre toda a esquerda e a parte moderada da direita, Bolsonaro incomoda e sem oura opção, Geraldo Alckmin, que atualmente está bastante impopular, ganharia facilmente graças ao desespero anti-Bolsonaro.

Henrique Meirelles também faz parte da jogada

Outro "boi de piranha" na eleição de 2018 é o banqueiro Henrique Meirelles, que foi o ministro da economia do golpe. Com alto nível de impopularidade, ele entra na corrida para servir de bode expiatório do golpe para que Alckmin não seja responsabilizado pela crise em que se encontra o Brasil. É um meio para Alckmin dizer: "Eu não sou o candidato dos golpistas. Quem os representa é o Henrique Meirelles. Eu nada tenho a ver com isso.".

Alckmin já começa a tentar se desvincular do golpe, faltando a alguns eventos do PSDB em que se destacam personagens do golpe e já fala em "desafiar as corporações" e trazer emprego e salários de volta, na tentativa de,segundo palavras dele, "transformar o Brasil em um nova Abu Dhabi". Abu Dhabi é um país aparentemente próspero do Oriente Médio e meca do turismo local.

Tudo será feito para que Alckmin vença e complete as maldades de Temer. Para isso, vale tudo. Com a mídia, com o supremo, com tudo.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O show de imaturidade dos portais de esquerda brasileiros

Muita gente vai se sentir ofendida com esta postagem. Mas se repararmos que ainda somos uma população jovem com apenas 518 aninhos de idade, vamos entender a nossa superestimação a algo que foi criado para ser uma reles forma de lazer mas que é tratado como o nosso motivo maior de orgulho e urgente ato de salvação cívica de um país.

Não somos o único povo fanático por futebol, mas somos o único que faz a confusão entre este tipo de esporte e a própria pátria, a ponto de ver importância política no mesmo, como quem enxerga uma cabeleira em uma lisa casca de ovo. 

Somos infantis e ainda preferimos ser patriotas de brincadeirinha do que ser patriota de verdade. Até porque ser patriota de mentirinha é mais fácil e tranquilo. A história mundial comprova que patriotas de verdade só vivem se ferrando. O verdadeiro patriotismo exige uma luta comparável a carregar um arranha-céu de mais de 100 andares pelas costas. Melhor ser patriota de mentirinha.

Brincar é muito bom, mas não numa época em que vivemos. O Brasil está um caos e nós preocupados com futebol e o seu desempenho em um reles campeonato. Os portais de esquerda perderam muito tempo falando sobre futebol, com direito a verdadeiros hypes que transformaram um mero divertimento em uma urgente luta pela sobrevivência da dignidade para o país.

Vários textos ultrapassaram os limites do surreal. O futebol passou a ser uma questão de vida ou morte, embora continuássemos vivos, exceto os suicidas, após a eliminação. Será que vamos continuar com a delirante tese de que o jogador - tucano - Neymar, com a taça na mão, iria derrubar com as mãos as grades da cela em Curitiba, resgatar Lula e colocá-lo na cadeira presidencial no Palácio do Planalto? Só em sonho, meu amigo! Só em sonho!

Parece que os portais de esquerda inverteram o provérbio que diz "primeiro o dever, depois o prazer". Em um país em frangalhos, sem direitos, sem soberania, com um montão de problemas para serem resolvidos, largamos tudo para nos entregarmos de corpo e alma à ilusão do futebol. Como crianças de 518 aninhos diante de povos milenares, queremos brincar acima de tudo. Deixemos o dever para essa gente grande que, através dos golpistas, vem destruindo o país aos poucos. Má escolha.

O futebol foi tratado pelos esquerdistas como algo de primeiríssima necessidade. Como se dependêssemos de um reles título no futebol para viver. Li declarações absurdas em prol do futebol. Coisa de histérico sob transe narcótico. A surrealidade ignorou limites da lógica e do bom senso.

Parecia que não eram 11 jogadores em um jogo de futebol e sim 11 soldados em campo de batalha. Sem o Brasil ter encarado uma guerra de verdade, brincamos na guerra de mentirinha. Melhor Tite escoltar soldadinhos de chumbo para jogarem a próxima partida enquanto os jogadores brasileiros vão sambando nos campos europeus em suas verdadeiras pátrias.

Foi um verdadeiro show de imaturidade cometido pelos esquerdistas, alçando um reles divertimento ao nível de um corajoso ato de civismo. Mas o preço disso pode ser alto. Os brasileiros já sã chacota no exterior como um povo imaturo que só pensa em futebol. A direita deve estar rindo da cara dos esquerdistas após saber que os portais de esquerda só falam sobre futebol, tratando-o com exagerada importância e desesperada urgência.

Não digo para ninguém abandonar o futebol. Mas o futebol é o quê afinal? Um forma de divertimento ou a luta pela nossa sobrevivência? Esquecem os esquerdistas que o Brasil ainda está na dianteira dos maiores campeões em copas e que isso nunca melhorou a nossa realidade cotidiana e muito menos deu soberania ao país.

As esquerdas brincaram de ser patriotas durante este mês. Mas no próximo mês, começa a campanha presidencial. Ai teremos que apelar para um tipo mais sério de patriotismo, que tem mais a ver com o nosso já sofrido cotidiano. Ou ainda acham que basta o congresso, sob a batuta do Presidente da República, organizar uma partida de futebol que está tudo resolvido? Amadureçam, esquerdistas, amadureçam...

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Porque gostar de copa e detestar Carnaval se tudo é a mesma coisa?

Antigamente, o Brasil era o país do Carnaval. Era esta a nossa fama. Quase todos os brasileiros gostavam de carnaval e em fevereiro cada um preparava a sua fantasia. Era um momento único.

Cresci não gostando de Carnaval. Mais pelo tipo de música tocada. Mas como ultimamente a trilha sonora de Carnaval tem sido mais diversificada, passei a gostar. Curiosamente quando aumenta a quantidade de brasileiros que assumem passar longe dos festejos do Rei Momo.

Só que estranhamente a copa continua atraindo uma massiva quantidade de pessoas. Entre elas, muitos que já desistiram do Carnaval, por algum motivo. O que é estranho, pois o que mais atrai as pessoas nas copas é o clima de festa que somente este evento traz - e as copas de outros esportes não trazem com tanta massividade.

Acho coerente uma pessoa gostar de Carnaval e não gostar de copa, por não se sentir atraída pelo futebol. Mas acho absurdo o oposto. Copa é um Carnaval que acontece no meio do ano de quatro em quatro anos. Tudo que há no Carnaval, há na copa. Barulho, sujeira, bebedeira e gente "bonita". A única diferença está no futebol, elemento acrescido neste festejo futebolístico de copa.

É uma baita de uma hipocrisia detestar Carnaval e adorar copa. Se todas as coisas que existem no carnaval estão presentes na copa, porque então gostar de copa, se não gosta de Carnaval? Brasileiro é povo estranho que adora contradições. Tente entender um brasileiro. Aposto que você, meu caro gringo, não irá conseguir...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Vou torcer contra o Brasil para a alegria no México ficar completa: contrariando tendência direitista, Obrador é novo presidente do México

Além de não gostar de futebol, nunca fui muito com a cara daquilo que os brasileiros chamam de "Seleção Brasileira" ou apenas "seleção". Em geral burros, arrogantes e chegados a um jeitinho, os jogadores parecem ser as pessoas mais amadas do país, graças a uma reles habilidade de chutar uma bolinha.

Mas apareceu um motivo a mais para eu torcer pela derrota dos brasileiros no jogo de hoje: o México, país da seleção adversária dos amarelados, teve uma grande vitória na política: contrariando a tendência do continente americano em estabelecer ditaduras de direita, teve a honra de ter um verdadeiro democrático no poder: o esquerdista Lópes Obrador, que tem trabalho até no nome.

Enquanto o Brasil tem uma envergonhada ditadura de direita disfarçada de democracia, em que direitos e soberania são esquartejados em praça pública, o México agora poderá desafiar os EUA, caso o Tio Sam não decida fazer um golpe para impedir Obrador de sentar na cadeira presidencial. Torçamos que não.

