segunda-feira, 18 de junho de 2018

“Pacto pela democracia” sem revisão do golpe?

OBS: Este excelente texto escrito pelo professor e cientista político Luiz Felipe Miguel, responsável pelo  pioneiro e excelente curso sobre o triste golpe de 2016, nos lembra de um tal pacto que foi acordado entre as forças conservadoras e progressistas para tentar salvar a democracia nos próximos anos.

O pacto dá um show de hipocrisia. É um pacto onde o forte diz ao mais fraco: "eu fico com a fartura e você com a escassez e vamos conviver amigavelmente na mais santa paz". É um pacto sem direitos, sem soberania e sem Lula. É um pacto onde os brasileiros mais pobres tem que aceitar a sua condição humilhante e deixar os mais ricos serem gananciosos em paz.

É um pacto que já foi firmado várias vezes no Brasil e que impediu a soberania e o desenvolvimento do Brasil, um país fadado a miséria absoluta. Cá para nós, sem revogar as maldades do golpe, este pacto pela democracia nunca será posto em prática. 

Este pacto me parece mais uma espécie de "morde e assopra" dos golpistas. É destruir tudo para ficarmos todos bem sem reconstruir o que havia antes.

“Pacto pela democracia” sem revisão do golpe?

Luiz Felipe Miguel, cientista político - Diário do Centro do Mundo

Nem estava com ânimo de falar sobre o tal “pacto pela democracia”. Bate tristeza ver que tantas organizações com trajetórias em geral vinculadas à esquerda foram seduzidas por algo tão hipócrita. Eu me pergunto o que pessoas como Sâmia Bonfim e Eduardo Suplicy estavam fazendo no lançamento da coisa, junto de gente do PSDB, do Novo, do PPS, da Rede. Deve ser a velha tentação de mostrar que “sou de esquerda, mas sou limpinho”.

O que propõe o tal pacto? Só coisas boas. Diálogo, tolerância e “embate virtuoso de ideias no debate público”. “Eleições limpas, diversas e com ampla participação em outubro”. E uma reforma política “para sair da crise melhores do que antes, no rumo reafirmado da ética, da justiça e do desenvolvimento compartilhados”. Quem pode se dizer contra isso?

Nos “compromissos” específicos, o politico deve “disseminar o chamado à importância do voto” e o cidadão, zelar pelo combate às notícias falsas. E assim por diante. Mas a exaltação da “importância do voto” não se relaciona com a denúncia do golpe e a ojeriza às mentiras cabe perfeitamente no discurso da grande imprensa e não aponta para a necessidade de pluralização da mídia.

É isso. Lendo o manifesto, parece que a democracia está ameaçada pela intolerância, mas não foi fraturada por um golpe de Estado. Que a a bandeira das eleições limpas e diversas pode ser empunhada de forma abstrata, sem referência ao fato de que há um candidato encarcerado e proibido de concorrer. Que a democracia que o pacto quer proteger não tem nada a ver com os direitos sociais e o combate às desigualdades, sendo limitada a um conjunto de regras para a competição política, como quer o pensamento conservador. Que o monopólio dos meios de comunicação ou a enorme desigualdade material não são obstáculos à democracia. Que a “polarização” é o grande mal e que, para superá-la, precisamos encontrar um campo comum, mesmo que para chegar lá a maior parte de nossas bandeiras mais caras tenha que ficar pelo caminho.

Fica evidente quais são as ameaças à democracia que o pacto deseja combater: Bolsonaro e a intervenção militar. O pacto é uma expressão clara da instrumentalização da ameaça da extrema-direita por parte da direita não tão extrema, como se não tivesse sido ela, a direita light, quem abriu espaço para o crescimento da direita raivosa, na hora em que era de seu interesse.

Somos constrangidos a defender a “democracia” nestes termos, aceitando o golpe, os retrocessos e o desfiguramento da Constituição de 1988, sempre para evitar o mal maior (Bolsonaro, intervenção militar). Voltamos à velha teoria de que é melhor se contentar com pouco, bem pouco, para que este pouco seja seguro. Mesmo que este pouco seja cada vez menos e mostre que nunca é tão seguro assim.

Do “pacto pela democracia” da Neca Setúbal ao “manifesto pelo novo centro” de FHC é só um passo. Melhor garantir logo a vitória de Alckmin ou de Marina, para não correr riscos, não é mesmo?

