terça-feira, 26 de junho de 2018

Para magnatas, pimenta no olhos dos outros é refresco

OBS: Olhem só quem estimulou a reforma trabalhista. Os mesmos que acham que você consegue viver plenamente ganhando apenas 200 reais por mês, trabalhando durante 12 horas por dia em seis vezes por semana, são homens que ganham mais de 600 mil reais por mês praticamente sem trabalhar, distribuindo ordens de suas mansões através do celular e só indo para as suas empresas quando há algum imprevisto. 

Esses magnatas mostram quem são os verdadeiros bandidos do país, homens que desejam o melhor para si e o pior para os outros. Certamente se a reforma trabalhista os atingisse, eles não iriam gostar. Por isso agora sabemos para que foi dada a reforma trabalhista. Para facilitar os privilégios desses Tios Patinhas humanos, pois gastando menos, eles lucram muito mais. Tendo que prejudicar multidões para quem um punhado de magnatas mantenha a sua vida de marajá.

Leia abaixo as informações pesquisadas por Joaquim de Carvalho, do DCM, um dos melhores jornalistas do Brasil na atualidade.

Salários milionários, imposto baixo: ser presidente de banco e alto executivo no Brasil é como viver no paraíso

Publicado por Joaquim de Carvalho -  Diário do Centro do Mundo

Desde 2010, os bancos e as grandes empresas brasileiras que têm capital aberto brigavam na Justiça para não cumprirem uma norma da Comissão de Valores Mobiliários, o xerife do mercado de capitais: a de que os salários dos altos executivos fossem divulgados. E agora, depois que o Tribunal Regional da 2a. Região cassou a liminar que garantia o segredo, sabe-se por quê.

Num país em que o salário mínimo não chega a 300 dólares, a taxa de juros é a mais alta do planeta e as tarifas dos serviços públicos prestados por concessionárias são bastante elevadas, o que eles recebem é um escândalo. Reportagem do UOL relaciona salários dos presidentes de dois bancos e cinco grandes empresas.

O presidente do Itaú recebe mais de R$ 40 milhões por ano (3,4 milhões por mês) e o do Bradesco, quase R$ 16 milhões (R$ 1,3 milhão por mês). O presidente da Vale, R$ 19 milhões (R$ 1,6 milhão por mês). O da Tim, mais de 8 milhões (R$ 680 mil por mês), assim como o do grupo Iguatemi. O salário anual de presidente da Alpargatas é superior a R$ 7 milhões (R$ 611 mil) e o da Vivo, quase R$ 7 milhões (R$ 560 mil por mês).

O salário milionário desses executivos contrasta com a cartilha que as corporações que representam costumar oferecer ao país. São eles defenderam a reforma que retirou direitos trabalhistas e contribuiu para a precarização do trabalho, e agora exigem a reforma da Previdência, que tornará a aposentadoria um privilégio.

A liminar que impedia a divulgação desses salários milionários tinha sido obtida na Justiça pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), sob o argumento de que a divulgação dos valores representaria uma violação da privacidade e um risco à seguranças. Para a CVM, a falta de transparência impedia o acionista de saber quanto a empresa paga a seus dirigentes.

E agora se sabe que é uma enormidade, desproporcional aos ganhos médios do trabalhador brasileiro. Depois que a liminar caiu e a caixa preta dos salários dos executivos foi aberta, a pergunta que fica é: O que será do tal Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças? Para que serve?

Talvez ainda haja uma batalha a travar: a de continuar bloqueando no Congresso uma reforma tributária que faça marajás como eles pagar mais impostos: a alíquota de imposto para quem ganha R4 3,4 milhões por mês, como o presidente do Itaú, é a mesma de quem ganha R$ 4,7 mil por mês: 27,5%, com direito a muitas restituições.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Lula e a penúltima ilusão, por Aldo Fornazieri

OBS: Nossa equipe estava entre as primeiras pessoas que não acreditavam nestas ilusões. Falamos muito sobre este assunto. Nunca acreditamos que as coisas iriam favorecer a população após um golpe tão bem planejado e de certa forma bem sucedido.

A ideia deles é impedir a candidatura de Lula para facilitar a entrada de um representante deles para comandar o Poder Executivo e preservar os privilégios das classes dominantes, além de reservar para grande parte da população apenas migalhas, salários baixos e direitos pequenos, alguns desses supérfluos - como o direito de assistir futebol - pois são coisas que não ameaçam os interesses das classes dominantes.