Por isso é bom que a seleção mexicana vença a copa. O futebol e bem popular no México, apesar da população não fazer aquela confusão entre futebol e pátria, nosso pior e mais insistente cacoete. E é bom que os brasileiros percam, pois na política e na economia, a derrota já é mais do que garantida, tirando todos os motivos de qualquer comemoração no seu lazer favorito.

Resta saber se a esquerda ingênua que transformou a mídia alternativa em edições extraordinárias do Globo Esporte vão continuar desejando que os amarelados vençam para manter a chama da ilusão acesa. Afinal, já que perdemos no mundo real, não há diferença em perder também a alegria fictícia do cada vez mais supérfluo futebol brasileiro.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Para magnatas, pimenta no olhos dos outros é refresco

OBS: Olhem só quem estimulou a reforma trabalhista. Os mesmos que acham que você consegue viver plenamente ganhando apenas 200 reais por mês, trabalhando durante 12 horas por dia em seis vezes por semana, são homens que ganham mais de 600 mil reais por mês praticamente sem trabalhar, distribuindo ordens de suas mansões através do celular e só indo para as suas empresas quando há algum imprevisto. 

Esses magnatas mostram quem são os verdadeiros bandidos do país, homens que desejam o melhor para si e o pior para os outros. Certamente se a reforma trabalhista os atingisse, eles não iriam gostar. Por isso agora sabemos para que foi dada a reforma trabalhista. Para facilitar os privilégios desses Tios Patinhas humanos, pois gastando menos, eles lucram muito mais. Tendo que prejudicar multidões para quem um punhado de magnatas mantenha a sua vida de marajá.

Leia abaixo as informações pesquisadas por Joaquim de Carvalho, do DCM, um dos melhores jornalistas do Brasil na atualidade.

Salários milionários, imposto baixo: ser presidente de banco e alto executivo no Brasil é como viver no paraíso

Publicado por Joaquim de Carvalho -  Diário do Centro do Mundo

Desde 2010, os bancos e as grandes empresas brasileiras que têm capital aberto brigavam na Justiça para não cumprirem uma norma da Comissão de Valores Mobiliários, o xerife do mercado de capitais: a de que os salários dos altos executivos fossem divulgados. E agora, depois que o Tribunal Regional da 2a. Região cassou a liminar que garantia o segredo, sabe-se por quê.

Num país em que o salário mínimo não chega a 300 dólares, a taxa de juros é a mais alta do planeta e as tarifas dos serviços públicos prestados por concessionárias são bastante elevadas, o que eles recebem é um escândalo. Reportagem do UOL relaciona salários dos presidentes de dois bancos e cinco grandes empresas.

O presidente do Itaú recebe mais de R$ 40 milhões por ano (3,4 milhões por mês) e o do Bradesco, quase R$ 16 milhões (R$ 1,3 milhão por mês). O presidente da Vale, R$ 19 milhões (R$ 1,6 milhão por mês). O da Tim, mais de 8 milhões (R$ 680 mil por mês), assim como o do grupo Iguatemi. O salário anual de presidente da Alpargatas é superior a R$ 7 milhões (R$ 611 mil) e o da Vivo, quase R$ 7 milhões (R$ 560 mil por mês).

O salário milionário desses executivos contrasta com a cartilha que as corporações que representam costumar oferecer ao país. São eles defenderam a reforma que retirou direitos trabalhistas e contribuiu para a precarização do trabalho, e agora exigem a reforma da Previdência, que tornará a aposentadoria um privilégio.

A liminar que impedia a divulgação desses salários milionários tinha sido obtida na Justiça pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), sob o argumento de que a divulgação dos valores representaria uma violação da privacidade e um risco à seguranças. Para a CVM, a falta de transparência impedia o acionista de saber quanto a empresa paga a seus dirigentes.

E agora se sabe que é uma enormidade, desproporcional aos ganhos médios do trabalhador brasileiro. Depois que a liminar caiu e a caixa preta dos salários dos executivos foi aberta, a pergunta que fica é: O que será do tal Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças? Para que serve?

Talvez ainda haja uma batalha a travar: a de continuar bloqueando no Congresso uma reforma tributária que faça marajás como eles pagar mais impostos: a alíquota de imposto para quem ganha R4 3,4 milhões por mês, como o presidente do Itaú, é a mesma de quem ganha R$ 4,7 mil por mês: 27,5%, com direito a muitas restituições.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Lula e a penúltima ilusão, por Aldo Fornazieri

OBS: Nossa equipe estava entre as primeiras pessoas que não acreditavam nestas ilusões. Falamos muito sobre este assunto. Nunca acreditamos que as coisas iriam favorecer a população após um golpe tão bem planejado e de certa forma bem sucedido.

A ideia deles é impedir a candidatura de Lula para facilitar a entrada de um representante deles para comandar o Poder Executivo e preservar os privilégios das classes dominantes, além de reservar para grande parte da população apenas migalhas, salários baixos e direitos pequenos, alguns desses supérfluos - como o direito de assistir futebol - pois são coisas que não ameaçam os interesses das classes dominantes.

Certamente poderão soltar Lula após as eleições, pois aí estará tarde demais e o ex-presidente não será mais uma ameaça às classes dominantes. Com um representante das elites no Poder Executivo, o golpe se legitima e o fim da soberania e de direitos importantes se legitima, retomando o Brasil a sua triste sina de país sub-desenvolvido, um Haiti mais arrumadinho que se ajoelha diante do primeiro mundo para lhe dar tudo que este exige.

Pobre Brasil, sempre proibido de se desenvolver com dignidade. 

Leiam o excelente texto do professor Aldo Fornazieri, sempre fazendo análises coerentes, decisivas e definitivas.

Lula e a penúltima ilusão, por Aldo Fornazieri

Por Aldo Fornazieri - Site GGN

Desde que se iniciaram as articulações do golpe para derrubar Dilma Rousseff da presidência da República e para impedir a candidatura Lula nas eleições presidenciais, no início de 2015, setores amplos do campo progressista, principalmente petistas, foram criando uma longa cadeia de ilusões que, uma a uma, foram sendo postas por terra. Esta cadeia foi constituída pelas seguintes ilusões: a primeira, a de que a Câmara dos Deputados não autorizaria o processo de impeachment; a segunda, a de que o Senado o barraria; a terceira, a de que o STF anularia o impeachment; a quarta, a de que Lula não seria preso; a quinta, a de que Lula seria libertado antes das eleições e a sexta, que ainda está vigente, a de que Lula será autorizado pela Justiça Eleitoral ou pelo STF a concorrer à presidência da República.

A penúltima ilusão ruiu nos últimos dias. Neste dia  26 de junho, a segunda turma do STF iria julgar um recurso da defesa de Lula que poderia colocá-lo em liberdade. Num jogo, ao que tudo indica, combinado entre a vice-presidente do TRF4 e o ministro Fachin, resultou que o recurso não foi acatado pelo Tribunal Regional e, consequentemente, não encaminhado ao STF resultando no cancelamento do julgamento. Fachin demorou apenas 45 minutos para tomar a decisão após ser comunicado pelo TRF4.

Para quem ainda não percebeu, é conveniente que se perceba que existe um inescrupuloso jogo combinado entre Moro e o TRF4 e entre o TRF4 e o STF. O objetivo evidente e sequer dissimulado desse jogo consiste em manter Lula na cadeia, ao menos até após as eleições, e impedir que ele seja candidato. Este jogo passa também pelo STJ e pelo TSE e tudo será feito para que o objetivo de impedir a candidatura Lula seja alcançado. A ilusão de que Lula poderia ser libertado em breve havia se acentuado depois que Gleisi Hoffmann foi absolvida das disparatadas acusações de que era vítima. Aqueles que manipulam os condões do poder sabem que podem cometer arbitrariedades à vontade, pois não existe força política e social organizada que faça tremer o país, assim como haviam anunciado que se Lula fosse preso, o Brasil não tremeria.

Para entender melhor a conduta dos julgadores e dos tribunais é preciso atentar para duas estratégias por eles usadas: 1) em se tratando dos processos envolvendo Lula, as decisões dos juízes, desembargadores, ministros e tribunais são aceleradas ou retardadas segundo a vontade e a conveniência manifestas de prejudicar o ex-presidente; 2) o STF, aparentemente, começou a operacionalizar a estratégia do fato consumado. No que consiste exatamente essa estratégia? Alcançados os objetivos políticos e consumados os fatos que os produzem, o STF implementará ações restauradoras da ordem aparente da Constituição e do Estado de Direito, que sofreram múltiplas violações por parte do próprio Judicário.