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O Selvagem efeito colateral da prisão de Lula

OBS: Excelente texto de Pedro Breier, publicado no excelente site O Cafezinho, que mostra o punitivismo do brasileiro que elegeu a corrupção como seu maior mal (e não é ), além de achar que prendendo gente vai resolver problemas no país. Duas ideias equivocadas que estão arraigadas na sociedade e viram assuntos nas populações mais conservadoras do país. Isso mostra porque temos problemas que não se resolvem a mais de 100 anos.

O Selvagem efeito colateral da prisão de Lula

Por Pedro Breier - O Cafezinho

O Tribunal de Justiça de São Paulo expediu 13.887 mandados de prisão entre fevereiro de 2016 e abril de 2018, segundo levantamento da Defensoria Pública, com base no entendimento do STF de que é possível a execução da pena após a condenação em segunda instância.

Sabemos muito bem quais as forças que levaram os ministros do STF a relativizar o princípio da presunção da inocência de forma tão grotesca.

O conluio entre a grande mídia e a Lava Jato usou e abusou da criminalização da política e do populismo penal para levar à cabo o golpe. Depois da derrubada do governo eleito em 2014, o próximo passo do movimento golpista só poderia ser tirar Lula da eleição para impedir sua mais do que provável vitória.

Para que Lula pudesse ser preso e, assim, não atuar politicamente nem mesmo para apoiar outro candidato, martelou-se uma narrativa na população que tem dois principais pontos.

O primeiro é o de que a corrupção é o grande mal que assola o país e o segundo é o de que se prendermos mais corruptos, os nossos problemas serão resolvidos.

A corrupção é, na verdade, a desculpa usada historicamente pela direita para desestabilizar e, se possível, derrubar governos com viés popular. Não há a menor comparação entre corrupção e desigualdade social, por exemplo, se formos fazer um ranking dos problemas que afetam a qualidade de vida e a dignidade das pessoas.

A ideia de que prender mais gente vai resolver alguma coisa é outro erro crasso. Uma breve pesquisa histórica demonstra que o aumento de penas e o endurecimento da legislação penal não é acompanhado pela redução de crimes. Do contrário, o Brasil, que ostenta uma das maiores populações carcerárias do planeta, seria um dos países mais seguros do mundo.

Nada disso importou para o STF, que cedeu – de bom grado – às pressões midiáticas e lavajateiras e rasgou a Constituição para que Lula pudesse ser preso e o golpe avançasse mais uma etapa.

O efeito colateral é dantesco: quase 14 mil pessoas, somente em São Paulo e em um período curtíssimo, foram convocadas a encher ainda mais os superlotados presídios brasileiros. Certamente são, em sua maioria, negros e pobres, a clientela preferencial do sistema penal.

No futuro, ficaremos horrorizados ao olharmos para estes tempos em que enjaular pessoas é considerado solução para alguma coisa.

Mais ainda ao constatarmos que verdadeiras multidões vão para a cadeia apenas para que o político mais popular do país possa ser preso também – sem provas!

Estamos na selva.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no Brasil

OBS: Curioso o fato de muita gente ainda não se incomodar com esta foto, onde aparece o "paladino anti-corrupção" conversando alegremente com o tucano destruidor da Petrobrás, Pedro Parente, responsável pelo apagão energético da gestão FHC. Se analisarmos os fato nos mínimos detalhes, vamos perceber que esta foto é bem emblemática e explica a crise que se encontra o país hoje.

E você achava que Sérgio Moro, tucano de fato, seria o "herói" a salvar o Brasil.



Entenda por que a foto de Moro com Pedro Parente em Nova York explica o caos no abastecimento no Brasil

Por Joaquim de Carvalho -  25 de maio de 2018 - Diário do Centro do Mundo

Estas três fotos explicam o Brasil: A de Moro com Pedro Parante em Nova York é o retrato do movimento que saqueia o Brasil, a do coordenador dos petroleiros e o protesto em Minas mostra a defesa do patrimônio brasileiro: é simples assim.


Agora leia o texto e entenda:

As panelas estão silêncio, mas paneleiros renintes, com a cabeça feita pelos analistas da Globo, continuam tagarelando nas redes sociais, e tentam colocar a culpa do caos gerado na vida dos brasileiros aos governos de Dilma e Lula.

Incrível.

Michel Temer assumiu o governo com a mão grande e, imediatamente, implantou o plano de governo derrotado nas urnas.

O PSDB é condômino de um governo que não nasceu das urnas.

A promessa era que, com Dilma fora, os investimentos voltariam, o dólar cairia e o desemprego diminuiria.

Basta olhar os números para ver o que fizeram ao Brasil: com Dilma, a gasolina custava R$ 2,99, o gás de cozinha, R$ 50,00, e a taxa de desemprego estava em 4,8%.