Certamente poderão soltar Lula após as eleições, pois aí estará tarde demais e o ex-presidente não será mais uma ameaça às classes dominantes. Com um representante das elites no Poder Executivo, o golpe se legitima e o fim da soberania e de direitos importantes se legitima, retomando o Brasil a sua triste sina de país sub-desenvolvido, um Haiti mais arrumadinho que se ajoelha diante do primeiro mundo para lhe dar tudo que este exige.

Pobre Brasil, sempre proibido de se desenvolver com dignidade. 

Leiam o excelente texto do professor Aldo Fornazieri, sempre fazendo análises coerentes, decisivas e definitivas.

Lula e a penúltima ilusão, por Aldo Fornazieri

Por Aldo Fornazieri - Site GGN

Desde que se iniciaram as articulações do golpe para derrubar Dilma Rousseff da presidência da República e para impedir a candidatura Lula nas eleições presidenciais, no início de 2015, setores amplos do campo progressista, principalmente petistas, foram criando uma longa cadeia de ilusões que, uma a uma, foram sendo postas por terra. Esta cadeia foi constituída pelas seguintes ilusões: a primeira, a de que a Câmara dos Deputados não autorizaria o processo de impeachment; a segunda, a de que o Senado o barraria; a terceira, a de que o STF anularia o impeachment; a quarta, a de que Lula não seria preso; a quinta, a de que Lula seria libertado antes das eleições e a sexta, que ainda está vigente, a de que Lula será autorizado pela Justiça Eleitoral ou pelo STF a concorrer à presidência da República.

A penúltima ilusão ruiu nos últimos dias. Neste dia  26 de junho, a segunda turma do STF iria julgar um recurso da defesa de Lula que poderia colocá-lo em liberdade. Num jogo, ao que tudo indica, combinado entre a vice-presidente do TRF4 e o ministro Fachin, resultou que o recurso não foi acatado pelo Tribunal Regional e, consequentemente, não encaminhado ao STF resultando no cancelamento do julgamento. Fachin demorou apenas 45 minutos para tomar a decisão após ser comunicado pelo TRF4.

Para quem ainda não percebeu, é conveniente que se perceba que existe um inescrupuloso jogo combinado entre Moro e o TRF4 e entre o TRF4 e o STF. O objetivo evidente e sequer dissimulado desse jogo consiste em manter Lula na cadeia, ao menos até após as eleições, e impedir que ele seja candidato. Este jogo passa também pelo STJ e pelo TSE e tudo será feito para que o objetivo de impedir a candidatura Lula seja alcançado. A ilusão de que Lula poderia ser libertado em breve havia se acentuado depois que Gleisi Hoffmann foi absolvida das disparatadas acusações de que era vítima. Aqueles que manipulam os condões do poder sabem que podem cometer arbitrariedades à vontade, pois não existe força política e social organizada que faça tremer o país, assim como haviam anunciado que se Lula fosse preso, o Brasil não tremeria.

Para entender melhor a conduta dos julgadores e dos tribunais é preciso atentar para duas estratégias por eles usadas: 1) em se tratando dos processos envolvendo Lula, as decisões dos juízes, desembargadores, ministros e tribunais são aceleradas ou retardadas segundo a vontade e a conveniência manifestas de prejudicar o ex-presidente; 2) o STF, aparentemente, começou a operacionalizar a estratégia do fato consumado. No que consiste exatamente essa estratégia? Alcançados os objetivos políticos e consumados os fatos que os produzem, o STF implementará ações restauradoras da ordem aparente da Constituição e do Estado de Direito, que sofreram múltiplas violações por parte do próprio Judicário.

O primeiro ato da estratégia do fato consumado consistiu na declaração de inconstitucionalidade da condução coercitiva. Por onde quer que se olhasse desde o início, a condução coercitiva era ilegal e inconstitucional. Lula e tanto outros sofreram a violência dessa ilegalidade e o STF permitiu que Moro e outros juízes a utilizassem a la larga. Somente quando os principais objetivos políticos dessa inconstitucionalidade foram alcançados, com todos os seus abusos e parcialidades, o STF, de forma hipócrita, retoma o papel de guardião da Constituição.