O primeiro ato da estratégia do fato consumado consistiu na declaração de inconstitucionalidade da condução coercitiva. Por onde quer que se olhasse desde o início, a condução coercitiva era ilegal e inconstitucional. Lula e tanto outros sofreram a violência dessa ilegalidade e o STF permitiu que Moro e outros juízes a utilizassem a la larga. Somente quando os principais objetivos políticos dessa inconstitucionalidade foram alcançados, com todos os seus abusos e parcialidades, o STF, de forma hipócrita, retoma o papel de guardião da Constituição.

Um dos próximos atos de hipocrisia do STF deverá consistir na declaração de inconstitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Mas isto deverá ser feito após a finalização do fato consumado de que não interessará mais manter Lula preso, circunstância que deverá ocorrer somente após as eleições. Todos sabem que Lula está preso ilegalmente, a partir de duas arbitrariedades. Primeira: não cometeu crime e foi condenado sem provas. Segunda: a prisão após condenação em segunda instância e sem que a sentença tenha transitado em julgado fere flagrantemente a Constituição, fato reconhecido por ministros do STF, a exemplo de Marco Aurélio Mello. Carmen Lúcia é sacerdotisa satânica dessa inconstitucionalidade.

Manter Lula preso ilegalmente vem provocando alto custo político, tanto ao STF, quanto ao Brasil. A repulsa internacional da prisão de Lula é gritante e avassaladora. Assim, o mais provável é que ele seja posto em liberdade depois das eleições. Além do praticamente certo impedimento legal de sua candidatura, Lula será mantido na prisão até as eleições para que seja impedido de fazer campanha para a um eventual candidato do PT no primeiro turno e a um petista ou aliado no segundo turno. Ao cabo do processo, consumados os fatos, alcançados os objetivos, o STF surgirá novamente como guardião da Constituição, declarará a inconstitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância e merecerá elogios da "consciência democrática" e de analistas progressistas e de esquerda.

Após as eleições deverá soprar uma brisa suave. A Constituição, o Estado de Direito e a "funcionalidade" da nossa democracia serão elogiados. Far-se-ão apelos à concórdia e à conciliação. Os espíritos belicosos serão repudiados. As esperanças serão renovadas e um futuro luminoso será pintado. Os que não acreditarem serão crucificados como céticos, niilistas, negativistas, pessimistas.

Mas o Brasil ingressará novamente no seu delirante, triste e deprimente espetáculo. Tudo o que foi feito e o que não foi feito será esquecido. O golpe, as violações das leis e da Constituição, as arbitrariedades, as parcialidades, tudo será passado. Alguns permanecerão ainda por algum tempo presos, mas, talvez, não por muito tempo. Será preciso conciliar, harmonizar. Os agentes do arbítrio continuarão no poder com o regalo de seus altos salários e privilégios imorais. Muitos golpistas e outros golpeados estarão juntos em eleições futuras. A falta de capacidade de organizar, mobilizar e criar força ativa por parte de quem almeja mudanças será algo posto no canto escuro do pensamento como um incômodo. E gerações futuras perceberão, em algum futuro, talvez em algumas décadas, que o Brasil retornará a este mesmo ponto em que estamos, pois a sua história é circular. Conceda-se a dúvida, contudo, de que essas gerações terão que decidir se farão surgir líderes, forças e virtudes capazes de quebrar este padrão da nossa história ou se o Brasil continuará andando em círculo.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Um outro cigarro

Foi anunciado que o Canadá aprovou o uso livre da maconha com fins recreativos. Sim, recreativos. As esquerdas brasileiras imediatamente comemoraram e já agitam uma campanha para que o mesmo seja feito no Brasil. O assunto drogas é um tema delicado, pois tanto a proibição quanto a liberação são nocivas de alguma forma e sabe-se que drogas fazem mal a saúde. 

Só a alteração da atividade cerebral é algo a merecer atenção. Mas muita gente não liga muito para a saúde cerebral num mundo onde a alienação não só é comum como totalmente estimulada. É legal ser alienado. Alienados são mais felizes. Um alienado embriagado ou em transe tóxico é mais feliz ainda. Golpe? Que Golpe? Temer? Deixa o homem trabalhar, sô!

Apesar de felizes com a liberação, a mesma elimina o problema do tráfico, mas traz outro. Saem os traficantes, entram os mafiosos corporativos. Drogas são caras e, infelizmente, tem uma gigantesca demanda. Fugir de uma realidade que ninguém consegue resolver parece ser a meta de quase todos. E certamente a liberação vai criar magnatas da erva, muitos engravatados a enriquecer deixando todo mundo com a quela cara de bundão que todos conhecem.

O consumo de bebidas alcoólicas no Brasil fez de Jorge Lemann, doo da Ambev, o homem mais rico do país. Rico e golpista. Como no Brasil, empresários não são nacionalistas e são ainda mais gananciosos que os empresários estrangeiros, Lemann, que vive no exterior, age rápido para que o Brasil seja sucateado, perca soberania, direitos e se torne apenas uma espécie de dispensa para as corporações sediadas em países desenvolvidos.

Com a liberação da maconha pode se ter uma certeza do surgimento de uma "Ambev da erva", com inúmeros consumidores dispostos a enriquecer tais magnatas. Curioso que a maconha é uma droga de esquerda, do contrário da cocaína (embora tanto direitistas como esquerdistas consumam as duas). Mas as esquerdas brasileiras adoram capitalistas, desde que sejam incluídas no mundo encantado do consumo desenfreado capitalista.

A maconha só será mais um item a ser acrescido neste mundo encantado. A população encontrará mais um motivo para sair do mundo real. A copa de futebol já está servindo como um excelente entorpecente até para os que se recusam a consumir algum tipo de droga, mesmo as lícitas. 

Uma forma de ilusão a mais só vai facilitar ainda mais a fuga dos que, por preguiça ou conservadorismo, se recusam a melhora  o mundo e resolver os problemas que causam desigualdades e má qualidade de vida.

O chato é que com a liberação, não somente o fedorento cigarro irá poluir a atmosfera e incomodar os entusiastas de um ar mais puro, como agora veremos maconheiros andando nas ruas por aí, exalando um cheiro desagradável - mais do que o cigarro: quem foi a shows musicais conhece o cheiro da "erva" - nos narizes de quem andar nos grandes centros.

A humanidade ainda comete grandes erros. Além do emburrecimento e da onda de ódio, inventaram que todo mundo depende de drogas para viver. Se considerarmos cigarro e álcool como drogas, é tranquilo dizer que grande maioria da humanidade é de drogados. Embora quase todos achem este rótulo ofensivo, apesar de real.

Mas como ninguém está disposto a lutar para resolver problemas, vamos nos relaxar com uma cervejinha, um cigarro ou até mesmo a mais fedorenta erva. Não faz mal se os problemas do mundo real retornarem maiores de resolução mais difícil. Ninguém quer resolvê-los mesmo.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

“Pacto pela democracia” sem revisão do golpe?

OBS: Este excelente texto escrito pelo professor e cientista político Luiz Felipe Miguel, responsável pelo  pioneiro e excelente curso sobre o triste golpe de 2016, nos lembra de um tal pacto que foi acordado entre as forças conservadoras e progressistas para tentar salvar a democracia nos próximos anos.

O pacto dá um show de hipocrisia. É um pacto onde o forte diz ao mais fraco: "eu fico com a fartura e você com a escassez e vamos conviver amigavelmente na mais santa paz". É um pacto sem direitos, sem soberania e sem Lula. É um pacto onde os brasileiros mais pobres tem que aceitar a sua condição humilhante e deixar os mais ricos serem gananciosos em paz.

É um pacto que já foi firmado várias vezes no Brasil e que impediu a soberania e o desenvolvimento do Brasil, um país fadado a miséria absoluta. Cá para nós, sem revogar as maldades do golpe, este pacto pela democracia nunca será posto em prática. 

Este pacto me parece mais uma espécie de "morde e assopra" dos golpistas. É destruir tudo para ficarmos todos bem sem reconstruir o que havia antes.

