sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O analfabetismo político funcional

Por João Paulo Cunha - Brasil de Fato - Edição: Joana Tavares

O nível de conflagração política no país tem gerado uma falsa ideia de que há uma divisão racional entre diferentes visões de mundo. O Brasil não está dividido entre esquerda e direita, com suas ponderações que incorporam o centro como agente suavizante, de um lado ou de outro. O que se observa, na troca de ódios que alimenta o dia a dia da nação, é uma regressão ao nível da irracionalidade.

Muitos acreditam que ainda vale a pena conversar com amigos e familiares, colegas de trabalho e pessoas com as quais se relacionam informalmente, para apresentar seus pontos de vista e avançar até um consenso possível ou uma respeitosa discordância. Não estamos mais, infelizmente, nesse patamar. O sarrafo da inteligência já desceu ao nível do analfabetismo político funcional. Agora é hora da disputa de projetos para o país. A continuidade do golpe ou a reversão a um projeto popular interrompido.

Grande parte das pessoas não precisa de argumentos, bastam ideias soltas, afirmações rasteiras, slogans preconceituosos, vômitos moralistas, frases feitas. É o típico repertório de Bolsonaro e Daciolo. O capitão e o cabo, seguindo a vertente autoritária que sustenta seu modo de ser, se dão por satisfeitos com comandos curtos, típicos dos treinamentos que se dão no nível medular, sem chegar ao cérebro. Tudo que é mais complicado é jogado no colo de Deus ou do posto Ipiranga.

Estão na disputa exatamente para consolidar essa divisão. Ficam responsáveis pela pauta moralista, chauvinista e retrógrada, deixando as questões fundamentais do país na mão de especialistas convocados no mercado. São como aqueles peixes sem capacidade própria de sobrevivência, que ficam em torno de tubarões, alimentando-se de suas sobras. Com a diferença que pensam que são tubarões.

Fossem apenas os candidatos, teríamos um cenário lamentável. Mas são mais que isso: são candidatos, sobretudo Bolsonaro, que conquistam boa parte do eleitorado. Isso aponta para uma cadeia de transmissão dessa lógica de desvalorização das ideias. A agenda desses postulantes é o que menos importa. Eles se firmam em chavões irresponsáveis e no descrédito com a política. Quando se tornam relevantes numericamente, o alerta precisa acender.

A extrema direita entrou na eleição inflada pela mídia para assumir a linha auxiliar de combate ao PT e às esquerdas. A ideia era juntar o ideário liberal em economia, elevado à posição de verdade absoluta pela mídia comercial, com a estratégia pit bull no tocante a temas relativos a segurança e direitos humanos. Na hora certa, os boçais seriam descartados.

O que ocorreu foi que a incapacidade de sustentar um candidato viável de suas hostes, somado ao incentivo à estupidez, gerou um revés praticamente incontornável. Por outro lado, a crença na destruição da esquerda, sobretudo a partir do discurso moralizante anticorrupção do “país que eu quero para o futuro”, começou a fracassar em razão da recuperação da memória social e do sentimento real de perda. De emprego, saúde, segurança e direitos trabalhistas.

Está claro que a situação está péssima e que já foi melhor há não muito tempo. Nessa hora, não há manchete canalha ou comentarista de TV a cabo que convença que a economia está reagindo bem e que os empregos estão voltando. A persistência do voto declarado em Lula, mesmo preso e com jornadas incessantes de desmoralização, se explica. Como também se explicam as investidas judiciais extremamente politizadas e o acirramento da partidarização da mídia.

Nos dois acasos, o cidadão acompanhou nos últimos dias fatos patéticos. Na Justiça, o açodamento em tentar impedir o registro da candidatura petista com declarações histéricas de ministros das cortes superiores. Falou-se até em cobrar pelo prejuízo financeiro de realizar uma eleição num Estado que se diz democrático. Rosa Weber, assumindo a presidência do TSE, disse que não precisa esperar pedido de impugnação para agir, se prontificando a fazer de ofício o que não fez em outra ação no STF, quando votou contra a própria convicção. A PGR não esperou nem o sol se pôr para se manifestar, disputando as primícias com o MBL e Alexandre Frota.