Um dos próximos atos de hipocrisia do STF deverá consistir na declaração de inconstitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância. Mas isto deverá ser feito após a finalização do fato consumado de que não interessará mais manter Lula preso, circunstância que deverá ocorrer somente após as eleições. Todos sabem que Lula está preso ilegalmente, a partir de duas arbitrariedades. Primeira: não cometeu crime e foi condenado sem provas. Segunda: a prisão após condenação em segunda instância e sem que a sentença tenha transitado em julgado fere flagrantemente a Constituição, fato reconhecido por ministros do STF, a exemplo de Marco Aurélio Mello. Carmen Lúcia é sacerdotisa satânica dessa inconstitucionalidade.

Manter Lula preso ilegalmente vem provocando alto custo político, tanto ao STF, quanto ao Brasil. A repulsa internacional da prisão de Lula é gritante e avassaladora. Assim, o mais provável é que ele seja posto em liberdade depois das eleições. Além do praticamente certo impedimento legal de sua candidatura, Lula será mantido na prisão até as eleições para que seja impedido de fazer campanha para a um eventual candidato do PT no primeiro turno e a um petista ou aliado no segundo turno. Ao cabo do processo, consumados os fatos, alcançados os objetivos, o STF surgirá novamente como guardião da Constituição, declarará a inconstitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância e merecerá elogios da "consciência democrática" e de analistas progressistas e de esquerda.

Após as eleições deverá soprar uma brisa suave. A Constituição, o Estado de Direito e a "funcionalidade" da nossa democracia serão elogiados. Far-se-ão apelos à concórdia e à conciliação. Os espíritos belicosos serão repudiados. As esperanças serão renovadas e um futuro luminoso será pintado. Os que não acreditarem serão crucificados como céticos, niilistas, negativistas, pessimistas.

Mas o Brasil ingressará novamente no seu delirante, triste e deprimente espetáculo. Tudo o que foi feito e o que não foi feito será esquecido. O golpe, as violações das leis e da Constituição, as arbitrariedades, as parcialidades, tudo será passado. Alguns permanecerão ainda por algum tempo presos, mas, talvez, não por muito tempo. Será preciso conciliar, harmonizar. Os agentes do arbítrio continuarão no poder com o regalo de seus altos salários e privilégios imorais. Muitos golpistas e outros golpeados estarão juntos em eleições futuras. A falta de capacidade de organizar, mobilizar e criar força ativa por parte de quem almeja mudanças será algo posto no canto escuro do pensamento como um incômodo. E gerações futuras perceberão, em algum futuro, talvez em algumas décadas, que o Brasil retornará a este mesmo ponto em que estamos, pois a sua história é circular. Conceda-se a dúvida, contudo, de que essas gerações terão que decidir se farão surgir líderes, forças e virtudes capazes de quebrar este padrão da nossa história ou se o Brasil continuará andando em círculo.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Um outro cigarro

Foi anunciado que o Canadá aprovou o uso livre da maconha com fins recreativos. Sim, recreativos. As esquerdas brasileiras imediatamente comemoraram e já agitam uma campanha para que o mesmo seja feito no Brasil. O assunto drogas é um tema delicado, pois tanto a proibição quanto a liberação são nocivas de alguma forma e sabe-se que drogas fazem mal a saúde. 

Só a alteração da atividade cerebral é algo a merecer atenção. Mas muita gente não liga muito para a saúde cerebral num mundo onde a alienação não só é comum como totalmente estimulada. É legal ser alienado. Alienados são mais felizes. Um alienado embriagado ou em transe tóxico é mais feliz ainda. Golpe? Que Golpe? Temer? Deixa o homem trabalhar, sô!

Apesar de felizes com a liberação, a mesma elimina o problema do tráfico, mas traz outro. Saem os traficantes, entram os mafiosos corporativos. Drogas são caras e, infelizmente, tem uma gigantesca demanda. Fugir de uma realidade que ninguém consegue resolver parece ser a meta de quase todos. E certamente a liberação vai criar magnatas da erva, muitos engravatados a enriquecer deixando todo mundo com a quela cara de bundão que todos conhecem.

O consumo de bebidas alcoólicas no Brasil fez de Jorge Lemann, doo da Ambev, o homem mais rico do país. Rico e golpista. Como no Brasil, empresários não são nacionalistas e são ainda mais gananciosos que os empresários estrangeiros, Lemann, que vive no exterior, age rápido para que o Brasil seja sucateado, perca soberania, direitos e se torne apenas uma espécie de dispensa para as corporações sediadas em países desenvolvidos.