“Pacto pela democracia” sem revisão do golpe?

Luiz Felipe Miguel, cientista político - Diário do Centro do Mundo

Nem estava com ânimo de falar sobre o tal “pacto pela democracia”. Bate tristeza ver que tantas organizações com trajetórias em geral vinculadas à esquerda foram seduzidas por algo tão hipócrita. Eu me pergunto o que pessoas como Sâmia Bonfim e Eduardo Suplicy estavam fazendo no lançamento da coisa, junto de gente do PSDB, do Novo, do PPS, da Rede. Deve ser a velha tentação de mostrar que “sou de esquerda, mas sou limpinho”.

O que propõe o tal pacto? Só coisas boas. Diálogo, tolerância e “embate virtuoso de ideias no debate público”. “Eleições limpas, diversas e com ampla participação em outubro”. E uma reforma política “para sair da crise melhores do que antes, no rumo reafirmado da ética, da justiça e do desenvolvimento compartilhados”. Quem pode se dizer contra isso?

Nos “compromissos” específicos, o politico deve “disseminar o chamado à importância do voto” e o cidadão, zelar pelo combate às notícias falsas. E assim por diante. Mas a exaltação da “importância do voto” não se relaciona com a denúncia do golpe e a ojeriza às mentiras cabe perfeitamente no discurso da grande imprensa e não aponta para a necessidade de pluralização da mídia.

É isso. Lendo o manifesto, parece que a democracia está ameaçada pela intolerância, mas não foi fraturada por um golpe de Estado. Que a a bandeira das eleições limpas e diversas pode ser empunhada de forma abstrata, sem referência ao fato de que há um candidato encarcerado e proibido de concorrer. Que a democracia que o pacto quer proteger não tem nada a ver com os direitos sociais e o combate às desigualdades, sendo limitada a um conjunto de regras para a competição política, como quer o pensamento conservador. Que o monopólio dos meios de comunicação ou a enorme desigualdade material não são obstáculos à democracia. Que a “polarização” é o grande mal e que, para superá-la, precisamos encontrar um campo comum, mesmo que para chegar lá a maior parte de nossas bandeiras mais caras tenha que ficar pelo caminho.

Fica evidente quais são as ameaças à democracia que o pacto deseja combater: Bolsonaro e a intervenção militar. O pacto é uma expressão clara da instrumentalização da ameaça da extrema-direita por parte da direita não tão extrema, como se não tivesse sido ela, a direita light, quem abriu espaço para o crescimento da direita raivosa, na hora em que era de seu interesse.

Somos constrangidos a defender a “democracia” nestes termos, aceitando o golpe, os retrocessos e o desfiguramento da Constituição de 1988, sempre para evitar o mal maior (Bolsonaro, intervenção militar). Voltamos à velha teoria de que é melhor se contentar com pouco, bem pouco, para que este pouco seja seguro. Mesmo que este pouco seja cada vez menos e mostre que nunca é tão seguro assim.

Do “pacto pela democracia” da Neca Setúbal ao “manifesto pelo novo centro” de FHC é só um passo. Melhor garantir logo a vitória de Alckmin ou de Marina, para não correr riscos, não é mesmo?

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O Selvagem efeito colateral da prisão de Lula

OBS: Excelente texto de Pedro Breier, publicado no excelente site O Cafezinho, que mostra o punitivismo do brasileiro que elegeu a corrupção como seu maior mal (e não é ), além de achar que prendendo gente vai resolver problemas no país. Duas ideias equivocadas que estão arraigadas na sociedade e viram assuntos nas populações mais conservadoras do país. Isso mostra porque temos problemas que não se resolvem a mais de 100 anos.

O Selvagem efeito colateral da prisão de Lula

Por Pedro Breier - O Cafezinho

O Tribunal de Justiça de São Paulo expediu 13.887 mandados de prisão entre fevereiro de 2016 e abril de 2018, segundo levantamento da Defensoria Pública, com base no entendimento do STF de que é possível a execução da pena após a condenação em segunda instância.

Sabemos muito bem quais as forças que levaram os ministros do STF a relativizar o princípio da presunção da inocência de forma tão grotesca.

O conluio entre a grande mídia e a Lava Jato usou e abusou da criminalização da política e do populismo penal para levar à cabo o golpe. Depois da derrubada do governo eleito em 2014, o próximo passo do movimento golpista só poderia ser tirar Lula da eleição para impedir sua mais do que provável vitória.

Para que Lula pudesse ser preso e, assim, não atuar politicamente nem mesmo para apoiar outro candidato, martelou-se uma narrativa na população que tem dois principais pontos.

O primeiro é o de que a corrupção é o grande mal que assola o país e o segundo é o de que se prendermos mais corruptos, os nossos problemas serão resolvidos.

A corrupção é, na verdade, a desculpa usada historicamente pela direita para desestabilizar e, se possível, derrubar governos com viés popular. Não há a menor comparação entre corrupção e desigualdade social, por exemplo, se formos fazer um ranking dos problemas que afetam a qualidade de vida e a dignidade das pessoas.

A ideia de que prender mais gente vai resolver alguma coisa é outro erro crasso. Uma breve pesquisa histórica demonstra que o aumento de penas e o endurecimento da legislação penal não é acompanhado pela redução de crimes. Do contrário, o Brasil, que ostenta uma das maiores populações carcerárias do planeta, seria um dos países mais seguros do mundo.

Nada disso importou para o STF, que cedeu – de bom grado – às pressões midiáticas e lavajateiras e rasgou a Constituição para que Lula pudesse ser preso e o golpe avançasse mais uma etapa.

O efeito colateral é dantesco: quase 14 mil pessoas, somente em São Paulo e em um período curtíssimo, foram convocadas a encher ainda mais os superlotados presídios brasileiros. Certamente são, em sua maioria, negros e pobres, a clientela preferencial do sistema penal.

No futuro, ficaremos horrorizados ao olharmos para estes tempos em que enjaular pessoas é considerado solução para alguma coisa.

Mais ainda ao constatarmos que verdadeiras multidões vão para a cadeia apenas para que o político mais popular do país possa ser preso também – sem provas!

Estamos na selva.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no Brasil

OBS: Curioso o fato de muita gente ainda não se incomodar com esta foto, onde aparece o "paladino anti-corrupção" conversando alegremente com o tucano destruidor da Petrobrás, Pedro Parente, responsável pelo apagão energético da gestão FHC. Se analisarmos os fato nos mínimos detalhes, vamos perceber que esta foto é bem emblemática e explica a crise que se encontra o país hoje.

E você achava que Sérgio Moro, tucano de fato, seria o "herói" a salvar o Brasil.



Entenda por que a foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no abastecimento no Brasil

Por Joaquim de Carvalho -  25 de maio de 2018 - Diário do Centro do Mundo

Estas três fotos explicam o Brasil: A de Moro com Pedro Parante em Nova York é o retrato do movimento que saqueia o Brasil, a do coordenador dos petroleiros e o protesto em Minas mostra a defesa do patrimônio brasileiro: é simples assim.


Agora leia o texto e entenda:

As panelas estão silêncio, mas paneleiros renintes, com a cabeça feita pelos analistas da Globo, continuam tagarelando nas redes sociais, e tentam colocar a culpa do caos gerado na vida dos brasileiros aos governos de Dilma e Lula.

Incrível.

Michel Temer assumiu o governo com a mão grande e, imediatamente, implantou o plano de governo derrotado nas urnas.

O PSDB é condômino de um governo que não nasceu das urnas.

A promessa era que, com Dilma fora, os investimentos voltariam, o dólar cairia e o desemprego diminuiria.

Basta olhar os números para ver o que fizeram ao Brasil: com Dilma, a gasolina custava R$ 2,99, o gás de cozinha, R$ 50,00, e a taxa de desemprego estava em 4,8%.

A gasolina está agora a R$ 4,90 (mas no dia de hoje é mais fácil encontrar uma nota de 100 reais na rua do que o combustível no posto).

O gás de cozinha custa R$ 75,00.

O desemprego atinge 14% da população e o dólar está em R$ 3,95.