A imprensa secundou a farsa, transformando o histórico episódio de um registro de candidatura feito por dezenas de milhares de cidadãos em marcha que atravessou o país em um ato de balbúrdia. E fez mais: a publicação de um artigo de Lula no New York Times deu vazão a um misto de dor-de-cotovelo e ridículo. No jornal O Globo, a colunista Miriam Leitão publicou coluna em que apontava o que faltou no texto de Lula. A Folha de S. Paulo foi ainda mais longe e convocou um jornalista gringo para escrever o artigo que deveria ter sido escrito por Lula.

Além de não engolirem o fato de serem furados por um jornal do lado de cima dos trópicos, não foram capazes de ler o que estava escrito, propondo derivativos. Os jornais brasileiros prezaram sempre por escrever a história que preferem registrar como plausível, no lugar de reportar a realidade como ela simplesmente é. Em lugar da manifestação da opinião livre, a copidescagem do real. O NYT não é petista, é apenas um jornal, o que parece inaceitável para a mídia brasileira.

A eleição tem um duro caminho pela frente. Nada está garantido até agora, nem mesmo a liberdade de voto. Mas muito mais duro será reverter, no novo governo que se espera legitimamente eleito, a situação a que chegamos. Não estaremos - e os EUA nos mostram que essa é uma realidade universal - livres dos imbecis e suas ideias tóxicas. O que precisamos apenas é de maturidade suficiente para que não sejam levados a sério ou se revelem como ameaça aos valores mais básicos da civilização.

sábado, 4 de agosto de 2018

Esquerdas ignoram que fascistas não se consideram fascistas

Para entendermos os fatos é preciso entender a mentalidade dos outros, principalmente de opositores. Entender opositores é importante para que possamos conhecer suas atitudes e saber como eles agirão em favor deles, não raramente causando danos para os que não estão de seu lado.

As esquerdas brasileiras são bastante ingênuas. A facilidade com que se deu o golpe de 2016 é uma prova disto. O socialismo brasileiro ainda é muito verde e ainda está em processo de amadurecimento. Há muitas coisas para os esquerdistas aprenderem se quiserem ser uma esquerda de verdade. Uma delas é saber que fascistas não se consideram fascistas. 

Vamos entender o que se passa nas cabeças dos fascistas. São pessoas de nível intelectual limitado, embora se achem mais sábios que as outras pessoas, já que aceitam a sua visão de mundo como se fosse mais ampla do que já é. Como se o mundo limitado que conhecem fosse o mundo em sua totalidade. É receber 30% achando que recebeu 100%.

Imagine estas pessoas sendo ameaçadas de perder seu patrimônio para pessoas que não fazem parte do mundo delas. Bom lembrar que os fascistas se auto-rotulam "homens de bem" e que a sua agressividade é considerada por eles como um ato de defesa. Por isso que muitos jovens ricos e pobres ameaçados pela violência nas favelas correm para os braços de Bolsonaro para pedir socorro.

Não estou dizendo que os admiradores de Bolsonaro estão corretos. A falta de visão de mundo deles os faz querer resolver de forma violenta problemas que em sua maioria tem origem econômica. Mas educados por uma moralidade tosca e subjetiva, enfiaram na cabeça que tudo se resolve batendo, prendendo ou matando. Bolsonaro parece ser a melhor pessoa para resolvê-los desta forma.

Nem tente chamar os admiradores do "Mito" de fascistas. Eles não se acham fascistas. Apesar da afinidade ideológica e das atitudes tomadas, os fascistas brasileiros não gostam do Fascismo. Vários acusam o Nazismo de ser de esquerda ou dão características fascistas ao Comunismo, embora os próprios bolsonaristas realmente ajam como neonazistas. 

Mas na cabeça deles, toda a raiva e agressividade não passa de pura defesa de "cidadãos de bem" contra a ameaça "sádica" dos esquerdistas, que na ótica deles, defendem "bandidos", "vagabundos" e classes consideradas "inferiores". 