Com a liberação da maconha pode se ter uma certeza do surgimento de uma "Ambev da erva", com inúmeros consumidores dispostos a enriquecer tais magnatas. Curioso que a maconha é uma droga de esquerda, do contrário da cocaína (embora tanto direitistas como esquerdistas consumam as duas). Mas as esquerdas brasileiras adoram capitalistas, desde que sejam incluídas no mundo encantado do consumo desenfreado capitalista.

A maconha só será mais um item a ser acrescido neste mundo encantado. A população encontrará mais um motivo para sair do mundo real. A copa de futebol já está servindo como um excelente entorpecente até para os que se recusam a consumir algum tipo de droga, mesmo as lícitas. 

Uma forma de ilusão a mais só vai facilitar ainda mais a fuga dos que, por preguiça ou conservadorismo, se recusam a melhora  o mundo e resolver os problemas que causam desigualdades e má qualidade de vida.

O chato é que com a liberação, não somente o fedorento cigarro irá poluir a atmosfera e incomodar os entusiastas de um ar mais puro, como agora veremos maconheiros andando nas ruas por aí, exalando um cheiro desagradável - mais do que o cigarro: quem foi a shows musicais conhece o cheiro da "erva" - nos narizes de quem andar nos grandes centros.

A humanidade ainda comete grandes erros. Além do emburrecimento e da onda de ódio, inventaram que todo mundo depende de drogas para viver. Se considerarmos cigarro e álcool como drogas, é tranquilo dizer que grande maioria da humanidade é de drogados. Embora quase todos achem este rótulo ofensivo, apesar de real.

Mas como ninguém está disposto a lutar para resolver problemas, vamos nos relaxar com uma cervejinha, um cigarro ou até mesmo a mais fedorenta erva. Não faz mal se os problemas do mundo real retornarem maiores de resolução mais difícil. Ninguém quer resolvê-los mesmo.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

“Pacto pela democracia” sem revisão do golpe?

OBS: Este excelente texto escrito pelo professor e cientista político Luiz Felipe Miguel, responsável pelo  pioneiro e excelente curso sobre o triste golpe de 2016, nos lembra de um tal pacto que foi acordado entre as forças conservadoras e progressistas para tentar salvar a democracia nos próximos anos.

O pacto dá um show de hipocrisia. É um pacto onde o forte diz ao mais fraco: "eu fico com a fartura e você com a escassez e vamos conviver amigavelmente na mais santa paz". É um pacto sem direitos, sem soberania e sem Lula. É um pacto onde os brasileiros mais pobres tem que aceitar a sua condição humilhante e deixar os mais ricos serem gananciosos em paz.

É um pacto que já foi firmado várias vezes no Brasil e que impediu a soberania e o desenvolvimento do Brasil, um país fadado a miséria absoluta. Cá para nós, sem revogar as maldades do golpe, este pacto pela democracia nunca será posto em prática. 

Este pacto me parece mais uma espécie de "morde e assopra" dos golpistas. É destruir tudo para ficarmos todos bem sem reconstruir o que havia antes.

“Pacto pela democracia” sem revisão do golpe?

Luiz Felipe Miguel, cientista político - Diário do Centro do Mundo

Nem estava com ânimo de falar sobre o tal “pacto pela democracia”. Bate tristeza ver que tantas organizações com trajetórias em geral vinculadas à esquerda foram seduzidas por algo tão hipócrita. Eu me pergunto o que pessoas como Sâmia Bonfim e Eduardo Suplicy estavam fazendo no lançamento da coisa, junto de gente do PSDB, do Novo, do PPS, da Rede. Deve ser a velha tentação de mostrar que “sou de esquerda, mas sou limpinho”.

O que propõe o tal pacto? Só coisas boas. Diálogo, tolerância e “embate virtuoso de ideias no debate público”. “Eleições limpas, diversas e com ampla participação em outubro”. E uma reforma política “para sair da crise melhores do que antes, no rumo reafirmado da ética, da justiça e do desenvolvimento compartilhados”. Quem pode se dizer contra isso?

Nos “compromissos” específicos, o politico deve “disseminar o chamado à importância do voto” e o cidadão, zelar pelo combate às notícias falsas. E assim por diante. Mas a exaltação da “importância do voto” não se relaciona com a denúncia do golpe e a ojeriza às mentiras cabe perfeitamente no discurso da grande imprensa e não aponta para a necessidade de pluralização da mídia.