Os números não mentem, mas os mentirosos manipulam os números. Na Globo, os analistas continuam tentando, de alguma maneira, culpar Dilma pelo caos:

Ao comentar o locaute, que a Globo de protesto, Alexandre Garcia deu um jeito de enfiar o PT na história: nesta manhã, ele disse que a corrupção quase destruiu a Petrobras e agora o que a ameaça é a fraqueza do governo Temer.

Os ministros negociaram com a corda no pescoço e decidiram que o governo dará à Petrobras R$ 4,9 bilhões até o fim do ano.

É uma maneira de compensar a redução de 10% nos preços do diesel. “O contribuinte vai pagar a conta”, alertou o jornalista.

O que a velha imprensa não diz, os petroleiros estão dando um jeito de mostrar.

Em Minas, houve uma paralisação de oito horas, preparativa para uma greve maior, conforme explicou o coordenador do Sindipetro em Minas Gerais:

— Essa paralisação de hoje é o início de uma greve que está sendo construída nacionalmente, que pretende parar todas as refinarias do país e as plataformas, e aí é importante ter a população do nosso lado. A greve não é por benefício nem por salário. É para que o governo deixe os petroleiros trabalhar. As refinarias estão trabalhando com carga baixa a mando do governo, para que os importadores tragam combustíveis mais caros para o país.

Bingo!

É isso que está acontecendo: com o dólar mais alto, o preço do produto sobe de acordo com a variação da moeda.

Com a refinaria trabalhando com menor capacidade, os custos de refino da Petrobras diminuem, e o lucro aumenta.

Resultado: essa política é boa para que tem ações da empresa — os dividendos podem aumentar e as ações podem subir.

O que atrapalhou esse plano foi a paralisação, porque obrigou a Petrobras a reduzir o preço do diesel, ainda que temporariamente.

As ações caíram — mas logo voltam a subir, pode apostar.

Quem vai cobrir o prejuízo por esse modelo perverso de gestão do petróleo no Brasil é o pobre.

No final, ele é quem vai pagar a conta, porque o governo se comprometeu a subsidiar o preço do produto.

Para fazer isso, terá que mudar o orçamento.

Sairá dinheiro de uma área e irá para outra. E, em situações assim, quem perde é a saúde, a educação, a assistência social e, se conseguirem mudar a Constituição, a Previdência.

São os setores que não têm lobby no governo.

Quem defende uma política que inclua o pobre no orçamento é o PT e os partidos de esquerda. Entende agora por que seus líderes estão sendo presos?

É nesse ponto que assume relevância a figura do juiz Sergio Moro.

Pedro Parente continuaria com sua empresa de gestão de fortunas ou como executivo de alguma multinacional, como a importadora e exportadora Bunge, se Moro não tivesse fornecido o argumento para destruir a economia brasileira, com a farsa do maior escândalo de corrupção na história da Via Láctea encontrado na Petrobras.

A atuação dele direta nos negócios do governo terminou em 2003 (quando Lula assumiu), depois de gerir o Ministério das Minas e Energia, no período em que houve racionamento de energia.

Com a mudança de governo, Pedro Parente foi chamado para tomar conta da Petrobras, justo ele que era chamado de “ministro do apagão”.

Sem Moro, não existiria Parente na Petrobras. Sem a Petrobras sob gestão de Parente, certamente Moro não seria homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos como Personalidade do Ano.

É por razões como esta que a eleição de outubro se tornou a mais importante da história do Brasil.

Só o eleitor pode dar um basta nesta política que não atende aos interesses dos brasileiros.

Muitos paneleiros continuarão ligados no que diz a Globo, como robôs, mas ainda há uma parcela que pode se libertar.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Afinal, quem é Ciro Gomes?

OBS: Ciro Gomes é uma figura estranha. Favorito das forças progressistas após a prisão de Lula, o ex-tucano mostra ainda estar amarrado ao cordão umbilical de quem o gerou. Muitos esquerdistas como Paulo Henrique Amorim, Miguel do Rosário e Leonardo Stoppa, por boa fé, ainda confiam em Ciro e acusam o real direitismo do candidato do PDT resultado de uma boataria criada por grupos de extrema direita. 

Mas há muitos indícios, dignos de comprovação, de que Ciro é um direitista, entre eles o respeitoso silêncio da grande mídia em relação a ele, os projetos neoliberais de seu programa de governo e a possibilidade de ter o mega-empresário golpista Benjamin Steinbruch como vice. Não estamos aqui afirmando nada, mas Ciro é uma figura que merece ser analisada antes de qualquer coisa. Não dá para amá-lo, nem odiá-lo, apenas vigiá-lo. Na hora certa saberemos de que lado ele realmente está.

Afinal, quem é Ciro Gomes?

Carlos D'Incao - Blog Esquerda Caviar

Está na hora de colocarmos um ponto final na questão de quem é, do que representa e do que fazer com a candidatura de Ciro Gomes. Um vacilo nas atuais circunstâncias pode ser decisivo para a esquerda e representar um retrocesso histórico para a classe trabalhadora, de dimensões apocalípticas.

Ciro Gomes é da direita. Não tenhamos nem um pingo de dúvidas sobre isso. Seu passado o denuncia e seu presente o confirma como um expoente desse campo.

Quem poderia achar o contrário de alguém que já foi do ARENA (PDS), do PMDB, do PSDB, do PPS, do PROS (partido que hoje declara apoio a Bolsonaro) e que hoje está no PDT que não é nem sombra daquilo que já foi na era brizolista?

Como alguém que apoiou em 2010 a pré-candidatura de Aécio Neves, lhe rasgando a seda como se o mesmo fosse - junto com o PSDB - “o presidente que iria unir os homens e mulheres de bem em nosso país”, pode hoje ser considerado de centro-esquerda?

Alguns, corretamente devem lembrar: Ciro foi também ministro de Lula na composição do Presidencialismo de coalisão. Assim como foi Michel Temer. Mas é preciso saber fazer uma distinção lúcida dos fatos.

Uma coisa é você fazer parte das forças progressistas e ser obrigado a estabelecer uma aliança com setores reacionários para tentar impôr uma agenda progressista para o país.
Outra coisa é você ser a parte reacionária dessa aliança, montar uma quadrilha, se unir com o grande capital e agora dizer que a esquerda deveria se submeter a essa aliança.

Avancemos mais: Ciro Gomes, embora tenha criticado o processo judicial que condenou Lula, não acredita que as decisões desses tribunais foi um golpe que pretende sepultar a esperança de se reverter as famigeradas reformas ultra-neoliberais que assolam o país. Nem mesmo reconhece que há uma flagrante fraude no processo eleitoral, ao tentar retirar o candidato favorito do pleito (Lula), mesmo ele sendo inocente.

Ciro Gomes atuou, ao longo do processo golpista contra Dilma, apostando no óbvio fiasco das reformas ultra-neoliberais que estavam por vir e que rapidamente se tornariam impopulares. Sempre com os olhos em 2018, falou duro contra a direita golpista, encantando setores inocentes da esquerda. Mas nunca deixou de fazer veementes críticas ao PT e à Dilma, colocando nas vítimas o ônus do crime cometido contra elas.

Atualmente Ciro avalia que não restam mais dúvidas de que Lula não será mais candidato e... resolveu iniciar sua traição programada.

Em primeiro lugar vai aumentar o tom da retórica de que as eleições sem Lula não são uma fraude e de que “ninguém é dono dos eleitores”. Irá aprofundar diálogos com os candidatos da esquerda e já possui de prontidão um exército de cabos eleitorais para militar nas redes sociais.

Esses cabos eleitorais - muito bem pagos - estão infiltrados especialmente nos grupos de esquerda, e estão sempre atentos para defender Ciro, sua suposta brilhante gestão no distante Ceará da década de 90 e que - apesar de todas as evidências - ele é sim um candidato de “centro-esquerda” e o único capaz de vencer a direita.

Nos bastidores, Ciro recebe dinheiro dos banqueiros, defende a continuidade de uma agenda ultra-neoliberal, apoia a reforma da Previdência, se porta como legítimo defensor dos interesses do mercado e com grande eloquência repete os ditames dos economistas liberais neokeynesianos.

Recentemente ganhou a simpatia e o apoio da grande imprensa e nas próximas semanas começará a tomar os holofotes dos grandes canais de comunicação.