O Bolsonarismo adquiriu claras características neofascistas, adaptadas à realidade brasileira. Saem os "arianos" e entram os "homens de bem". Saem os "judeus" e entram os "esquerdopatas". Mas o desejo de vingança sádica dos bolsonaristas é exatamente o mesmo dos neofascistas, onde a "defesa" não passa de mera desculpa a eliminar desafetos.

Os bolsonaristas não são ideologicamente firmes, a não ser naquele moralismo aprendido nas igrejas e nos filmes de ação. Não assumem rótulos e não usam roupas estranhas. Boa parte dos neo-fascistas brasileiros se veste como cidadãos comuns. Neofascistas trabalham, se divertem, sorriem, namoram, se casam, comem e dormem. Agem como pessoas normais. Você só percebe quando determinados assuntos são tocados nas conversas.

As esquerdas deveriam parar de ingenuidade e lembrar que os neo-fascistas estão bem longe do estereótipo do careca com roupa de militar e que vive 24 horas por dia de mau humor. Esqueçam disto. O neofascista é aquele vizinho fanfarrão todo alegre que comenta sobre o jogo de futebol do domingo passado, tomando uma cervejinha bem gelada do seu lado. 

Ele vai sorrir até que você se lembre das injustiças do mundo real. Aí você vai perceber o neofascista que se apresentará diante de você. Se proteja, para não ser agredido por ele.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Lula, Bolsonaro e os Estereótipos

Estereótipo é uma marca consagrada relacionada a pessoas ou a coisas em que um grupo de características aparentes serve para defini-las de forma superficial e não raramente equivocada. Para muita gente, as aparências é que contam, pois definir as coisas apenas com os olhos ou com o conhecimento de poucas informações não exige esforço e pode-se fazer um diagnóstico rápido, embora com grandes chances de se cometer uma injustiça.

Para muitos, um líder teria a obrigação de possuir u diploma de nível superior, pois ainda acreditamos que a inteligência plena só seria adquirida após um curso universitário, o que não é verdade. A inteligência é na verdade um processo resultante de uma combinação de fatores, como análise, crítica, verificação de informações, etc.. 

Outra coisa a saber: se é difícil entrar em uma faculdade, graças a provas que na verdade examinam não a inteligência, mas a memória - reparem que as pessoas que tiram melhores notas em qualquer tipo de provas são muito boas em memória - é muito fácil sair delas. Basta frequentar assiduamente aulas e assinar o nome em trabalhos de grupo que o caminho para o diploma é francamente facilitado.

A inteligência deve vir da capacidade cognitiva da pessoa e não adquirida por meios burocráticos como em uma aula acadêmica. Bobagem achar que um pedaço de papel chamado "diploma" seria uma forma segura de comprovar a inteligência de uma pessoa. Membros da equipe deste blog conhecem muitas pessoas portadoras de diploma que demonstram uma burrice surpreendente em muitos assuntos, inclusive nas áreas em que se formaram no nível superior.

Quem é o sábio? Quem é o Analfabeto?

Duas figuras da política brasileira são ótimos exemplos do equívoco resultante de nosso cacoete em definir as coisas através de estereótipos: o ex-sindicalista e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-militar Jair Messias Bolsonaro.

Para quem se baseia em estereótipos, entre as duas figuras políticas citadas, certamente definiriam Bolsonaro como "sábio" e Lula como "analfabeto". Bolsonaro, por ser capitão, é oficial e para ser oficial militar, a graduação superior é mais do que obrigatória. Lula só possui o ensino médio, exigido pela profissão de metalúrgico que exerceu antes de entrar na política.

Mas se despirmos do estereótipo e analisarmos atitude e falas de cada um, vamos inverter o conceito. A entrevista dada por Bolsonaro no Roda Viva (programa de uma rede de TV que deveria ser pública e que foi devidamente sequestrada pelo PSDB) mostrou um troglodita ignorante cujo nível intelectual é inferior ao de um doente mental com cinco anos de idade. O ex-militar já começa a ser chacota mundial e só consegue ser defendido por gente tão ignorante quanto ele.