É isso. Lendo o manifesto, parece que a democracia está ameaçada pela intolerância, mas não foi fraturada por um golpe de Estado. Que a a bandeira das eleições limpas e diversas pode ser empunhada de forma abstrata, sem referência ao fato de que há um candidato encarcerado e proibido de concorrer. Que a democracia que o pacto quer proteger não tem nada a ver com os direitos sociais e o combate às desigualdades, sendo limitada a um conjunto de regras para a competição política, como quer o pensamento conservador. Que o monopólio dos meios de comunicação ou a enorme desigualdade material não são obstáculos à democracia. Que a “polarização” é o grande mal e que, para superá-la, precisamos encontrar um campo comum, mesmo que para chegar lá a maior parte de nossas bandeiras mais caras tenha que ficar pelo caminho.

Fica evidente quais são as ameaças à democracia que o pacto deseja combater: Bolsonaro e a intervenção militar. O pacto é uma expressão clara da instrumentalização da ameaça da extrema-direita por parte da direita não tão extrema, como se não tivesse sido ela, a direita light, quem abriu espaço para o crescimento da direita raivosa, na hora em que era de seu interesse.

Somos constrangidos a defender a “democracia” nestes termos, aceitando o golpe, os retrocessos e o desfiguramento da Constituição de 1988, sempre para evitar o mal maior (Bolsonaro, intervenção militar). Voltamos à velha teoria de que é melhor se contentar com pouco, bem pouco, para que este pouco seja seguro. Mesmo que este pouco seja cada vez menos e mostre que nunca é tão seguro assim.

Do “pacto pela democracia” da Neca Setúbal ao “manifesto pelo novo centro” de FHC é só um passo. Melhor garantir logo a vitória de Alckmin ou de Marina, para não correr riscos, não é mesmo?

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O Selvagem efeito colateral da prisão de Lula

OBS: Excelente texto de Pedro Breier, publicado no excelente site O Cafezinho, que mostra o punitivismo do brasileiro que elegeu a corrupção como seu maior mal (e não é ), além de achar que prendendo gente vai resolver problemas no país. Duas ideias equivocadas que estão arraigadas na sociedade e viram assuntos nas populações mais conservadoras do país. Isso mostra porque temos problemas que não se resolvem a mais de 100 anos.

O Selvagem efeito colateral da prisão de Lula

Por Pedro Breier - O Cafezinho

O Tribunal de Justiça de São Paulo expediu 13.887 mandados de prisão entre fevereiro de 2016 e abril de 2018, segundo levantamento da Defensoria Pública, com base no entendimento do STF de que é possível a execução da pena após a condenação em segunda instância.

Sabemos muito bem quais as forças que levaram os ministros do STF a relativizar o princípio da presunção da inocência de forma tão grotesca.

O conluio entre a grande mídia e a Lava Jato usou e abusou da criminalização da política e do populismo penal para levar à cabo o golpe. Depois da derrubada do governo eleito em 2014, o próximo passo do movimento golpista só poderia ser tirar Lula da eleição para impedir sua mais do que provável vitória.

Para que Lula pudesse ser preso e, assim, não atuar politicamente nem mesmo para apoiar outro candidato, martelou-se uma narrativa na população que tem dois principais pontos.

O primeiro é o de que a corrupção é o grande mal que assola o país e o segundo é o de que se prendermos mais corruptos, os nossos problemas serão resolvidos.

A corrupção é, na verdade, a desculpa usada historicamente pela direita para desestabilizar e, se possível, derrubar governos com viés popular. Não há a menor comparação entre corrupção e desigualdade social, por exemplo, se formos fazer um ranking dos problemas que afetam a qualidade de vida e a dignidade das pessoas.

A ideia de que prender mais gente vai resolver alguma coisa é outro erro crasso. Uma breve pesquisa histórica demonstra que o aumento de penas e o endurecimento da legislação penal não é acompanhado pela redução de crimes. Do contrário, o Brasil, que ostenta uma das maiores populações carcerárias do planeta, seria um dos países mais seguros do mundo.

Nada disso importou para o STF, que cedeu – de bom grado – às pressões midiáticas e lavajateiras e rasgou a Constituição para que Lula pudesse ser preso e o golpe avançasse mais uma etapa.

O efeito colateral é dantesco: quase 14 mil pessoas, somente em São Paulo e em um período curtíssimo, foram convocadas a encher ainda mais os superlotados presídios brasileiros. Certamente são, em sua maioria, negros e pobres, a clientela preferencial do sistema penal.