Sua meta é legitimar a fraude das eleições de 2018, dividir o “legado” de Lula (a operação abutre) e criar a ponte para a meta final da direita e do grande capital nacional e internacional, qual seja, destruir o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais organizados no Brasil.

A perversidade de Ciro Gomes se materializa no fato de que ele é o único candidato que se porta como uma opção da esquerda, da centro-esquerda, da centro-direita e da direita. E pior: ele é um candidato muito inteligente e muito bem preparado, o que o torna um inimigo de altíssima periculosidade.

Caso tenha sucesso e se eleja presidente, sua traição programada se concluirá com adendos fundamentais: Ciro Gomes é também uma pessoa arrogante, destemperada e autoritária. Além da continuidade de uma agenda ultra-neoliberal, ele atacará com violência política e militar a esquerda brasileira e os movimentos sociais. Por fim, caberá a ele ser o coveiro do Presidencialismo e o implementador da trava oligárquica do Parlamentarismo.

Para os espectadores que não observam as águas mais profundas da política brasileira, ver Manuela d’Àvila e Guilherme Boulos conversando com Ciro apenas o credencia como uma opção do pólo progressista.

Aqui não há inocência. Caso o PC do B caminhe nessa direção, será mais um partido de esquerda que traiu a classe trabalhadora em troca das moedas de Judas (como fez fartamente nas eleições municipais de 2016, quando em muitas e grandes cidades fez alianças com o DEM e com o PSDB).

O mesmo vale para o PSOL, embora o significado de Ciro Gomes seja mais claro para as suas lideranças, com a óbvia exceção do grupo da Luciana Genro (que ainda acredita que o Estado Islâmico é um braço libertário do Oriente Médio).

Não podemos errar nesse momento: a única opção da esquerda é se unir ao Partido dos Trabalhadores, que possui a hegemonia dos movimentos sociais e é o partido mais popular e com a maior bancada no Congresso Nacional.

Fingir que tudo isso não existe e que um eventual impedimento da candidatura de Lula abre o campo para alianças sem a liderança do maior partido da esquerda é fazer exatamente o jogo da direita.

Caso a esquerda tenha que caminhar sozinha em uma candidatura do Partido dos Trabalhadores que assim seja e que venha a servir para denunciar a farsa dessas eleições.

A História irá contemplar aqueles que não viraram as costas ao povo brasileiro em um momento tão grave e tão nebuloso. Mas que nesse caminho sejam também apontados todos os traidores da classe trabalhadora, a começar pelo mais perverso e perigoso inimigo, forjado nas mais sujas alcovas da direita brasileira: Ciro Gomes.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Quem se importa com Lula?

OBS: Este texto excelente escrito por Wanderley Guilherme dos Santos é de uma maturidade ímpar que não se vê em boa parte da esquerda, iludida com seu otimismo exacerbado. Esquece a esquerda que o sistema é todo controlado pela direita. Como nossos progressistas não são nada revolucionários, querendo apenas um lugar ao sol no mundo capitalista, com as regras impostas pelas forças direitistas, acho melhor que a esquerda abra os olhos e perceba que o caminho para o Eldorado é muito mais difícil do que se imagina. Como diz Wanderley: sem Lula, a vitória é impossível e com Lula, a derrota é possível. Senão provável.

Quem se importa com Lula?

Por Wanderley Guilherme dos Santos - Publicado em O Cafezinho

A direita festejou a retumbante derrota do PT nas eleições municipais de 2016. À esquerda, volta e meia vítima de lavagem cerebral, líderes e porta vozes autorizados ou não deram início a desencontrada autocrítica. Como de hábito, o que começa como autocrítica termina em busca de bodes expiatórios. A perseguição da Lava-Jato (inegável) e a covarde difamação de Dilma Rousseff, incompetente, segundo líderes do PT, explicavam os alegados desastrosos resultados eleitorais. Só que não foi bem assim. A fragilidade dos analistas do partido os torna presa regular do noticiário conservador, daí a frequente adoção de estratégias incoerentes, em luta diária contra as manchetes do Jornal Nacional e os editoriais da Folha de São Paulo. Neste particular, operam como inocentes úteis da direita.

Há uma associação bastante sólida entre número de candidatos apresentados pelos partidos e a probabilidade de vitórias: quanto maior o número de candidatos, maior a proporção de vitórias conquistadas. A associação não vale, obviamente, para partidos concorrendo com um ou dois candidatos, coligados a partidos grandes, e que, beneficiados pelo sistema proporcional adotado, obtêm 100% de aproveitamento.

Na disputa pelas prefeituras, em 2016, o Partido dos Trabalhadores perdeu algo mais do que 50% das cadeiras conquistadas em 2012. Este foi um dos resultados que levou a direita às gargalhadas e lideranças da esquerda a espargir cinzas pelas cabeças alheias. Em grande parte, contudo, a perda se explica por correspondente fuga à competição. Em 2016, o PT registrou 1004 candidatos prefeitos contra os 1799 registrados em 2012, ou seja, uma redução de 44% na lista de concorrentes. A sangria na mobilização de competidores, esta sim, teve impacto desastroso no desempenho do partido.

O mesmo ocorreu na disputa pelas vereanças. Em 2016, o Partido dos Trabalhadores concorreu com uma absurda redução de 45% no número de candidatos, em comparação com 2012. Não deu outra: conseguiu, em 2016, menos 46% de vitórias das conquistadas em 2012. Não há comprovação de que o eleitorado petista tenha rejeitado o partido. O PT perdeu o que sua liderança pediu para perder.

Ser pautado pela direita significa ou ficar intimidado por ela – o que ocorreu em 2016 – ou tomar decisões embirradas com a propaganda midiática. Antes de se arriscar a resultados catastróficos em 2018, seria de toda conveniência que alguns exaltados ou compreensivelmente emocionados com a real perseguição ao partido e ao seu grande líder, fossem capazes de separar a solidariedade que não lhes tem faltado por todas as fatias do bolo à esquerda, da necessidade crucial de formular a estratégia com maior probabilidade de sucesso em outubro próximo. Essa decisão requer abertura negociada em torno de programas de governo. Os nomes surgirão naturalmente de um acordo de tal tipo.

Há uma reflexão à qual ninguém, no lado da esquerda, deveria fugir: é absolutamente certo que sem o apoio de Lula, uma vitória da centro-esquerda ficaria seriamente ameaçada; porém, dependendo do candidato, mesmo com o apoio de Lula, a vitória também será improvável. Dedicados petistas, fora dos dogmáticos discriminadores, não têm censura mental e podem admitir que, sem Lula é impossível ganhar, mas com Lula é possível perder. Em qualquer dos dois casos, a vítima maior será o próprio Lula, que está preso e, por enquanto, condenado. Os estrategistas do ou Lula ou nada continuarão soltos.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

As drogas e o problema de sua liberação

Criou-se um consenso nas esquerdas brasileiras de que deve se descriminalizar as drogas e deixar o consumo rolar livremente - quando não estimulado, como defendem alguns esquerdistas. Quanto a descriminalização, nossa equipe é totalmente a favor, pois o consumo de drogas é assunto de saúde e nada tem a ver com moral. Quanto a respeitar e estimular o consumo, somos contra.

Um membro de nossa equipe leu em um site de esquerda, normalmente sensato, um texto dizendo que era um erro acreditar que desestimulando o consumo acabaria com o tráfico criminoso e a violência decorrente dele. 

Achamos estranho, pois a lógica mostra que a razão de ser do tráfico é a existência de consumidores. O texto claramente defendia o respeito a quem quer se entupir de substância nocivas a própria saúde. Para as esquerdas, ficar doente virou um direito.

Em conversa que tivemos antes que um de nós escrevesse este texto, analisamos este ponto de vista, imaginando a hipótese deste consenso esquerdista está correto. Não está. Claro que prender consumidores e pequenos traficantes (que não estão nessa porque querem, bom lembrar, mas por falta de alternativa de emprego razoavelmente remunerado) é um erro. 

Drogas representam um problema ligado a saúde. Temos que insistir com isso, pois o senso comum consagrou o problema das drogas como moral e punível através da truculência policial. Mesmo a esquerda que defende o consumo acredita neste mito da droga como problema moral, o que faz com que defendam o respeito ao consumo, fazendo com as drogas ilícitas o que já é feito com o álcool e o cigarro, que matam lentamente milhões de pessoas a cada ano.