Do outro lado, ouça os discursos de Lula ou leia seus textos escritos. São de uma sabedoria ímpar. A própria gestão como presidente foi exemplar, sendo objeto de estudo em faculdades do mundo todo. Lula é definido por cientistas políticos como o melhor presidente brasileiro de todo os tempos e não cansa de demonstrar sua verdadeira inteligência quando fala. E quando mais fala, mais sábio se mostra. Impossível ser a mesma pessoa após ouvir Lula falar, pois sempre se aprende com ele.

Ou seja, enquanto um portador de diploma desfila besteiras quando abre a boca, numa exibição de total desprezo pelo mundo real e total falta de análise, o que não possui diploma dá lições de verdadeira sabedoria. Seria muito perigosa uma guerra comandada por Bolsonaro, um irresponsável desastrado sem noção do mundo real que certamente atiraria para todos os lados, matando muitos inocentes por falta de análise objetiva dos fatos.

Resta saber o que Bolsonaro fazia enquanto estava na universidade, pois estudar é o que ele não estava fazendo. Enquanto isso, o sindicalista "bronco" observava tudo ao seu redor e tirava grandes lições dos menores detalhes de tudo o que via. Lula estudou a vida, que é muito mais complexa do que qualquer coisa ensinada nas melhores faculdades. 

Em matéria de sabedoria natural, Lula já é Pós-PHD. Ou mais do que isto. Dando um banho no militar "letrado" Bolsonaro, que deve usar o diploma para se defender do mico em demonstrar total desconhecimento mínimo dos fatos reais. 

sábado, 28 de julho de 2018

Mídia usa Bolsonaro para empurrar Alckmin

Um estranho jogo está sendo feito pela grande mídia para favorecer a vitória de Geraldo Alckmin (PSDB), candidato-representante dos magnatas, especuladores e banqueiros. Para que Lula não esteja no páreo, a mídia, instrumento dos mais ricos, optou por uma forma inédita de jogo para favorecer o candidato tucano que a representa.

A mídia resolveu fazer uma propaganda negativa contra Bolsonaro. Como a mídia sabe que ela é odiada não apenas pelos esquerdistas mas também pelos neo-fascistas, ela espera que isto seja uma espécie de "propaganda às avessas" de Bolsonaro, favorecendo a ida do ex-militar ao segundo turno.

É certo que, vendo que a grande mídia fala mal do Bolsonaro, os bolsonaristas que já estão contra a mídia votarão no candidato, já que a presença midiática, mesmo negativa, do ex-militar manterá o candidato de extrema-direita na memória de seus eleitores em potencial, que digitarão o nome do ex-militar nas urnas, forçando-o a ir ao segundo turno com Alckmin.

Com isso, Bolsonaro vira o candidato-espantalho para a maior parte dos eleitores que, sem saída, votarão no Alckmin, que vencerá as eleições e continuará com o golpe, eliminando direitos e destruindo a soberania nacional.

Sabe-se que para ampla maioria da população, entre toda a esquerda e a parte moderada da direita, Bolsonaro incomoda e sem oura opção, Geraldo Alckmin, que atualmente está bastante impopular, ganharia facilmente graças ao desespero anti-Bolsonaro.

Henrique Meirelles também faz parte da jogada

Outro "boi de piranha" na eleição de 2018 é o banqueiro Henrique Meirelles, que foi o ministro da economia do golpe. Com alto nível de impopularidade, ele entra na corrida para servir de bode expiatório do golpe para que Alckmin não seja responsabilizado pela crise em que se encontra o Brasil. É um meio para Alckmin dizer: "Eu não sou o candidato dos golpistas. Quem os representa é o Henrique Meirelles. Eu nada tenho a ver com isso.".