No futuro, ficaremos horrorizados ao olharmos para estes tempos em que enjaular pessoas é considerado solução para alguma coisa.

Mais ainda ao constatarmos que verdadeiras multidões vão para a cadeia apenas para que o político mais popular do país possa ser preso também – sem provas!

Estamos na selva.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no Brasil

OBS: Curioso o fato de muita gente ainda não se incomodar com esta foto, onde aparece o "paladino anti-corrupção" conversando alegremente com o tucano destruidor da Petrobrás, Pedro Parente, responsável pelo apagão energético da gestão FHC. Se analisarmos os fato nos mínimos detalhes, vamos perceber que esta foto é bem emblemática e explica a crise que se encontra o país hoje.

E você achava que Sérgio Moro, tucano de fato, seria o "herói" a salvar o Brasil.



Entenda por que a foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no abastecimento no Brasil

Por Joaquim de Carvalho -  25 de maio de 2018 - Diário do Centro do Mundo

Estas três fotos explicam o Brasil: A de Moro com Pedro Parante em Nova York é o retrato do movimento que saqueia o Brasil, a do coordenador dos petroleiros e o protesto em Minas mostra a defesa do patrimônio brasileiro: é simples assim.


Agora leia o texto e entenda:

As panelas estão silêncio, mas paneleiros renintes, com a cabeça feita pelos analistas da Globo, continuam tagarelando nas redes sociais, e tentam colocar a culpa do caos gerado na vida dos brasileiros aos governos de Dilma e Lula.

Incrível.

Michel Temer assumiu o governo com a mão grande e, imediatamente, implantou o plano de governo derrotado nas urnas.

O PSDB é condômino de um governo que não nasceu das urnas.

A promessa era que, com Dilma fora, os investimentos voltariam, o dólar cairia e o desemprego diminuiria.

Basta olhar os números para ver o que fizeram ao Brasil: com Dilma, a gasolina custava R$ 2,99, o gás de cozinha, R$ 50,00, e a taxa de desemprego estava em 4,8%.

A gasolina está agora a R$ 4,90 (mas no dia de hoje é mais fácil encontrar uma nota de 100 reais na rua do que o combustível no posto).

O gás de cozinha custa R$ 75,00.

O desemprego atinge 14% da população e o dólar está em R$ 3,95.

Os números não mentem, mas os mentirosos manipulam os números. Na Globo, os analistas continuam tentando, de alguma maneira, culpar Dilma pelo caos:

Ao comentar o locaute, que a Globo de protesto, Alexandre Garcia deu um jeito de enfiar o PT na história: nesta manhã, ele disse que a corrupção quase destruiu a Petrobras e agora o que a ameaça é a fraqueza do governo Temer.

Os ministros negociaram com a corda no pescoço e decidiram que o governo dará à Petrobras R$ 4,9 bilhões até o fim do ano.

É uma maneira de compensar a redução de 10% nos preços do diesel. “O contribuinte vai pagar a conta”, alertou o jornalista.

O que a velha imprensa não diz, os petroleiros estão dando um jeito de mostrar.

Em Minas, houve uma paralisação de oito horas, preparativa para uma greve maior, conforme explicou o coordenador do Sindipetro em Minas Gerais:

— Essa paralisação de hoje é o início de uma greve que está sendo construída nacionalmente, que pretende parar todas as refinarias do país e as plataformas, e aí é importante ter a população do nosso lado. A greve não é por benefício nem por salário. É para que o governo deixe os petroleiros trabalhar. As refinarias estão trabalhando com carga baixa a mando do governo, para que os importadores tragam combustíveis mais caros para o país.

Bingo!

É isso que está acontecendo: com o dólar mais alto, o preço do produto sobe de acordo com a variação da moeda.

Com a refinaria trabalhando com menor capacidade, os custos de refino da Petrobras diminuem, e o lucro aumenta.

Resultado: essa política é boa para que tem ações da empresa — os dividendos podem aumentar e as ações podem subir.

O que atrapalhou esse plano foi a paralisação, porque obrigou a Petrobras a reduzir o preço do diesel, ainda que temporariamente.

As ações caíram — mas logo voltam a subir, pode apostar.

Quem vai cobrir o prejuízo por esse modelo perverso de gestão do petróleo no Brasil é o pobre.

No final, ele é quem vai pagar a conta, porque o governo se comprometeu a subsidiar o preço do produto.

Para fazer isso, terá que mudar o orçamento.