O nosso medo é que com a liberação das drogas, passe a surgir uma espécie de Ambev ou Souza Cruz do 'loló", com o consumo liberado, e consequentemente aumentado, causando inúmeras mortes. As drogas, mesmo não matando, causam danos cerebrais que podem tornar a já alienada população brasileira, cuja maioria tem discernimento e senso críticos um tanto atrofiados (se fossem fortes, brasileiros seriam muito mais combativos) ainda mais divorciada do mundo real.

Lembrando que legalizadas, industrias de álccol, de cigarros e de medicamentos, continuam a aprontar suas traquinagens. Agindo dentro da lei, elas não chegam a estimular a violência como a conhecemos. Mas elas praticam outros tipos de violência tão ou mais cruéis, como fazer governos agirem a favor delas e contra a população, manipulando leis e derrubando governos que ajam a favor da população.

O ideal mesmo seria desestimular o consumo, por mais anti-democrático que seja. Ter danos físico-mentais não é direito de ninguém e precisamos criar meios que façam o consumo de drogas ser malvisto pela sociedade. 

Até agora, o consumo traz uma falsa aura de alegria, de liberdade e até de sofisticação em alguns casos. Quem consome se sente mais socialmente incluído e mais relaxado, embora os efeitos colaterais não demorem muito para aparecer e com o tempo, o copo vai se deteriorando, acelerando o processo de envelhecimento.

É bom todos pensarmos sobre isso. Sem o consumo de drogas teremos mais saúde, mais ar puro e menos violências. A droga que você deixa de consumir traz uma série de benefícios que podem ajudar e muito a eliminar outros problemas na sociedade. Quem sabe passemos a pensar melhor, a amar mais e a criar soluções que beneficiem a todos, não a uma classe específica, seja ela qual for.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Porque direitistas nunca se assumem como tais


A Direita tem orgulho de sua ideologia gananciosa e conservadora. Mas tem vergonha de seu rótulo. São muitos os direitistas que fingem não ser direitistas e alguns até se rotulam de "esquerdistas" por não saber o que é ser "de esquerda" ou para angariar confiança popular. 


Em geral, direitistas preferem se auto-rotular de "centro", como se estivessem em prol do bem estar de todos, o que é falso. Direitistas são muito seletivos. Mas apesar de não desejarem bem estar de todos, querem extrair de todos os benefícios que garantem seus privilégios.

Na verdade, direitistas, apesar de serem fiéis a uma ideologia que protege os privilégios dos mais ricos e a manutenção do status quo e das regras do sistema econômico-social vigente, sabem muito bem que o apoio da população também contribui para a manutenção destes aspectos, que é o verdadeiro interesse de quem segue uma ideologia direitista.

Mas para angariar a confiança de outras pessoas, é importante não se assumir ganancioso e retrógrado. Ganância e a recusa ao progresso são valores considerados negativos e espantam apoio popular. Ninguém apoia quem se assume ganancioso e retrógrado. Mesmo que a ganância e a defesa de ideais antiquados seja necessária ao direitista, ele precisa assumir uma postura oposta para que as pessoas que o irão beneficiar se aproximem e lhe favoreçam.

Por isso que os direitistas nunca se assumem como tais. Ser de direita é dizer para todos: "EU SOU GANANCIOSO E RETRÓGRADO!". Mas como abrir mão da ganância e de ideais antiquados significaria perda de bens, direitos e privilégios, a ganância e o conservadorismo tem que ser mantidos, mas sem rótulos, para que os interesses de direitistas sejam mantidos sem que estes se isolem das pessoas que irão lhes beneficiar. Ou seja, se assumir ganancioso soa tão ruim para o direitista quanto repartir renda e direitos.

Por isso que os direitistas odeiam o seu rótulo. Ideologicamente, ser de direita é muito bom para direitistas. Desde que você não os chame de direitistas.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Jessé Souza: O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

OBS: O grande intelectual Jessé Souza, autor do brilhante livro A Elite do Atraso, que desmonta toda a farsa vendida em muitos livros de História do passado, escreveu este maravilhoso texto que merece ser lido e relido. Realmente as nossas elites gananciosas são metidas em falar grosso contra o povo brasileiro, mas mia feio gatinho diante dos imperialistas, esperando obter destes algum favorecimento.

O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

Jessé Souza — publicado na Carta Capital

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé nem ser especialmente tolo para defender os interesses dos EUA como se fossem seus.

Toda ideologia científica, criada para legitimar os interesses dos poderosos, precisa ter um grão de verdade para produzir uma mentira social convincente.

Assim, a ideologia científica da supremacia moral norte-americana nasce da tese de que o pioneiro protestante ascético criou uma sociedade igualitária de classe média, formada por pequenos empresários familiares no campo e na cidade, baseada na disciplina do trabalho duro, na política controlada pelo cidadão e na honestidade das relações interpessoais e contratuais. Até a Guerra Civil e 1861/1865, essa sociedade do pequeno empresário tinha seu grão de verdade.

Os Estados Unidos que nascem da guerra civil não têm, no entanto, mais nada a ver com esse passado mítico. O pequeno empresário perde qualquer importância econômica para os grandes monopólios econômicos,  que passam a dirigir de cima uma política cada vez mais corrompida para atender seus interesses.

Propaganda e indústria cultural manipulativa criam uma esfera pública colonizada pelo dinheiro onde o consumismo substitui a participação politica comunitária.

 A riqueza se concentra em poucas mãos e o assalto às riquezas de outros países, como em todo império, é usada para distribuir uma parte do butim para o próprio povo de modo a comprar solidariedade interna. Não obstante, a ideologia cientifica e cultural do “self made man”, do empresário trabalhador e honesto, é, até hoje, a imagem central da “ideologia americana”, para dentro e para fora da nação.

A elite de proprietários brasileiros, assim que termina a escravidão, procura e constrói uma ideologia cientifica que é o espelho invertido da americana para se apresentar como imagem do progresso: se não temos aqui o império do empresário diligente, honesto e trabalhador é apenas porque uma elite atrasada tomou o Estado e a política para seu interesse próprio.

Que nunca tenha existido aqui o “farmer” americano, mas o latifundiário ladrão de terras e assassino de gente, que se muda para a cidade para assaltar, agora, o orçamento do Estado e a sociedade como um todo, não parece perturbar ninguém.

A ideologia norte-americana ajuda a legitimar aqui o mercado da rapina sem freios sobre a população intelectualmente indefesa, produto de uma imprensa venal, que estigmatiza o Estado e a política para torná-los instrumentos dóceis do saque legalizado dos donos do mercado.

É apenas porque o mito nacional dos EUA travestido de ciência é reproduzido aqui na sua versão “vira-lata”, do inferiorizado moralmente, que a “informal” e ilegal “cooperação” entre o Departamento de Justiça americano e a Lava Jato pode se mostrar de público e sem nenhum disfarce.

O procurador Kenneth Blanco, do Departamento de Justiça dos EUA, elogiou, de público, sem qualquer pudor ou vergonha, a “íntima” cooperação com a Lava Jato, que permitiu ações ágeis e rápidas “fora dos procedimentos oficiais” por conta do relacionamento de “confiança individual” entre as equipes.

Que o país de uns tenha ficado mais rico e o país dos outros muito mais pobre, parece ser um mero efeito colateral sem importância. 

Em um contexto como este, onde a raposa e a galinha pensam o mundo e compartilham as mesmas ilusões, não se precisa sequer “pagar por fora”, em paraísos fiscais, aos procuradores e juízes envolvidos pelo serviço tão bem feito de acabar com as grandes empresas brasileiras, que eram o suporte de uma inserção internacional autônoma, via Brics, odiado pelos EUA.

Assim, acabar com 1,5 milhão de empregos e com a economia de vanguarda brasileira pode ser vendido como um acordo entre “gentlemen” interessados que a lei prevaleça e que a corrupção, claro, só do país atrasado, seja combatida.

Que os americanos façam muito diferente em casa, que as firmas corruptas sejam protegidas por “acordos secretos” com as autoridades administrativas, para proteger os empregos e os interesses americanos, como mostrado pela insuspeita The Economist  em agosto de 2014, também não parece preocupar ninguém.