Alckmin já começa a tentar se desvincular do golpe, faltando a alguns eventos do PSDB em que se destacam personagens do golpe e já fala em "desafiar as corporações" e trazer emprego e salários de volta, na tentativa de,segundo palavras dele, "transformar o Brasil em um nova Abu Dhabi". Abu Dhabi é um país aparentemente próspero do Oriente Médio e meca do turismo local.

Tudo será feito para que Alckmin vença e complete as maldades de Temer. Para isso, vale tudo. Com a mídia, com o supremo, com tudo.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O show de imaturidade dos portais de esquerda brasileiros

Muita gente vai se sentir ofendida com esta postagem. Mas se repararmos que ainda somos uma população jovem com apenas 518 aninhos de idade, vamos entender a nossa superestimação a algo que foi criado para ser uma reles forma de lazer mas que é tratado como o nosso motivo maior de orgulho e urgente ato de salvação cívica de um país.

Não somos o único povo fanático por futebol, mas somos o único que faz a confusão entre este tipo de esporte e a própria pátria, a ponto de ver importância política no mesmo, como quem enxerga uma cabeleira em uma lisa casca de ovo. 

Somos infantis e ainda preferimos ser patriotas de brincadeirinha do que ser patriota de verdade. Até porque ser patriota de mentirinha é mais fácil e tranquilo. A história mundial comprova que patriotas de verdade só vivem se ferrando. O verdadeiro patriotismo exige uma luta comparável a carregar um arranha-céu de mais de 100 andares pelas costas. Melhor ser patriota de mentirinha.

Brincar é muito bom, mas não numa época em que vivemos. O Brasil está um caos e nós preocupados com futebol e o seu desempenho em um reles campeonato. Os portais de esquerda perderam muito tempo falando sobre futebol, com direito a verdadeiros hypes que transformaram um mero divertimento em uma urgente luta pela sobrevivência da dignidade para o país.

Vários textos ultrapassaram os limites do surreal. O futebol passou a ser uma questão de vida ou morte, embora continuássemos vivos, exceto os suicidas, após a eliminação. Será que vamos continuar com a delirante tese de que o jogador - tucano - Neymar, com a taça na mão, iria derrubar com as mãos as grades da cela em Curitiba, resgatar Lula e colocá-lo na cadeira presidencial no Palácio do Planalto? Só em sonho, meu amigo! Só em sonho!

Parece que os portais de esquerda inverteram o provérbio que diz "primeiro o dever, depois o prazer". Em um país em frangalhos, sem direitos, sem soberania, com um montão de problemas para serem resolvidos, largamos tudo para nos entregarmos de corpo e alma à ilusão do futebol. Como crianças de 518 aninhos diante de povos milenares, queremos brincar acima de tudo. Deixemos o dever para essa gente grande que, através dos golpistas, vem destruindo o país aos poucos. Má escolha.

O futebol foi tratado pelos esquerdistas como algo de primeiríssima necessidade. Como se dependêssemos de um reles título no futebol para viver. Li declarações absurdas em prol do futebol. Coisa de histérico sob transe narcótico. A surrealidade ignorou limites da lógica e do bom senso.

Parecia que não eram 11 jogadores em um jogo de futebol e sim 11 soldados em campo de batalha. Sem o Brasil ter encarado uma guerra de verdade, brincamos na guerra de mentirinha. Melhor Tite escoltar soldadinhos de chumbo para jogarem a próxima partida enquanto os jogadores brasileiros vão sambando nos campos europeus em suas verdadeiras pátrias.

Foi um verdadeiro show de imaturidade cometido pelos esquerdistas, alçando um reles divertimento ao nível de um corajoso ato de civismo. Mas o preço disso pode ser alto. Os brasileiros já sã chacota no exterior como um povo imaturo que só pensa em futebol. A direita deve estar rindo da cara dos esquerdistas após saber que os portais de esquerda só falam sobre futebol, tratando-o com exagerada importância e desesperada urgência.

Não digo para ninguém abandonar o futebol. Mas o futebol é o quê afinal? Um forma de divertimento ou a luta pela nossa sobrevivência? Esquecem os esquerdistas que o Brasil ainda está na dianteira dos maiores campeões em copas e que isso nunca melhorou a nossa realidade cotidiana e muito menos deu soberania ao país.