Sairá dinheiro de uma área e irá para outra. E, em situações assim, quem perde é a saúde, a educação, a assistência social e, se conseguirem mudar a Constituição, a Previdência.

São os setores que não têm lobby no governo.

Quem defende uma política que inclua o pobre no orçamento é o PT e os partidos de esquerda. Entende agora por que seus líderes estão sendo presos?

É nesse ponto que assume relevância a figura do juiz Sergio Moro.

Pedro Parente continuaria com sua empresa de gestão de fortunas ou como executivo de alguma multinacional, como a importadora e exportadora Bunge, se Moro não tivesse fornecido o argumento para destruir a economia brasileira, com a farsa do maior escândalo de corrupção na história da Via Láctea encontrado na Petrobras.

A atuação dele direta nos negócios do governo terminou em 2003 (quando Lula assumiu), depois de gerir o Ministério das Minas e Energia, no período em que houve racionamento de energia.

Com a mudança de governo, Pedro Parente foi chamado para tomar conta da Petrobras, justo ele que era chamado de “ministro do apagão”.

Sem Moro, não existiria Parente na Petrobras. Sem a Petrobras sob gestão de Parente, certamente Moro não seria homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos como Personalidade do Ano.

É por razões como esta que a eleição de outubro se tornou a mais importante da história do Brasil.

Só o eleitor pode dar um basta nesta política que não atende aos interesses dos brasileiros.

Muitos paneleiros continuarão ligados no que diz a Globo, como robôs, mas ainda há uma parcela que pode se libertar.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Afinal, quem é Ciro Gomes?

OBS: Ciro Gomes é uma figura estranha. Favorito das forças progressistas após a prisão de Lula, o ex-tucano mostra ainda estar amarrado ao cordão umbilical de quem o gerou. Muitos esquerdistas como Paulo Henrique Amorim, Miguel do Rosário e Leonardo Stoppa, por boa fé, ainda confiam em Ciro e acusam o real direitismo do candidato do PDT resultado de uma boataria criada por grupos de extrema direita. 

Mas há muitos indícios, dignos de comprovação, de que Ciro é um direitista, entre eles o respeitoso silêncio da grande mídia em relação a ele, os projetos neoliberais de seu programa de governo e a possibilidade de ter o mega-empresário golpista Benjamin Steinbruch como vice. Não estamos aqui afirmando nada, mas Ciro é uma figura que merece ser analisada antes de qualquer coisa. Não dá para amá-lo, nem odiá-lo, apenas vigiá-lo. Na hora certa saberemos de que lado ele realmente está.

Afinal, quem é Ciro Gomes?

Carlos D'Incao - Blog Esquerda Caviar

Está na hora de colocarmos um ponto final na questão de quem é, do que representa e do que fazer com a candidatura de Ciro Gomes. Um vacilo nas atuais circunstâncias pode ser decisivo para a esquerda e representar um retrocesso histórico para a classe trabalhadora, de dimensões apocalípticas.

Ciro Gomes é da direita. Não tenhamos nem um pingo de dúvidas sobre isso. Seu passado o denuncia e seu presente o confirma como um expoente desse campo.

Quem poderia achar o contrário de alguém que já foi do ARENA (PDS), do PMDB, do PSDB, do PPS, do PROS (partido que hoje declara apoio a Bolsonaro) e que hoje está no PDT que não é nem sombra daquilo que já foi na era brizolista?

Como alguém que apoiou em 2010 a pré-candidatura de Aécio Neves, lhe rasgando a seda como se o mesmo fosse - junto com o PSDB - “o presidente que iria unir os homens e mulheres de bem em nosso país”, pode hoje ser considerado de centro-esquerda?

Alguns, corretamente devem lembrar: Ciro foi também ministro de Lula na composição do Presidencialismo de coalisão. Assim como foi Michel Temer. Mas é preciso saber fazer uma distinção lúcida dos fatos.

Uma coisa é você fazer parte das forças progressistas e ser obrigado a estabelecer uma aliança com setores reacionários para tentar impôr uma agenda progressista para o país.
Outra coisa é você ser a parte reacionária dessa aliança, montar uma quadrilha, se unir com o grande capital e agora dizer que a esquerda deveria se submeter a essa aliança.

Avancemos mais: Ciro Gomes, embora tenha criticado o processo judicial que condenou Lula, não acredita que as decisões desses tribunais foi um golpe que pretende sepultar a esperança de se reverter as famigeradas reformas ultra-neoliberais que assolam o país. Nem mesmo reconhece que há uma flagrante fraude no processo eleitoral, ao tentar retirar o candidato favorito do pleito (Lula), mesmo ele sendo inocente.