Enquanto os funcionários norte-americanos são formados dentro de uma geopolítica e de uma ideologia científica centenária de um império que defende com unhas e dentes seus interesses, os nossos procuradores, juízes, generais e economistas só conhecem, quando muito, seu campo muito específico de ação. São vítimas da geopolítica do “vira-lata” e são perpassados por sentimentos de inferioridade aprendidos na escola, na mídia e nas universidades.

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé, nem ser especialmente tolo, para defender os interesses norte-americanos como se fossem os seus. Basta ter nascido brasileiro e aprendido na escola e na mídia a ser um vira-lata obediente.   

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O Grande Vencedor

OBS: O jornalista Mauro Santayana escreveu este maravilhoso texto em seu blog. Decidi publicá-lo aqui também, recomendando aos leitores que visitem o blog do jornalista, que tem muita informação e textos importantes para serem lidos. Parabéns, Santayana, seu tecto é belíssimo. Falou tudo.

O Grande Vencedor

Mauro Santayana, em seu blog oficial

A cada vez que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível... .  

A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles... 

A cada vez que alguém disser que o Brasil está quebrado por incompetência de governos anteriores quando somos o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, temos 380 bilhões de dólares - mais de 1 trilhão e 200 bilhões de reais - em reservas internacionais, o BNDES está pagando antecipadamente 230 bilhões de reais ao Tesouro e a divida bruta e líquida públicas são menores do que eram em 2002 com relação ao PIB...    

A cada vez que alguém gritar que temos que entregar o pré-sal, a PETROBRAS, a EMBRAER, a ELETROBRAS e a Amazônia para os EUA porque somos ladrões e incompetentes para cuidar do que é nosso, como se o governo e as empresas norte-americanas fossem um impoluto poço de honestidade e moralismo e até o genro do Rei da Espanha não tivesse sido  apanhado em cabide de emprego da Vivo depois que esta veio para o Brasil aproveitando a nefasta privatização da Telebras, feita por gente que depois ocupou aqui a Presidência dessa empresa espanhola...

A cada vez que alguém defender raivosamente o livre comércio quando o EXIMBANK e a OPIC norte-americanos emprestam mais dinheiro público que o BNDES no apoio a exportações  e Trump adota sobretaxas contra a importação de aço e aluminio brasileiros e para vender aviões ao governo dos EUA a EMBRAER é obrigada a instalar primeiro com participação minoritária uma fábrica nos Estados Unidos... 

A cada vez que alguém vangloriar o estado mínimo, quando os EUA - que está mais endividado que o Brasil - está programando investir mais de um trilhão de dólares de dinheiro público em  obras de infraestrutura para reativar a economia, tem apenas no Departamento de Defesa mais funcionários federais que todo o governo brasileiro e todo mundo - principalmente a China -  sabe que não existem naçõoes fortes sem estados fortes, ou sem empresas nacionais privadas ou estatais poderosas que é preciso preservar e defender...   

A cada vez que alguém defender a volta de militares golpistas ao poder - porque milhares de militares legalistas foram contra o golpe de 1964 e foram perseguidos depois por defender a Constituição e a Democracia - abrindo mão de votar e suspirar e sentir o cabelo da nuca arrepiar quando vir um reco passar por perto...

A cada vez que alguém afirmar que em 1964 não houve um golpe contra um Presidente eleito, consagrado pelo apoio popular, poucas semanas antes, em um plebiscito amplamente vitorioso...

A cada vez que alguém defender a tortura e a volta dos assassinatos da ditadura, sabendo que em um regime de exceção ninguém está a salvo do guarda da esquina, como aprenderam golpistas que desfilaram pedindo o golpe de 1964 e depois tiveram filhos e parentes assassinados ou torturados pela repressão... 

A cada vez que alguém achar normal - desde que não seja seu parente - que, sem flagrante, uma pessoa possa ser levada para depor pela polícia sem ter sido antes previamente intimada a depor pela justiça...    

A cada vez que informações sigilosas de inquéritos em andamento forem vazadas propositalmente por quem deveria preservar o sigilo de justiça, para determinadas e particulares emissoras de televisão...    

A cada vez que alguém aceitar que um cidadão pode ser acusado,  condenado e encarcerado sem provas e apenas pela palavra de um investigado preso que teve muitas vezes sua prisão  sucessiva imoralmente prorrogada, disposto a tudo para sair da cadeia a qualquer preço...

A cada vez que alguém achar que algum cidadão pode ser acusado de ser dono de alguma propriedade sem nunca ter tomado posse dela ou sequer possuir uma escritura que prove que  é sua...

A cada vez que alguém acreditar que um apartamento fuleiro que vale menos de um milhão de reais pode ter servido de propina para comprar a dignidade de alguém que comandou durante oito anos uma das maiores economias do mundo...

A cada vez que alguém soltar foguetes por motivos políticos, celebrando sua própria ignorância e imbecilidade...

A cada vez que alguém aceitar promulgar leis inconstitucionais para ceder à pressão dos adversários adotando um  republicanismo pueril e imaturo...

A cada vez que a lei aceitar tratar de forma diferente - ou igualmente injusta e ilegal - aqueles que são iguais... 

A cada vez que um juiz ou procurador emitir - sem estar a isso constitucionalmente autorizado - uma opinião política...

A cada vez que juízes ou procuradores falarem em fazer greve para defender benesses como auxílio-moradia quando já ganham muitas vezes - também de forma imoral - perto ou mais de 100.000,00 reais, muito acima, portanto, do limite constitucional vigente, que é o salário de ministros do STF... 

A cada vez que alguém defender que "bandido bom é bandido morto" até algum parente se envolver em um incidente de trânsito ou em uma discussão de condomínio com algum agente prisional, guarda municipal ou agente de polícia...

A cada vez que alguém comemorar a morte de alguém por ele ser supostamente "comunista", ou negro, viciado, gay ou da periferia...

A cada vez que alguém ache normal - e com isso vibre - que candidatos defendam o excludente automático de ilicitude para agentes de segurança pública que matem "em serviço", em um país em que a polícia já é a que mais mata no mundo...

A cada vez que alguém achar que só ele tem o direito ou, pior, a exclusividade de usar os símbolos nacionais e o verde e amarelo - que pertencem a todos os brasileiros...

A cada vez que um ministro da Suprema Corte se calar quando for insultado publicamente por juízes e procuradores ou por um energúmeno qualquer nas redes sociais...

A cada vez que alguém acreditar que água de torneira - abençoada por um sujeito na tela da televisão -  cura o câncer, que a terra é plana, ou que Hitler - obrigado a suicidar-se durante a Batalha de Berlim pelo cerco das tropas soviéticas - era socialista... 

A cada vez que alguém achar que é normal que institutos de certos ex-presidentes tenham ganho milhões com a realização de palestras de um certo ex-presidente e outros institutos de outros ex-presidentes tenham de ser multados em todo o dinheiro ganho por palestras de outro ex-presidente...

A cada vez que alguém ache normal que alguém vá para a cadeia por não ter comprado um apartamento e outros sequer sejam investigados por ter comprado várias outras propriedades imobiliárias por preços abaixo do mercado...     

A cada vez que uma emissora de televisão, pratique, nas barbas do TSE, impune e disfarçadamente, política, “filtrando” e exibindo depoimentos “espontâneos” de cidadãos de todo o país, para defender subjetivamente suas próprias teses - ou aquelas que mais lhe agradem - em pleno ano eleitoral... 

A cada vez que alguém adotar descaradamente a chicana e  o casuísmo, impedindo que se cumpra a Constituição, porque está apostando na crise institucional e foi picado pela mosca azul quando estava sentado na principal cadeira do Palácio do Planalto…  

A cada vez que ministros do Supremo inventarem dialetos javaneses ou hermenêuticos lero-leros para justificar votos incompreensíveis e confusos que vão contra a Constituição e que a História não esquecerá nem absolverá...   

O Fascismo estará mais perto da vitória. 

E não perdoará, em sua orgia de ódio, violência e hipocrisia, nem mesmo aqueles que agora estão empenhados, por burrice, oportunismo ou covardia, em chocar o ovo da serpente e abrir-lhe o caminho para o triunfo.