As esquerdas brincaram de ser patriotas durante este mês. Mas no próximo mês, começa a campanha presidencial. Ai teremos que apelar para um tipo mais sério de patriotismo, que tem mais a ver com o nosso já sofrido cotidiano. Ou ainda acham que basta o congresso, sob a batuta do Presidente da República, organizar uma partida de futebol que está tudo resolvido? Amadureçam, esquerdistas, amadureçam...

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Porque gostar de copa e detestar Carnaval se tudo é a mesma coisa?

Antigamente, o Brasil era o país do Carnaval. Era esta a nossa fama. Quase todos os brasileiros gostavam de carnaval e em fevereiro cada um preparava a sua fantasia. Era um momento único.

Cresci não gostando de Carnaval. Mais pelo tipo de música tocada. Mas como ultimamente a trilha sonora de Carnaval tem sido mais diversificada, passei a gostar. Curiosamente quando aumenta a quantidade de brasileiros que assumem passar longe dos festejos do Rei Momo.

Só que estranhamente a copa continua atraindo uma massiva quantidade de pessoas. Entre elas, muitos que já desistiram do Carnaval, por algum motivo. O que é estranho, pois o que mais atrai as pessoas nas copas é o clima de festa que somente este evento traz - e as copas de outros esportes não trazem com tanta massividade.

Acho coerente uma pessoa gostar de Carnaval e não gostar de copa, por não se sentir atraída pelo futebol. Mas acho absurdo o oposto. Copa é um Carnaval que acontece no meio do ano de quatro em quatro anos. Tudo que há no Carnaval, há na copa. Barulho, sujeira, bebedeira e gente "bonita". A única diferença está no futebol, elemento acrescido neste festejo futebolístico de copa.

É uma baita de uma hipocrisia detestar Carnaval e adorar copa. Se todas as coisas que existem no carnaval estão presentes na copa, porque então gostar de copa, se não gosta de Carnaval? Brasileiro é povo estranho que adora contradições. Tente entender um brasileiro. Aposto que você, meu caro gringo, não irá conseguir...

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Vou torcer contra o Brasil para a alegria no México ficar completa: contrariando tendência direitista, Obrador é novo presidente do México

Além de não gostar de futebol, nunca fui muito com a cara daquilo que os brasileiros chamam de "Seleção Brasileira" ou apenas "seleção". Em geral burros, arrogantes e chegados a um jeitinho, os jogadores parecem ser as pessoas mais amadas do país, graças a uma reles habilidade de chutar uma bolinha.

Mas apareceu um motivo a mais para eu torcer pela derrota dos brasileiros no jogo de hoje: o México, país da seleção adversária dos amarelados, teve uma grande vitória na política: contrariando a tendência do continente americano em estabelecer ditaduras de direita, teve a honra de ter um verdadeiro democrático no poder: o esquerdista Lópes Obrador, que tem trabalho até no nome.

Enquanto o Brasil tem uma envergonhada ditadura de direita disfarçada de democracia, em que direitos e soberania são esquartejados em praça pública, o México agora poderá desafiar os EUA, caso o Tio Sam não decida fazer um golpe para impedir Obrador de sentar na cadeira presidencial. Torçamos que não.

Por isso é bom que a seleção mexicana vença a copa. O futebol e bem popular no México, apesar da população não fazer aquela confusão entre futebol e pátria, nosso pior e mais insistente cacoete. E é bom que os brasileiros percam, pois na política e na economia, a derrota já é mais do que garantida, tirando todos os motivos de qualquer comemoração no seu lazer favorito.

Resta saber se a esquerda ingênua que transformou a mídia alternativa em edições extraordinárias do Globo Esporte vão continuar desejando que os amarelados vençam para manter a chama da ilusão acesa. Afinal, já que perdemos no mundo real, não há diferença em perder também a alegria fictícia do cada vez mais supérfluo futebol brasileiro.