Ciro Gomes atuou, ao longo do processo golpista contra Dilma, apostando no óbvio fiasco das reformas ultra-neoliberais que estavam por vir e que rapidamente se tornariam impopulares. Sempre com os olhos em 2018, falou duro contra a direita golpista, encantando setores inocentes da esquerda. Mas nunca deixou de fazer veementes críticas ao PT e à Dilma, colocando nas vítimas o ônus do crime cometido contra elas.

Atualmente Ciro avalia que não restam mais dúvidas de que Lula não será mais candidato e... resolveu iniciar sua traição programada.

Em primeiro lugar vai aumentar o tom da retórica de que as eleições sem Lula não são uma fraude e de que “ninguém é dono dos eleitores”. Irá aprofundar diálogos com os candidatos da esquerda e já possui de prontidão um exército de cabos eleitorais para militar nas redes sociais.

Esses cabos eleitorais - muito bem pagos - estão infiltrados especialmente nos grupos de esquerda, e estão sempre atentos para defender Ciro, sua suposta brilhante gestão no distante Ceará da década de 90 e que - apesar de todas as evidências - ele é sim um candidato de “centro-esquerda” e o único capaz de vencer a direita.

Nos bastidores, Ciro recebe dinheiro dos banqueiros, defende a continuidade de uma agenda ultra-neoliberal, apoia a reforma da Previdência, se porta como legítimo defensor dos interesses do mercado e com grande eloquência repete os ditames dos economistas liberais neokeynesianos.

Recentemente ganhou a simpatia e o apoio da grande imprensa e nas próximas semanas começará a tomar os holofotes dos grandes canais de comunicação.

Sua meta é legitimar a fraude das eleições de 2018, dividir o “legado” de Lula (a operação abutre) e criar a ponte para a meta final da direita e do grande capital nacional e internacional, qual seja, destruir o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais organizados no Brasil.

A perversidade de Ciro Gomes se materializa no fato de que ele é o único candidato que se porta como uma opção da esquerda, da centro-esquerda, da centro-direita e da direita. E pior: ele é um candidato muito inteligente e muito bem preparado, o que o torna um inimigo de altíssima periculosidade.

Caso tenha sucesso e se eleja presidente, sua traição programada se concluirá com adendos fundamentais: Ciro Gomes é também uma pessoa arrogante, destemperada e autoritária. Além da continuidade de uma agenda ultra-neoliberal, ele atacará com violência política e militar a esquerda brasileira e os movimentos sociais. Por fim, caberá a ele ser o coveiro do Presidencialismo e o implementador da trava oligárquica do Parlamentarismo.

Para os espectadores que não observam as águas mais profundas da política brasileira, ver Manuela d’Àvila e Guilherme Boulos conversando com Ciro apenas o credencia como uma opção do pólo progressista.

Aqui não há inocência. Caso o PC do B caminhe nessa direção, será mais um partido de esquerda que traiu a classe trabalhadora em troca das moedas de Judas (como fez fartamente nas eleições municipais de 2016, quando em muitas e grandes cidades fez alianças com o DEM e com o PSDB).

O mesmo vale para o PSOL, embora o significado de Ciro Gomes seja mais claro para as suas lideranças, com a óbvia exceção do grupo da Luciana Genro (que ainda acredita que o Estado Islâmico é um braço libertário do Oriente Médio).

Não podemos errar nesse momento: a única opção da esquerda é se unir ao Partido dos Trabalhadores, que possui a hegemonia dos movimentos sociais e é o partido mais popular e com a maior bancada no Congresso Nacional.

Fingir que tudo isso não existe e que um eventual impedimento da candidatura de Lula abre o campo para alianças sem a liderança do maior partido da esquerda é fazer exatamente o jogo da direita.

Caso a esquerda tenha que caminhar sozinha em uma candidatura do Partido dos Trabalhadores que assim seja e que venha a servir para denunciar a farsa dessas eleições.

A História irá contemplar aqueles que não viraram as costas ao povo brasileiro em um momento tão grave e tão nebuloso. Mas que nesse caminho sejam também apontados todos os traidores da classe trabalhadora, a começar pelo mais perverso e perigoso inimigo, forjado nas mais sujas alcovas da direita brasileira: Ciro Gomes.