A gasolina está agora a R$ 4,90 (mas no dia de hoje é mais fácil encontrar uma nota de 100 reais na rua do que o combustível no posto).

O gás de cozinha custa R$ 75,00.

O desemprego atinge 14% da população e o dólar está em R$ 3,95.

Os números não mentem, mas os mentirosos manipulam os números. Na Globo, os analistas continuam tentando, de alguma maneira, culpar Dilma pelo caos:

Ao comentar o locaute, que a Globo de protesto, Alexandre Garcia deu um jeito de enfiar o PT na história: nesta manhã, ele disse que a corrupção quase destruiu a Petrobras e agora o que a ameaça é a fraqueza do governo Temer.

Os ministros negociaram com a corda no pescoço e decidiram que o governo dará à Petrobras R$ 4,9 bilhões até o fim do ano.

É uma maneira de compensar a redução de 10% nos preços do diesel. “O contribuinte vai pagar a conta”, alertou o jornalista.

O que a velha imprensa não diz, os petroleiros estão dando um jeito de mostrar.

Em Minas, houve uma paralisação de oito horas, preparativa para uma greve maior, conforme explicou o coordenador do Sindipetro em Minas Gerais:

— Essa paralisação de hoje é o início de uma greve que está sendo construída nacionalmente, que pretende parar todas as refinarias do país e as plataformas, e aí é importante ter a população do nosso lado. A greve não é por benefício nem por salário. É para que o governo deixe os petroleiros trabalhar. As refinarias estão trabalhando com carga baixa a mando do governo, para que os importadores tragam combustíveis mais caros para o país.

Bingo!

É isso que está acontecendo: com o dólar mais alto, o preço do produto sobe de acordo com a variação da moeda.

Com a refinaria trabalhando com menor capacidade, os custos de refino da Petrobras diminuem, e o lucro aumenta.

Resultado: essa política é boa para que tem ações da empresa — os dividendos podem aumentar e as ações podem subir.

O que atrapalhou esse plano foi a paralisação, porque obrigou a Petrobras a reduzir o preço do diesel, ainda que temporariamente.

As ações caíram — mas logo voltam a subir, pode apostar.

Quem vai cobrir o prejuízo por esse modelo perverso de gestão do petróleo no Brasil é o pobre.

No final, ele é quem vai pagar a conta, porque o governo se comprometeu a subsidiar o preço do produto.

Para fazer isso, terá que mudar o orçamento.

Sairá dinheiro de uma área e irá para outra. E, em situações assim, quem perde é a saúde, a educação, a assistência social e, se conseguirem mudar a Constituição, a Previdência.

São os setores que não têm lobby no governo.

Quem defende uma política que inclua o pobre no orçamento é o PT e os partidos de esquerda. Entende agora por que seus líderes estão sendo presos?

É nesse ponto que assume relevância a figura do juiz Sergio Moro.

Pedro Parente continuaria com sua empresa de gestão de fortunas ou como executivo de alguma multinacional, como a importadora e exportadora Bunge, se Moro não tivesse fornecido o argumento para destruir a economia brasileira, com a farsa do maior escândalo de corrupção na história da Via Láctea encontrado na Petrobras.

A atuação dele direta nos negócios do governo terminou em 2003 (quando Lula assumiu), depois de gerir o Ministério das Minas e Energia, no período em que houve racionamento de energia.

Com a mudança de governo, Pedro Parente foi chamado para tomar conta da Petrobras, justo ele que era chamado de “ministro do apagão”.

Sem Moro, não existiria Parente na Petrobras. Sem a Petrobras sob gestão de Parente, certamente Moro não seria homenageado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos como Personalidade do Ano.

É por razões como esta que a eleição de outubro se tornou a mais importante da história do Brasil.

Só o eleitor pode dar um basta nesta política que não atende aos interesses dos brasileiros.

Muitos paneleiros continuarão ligados no que diz a Globo, como robôs, mas ainda há uma parcela que pode se libertar.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Afinal, quem é Ciro Gomes?

OBS: Ciro Gomes é uma figura estranha. Favorito das forças progressistas após a prisão de Lula, o ex-tucano mostra ainda estar amarrado ao cordão umbilical de quem o gerou. Muitos esquerdistas como Paulo Henrique Amorim, Miguel do Rosário e Leonardo Stoppa, por boa fé, ainda confiam em Ciro e acusam o real direitismo do candidato do PDT resultado de uma boataria criada por grupos de extrema direita. 

Mas há muitos indícios, dignos de comprovação, de que Ciro é um direitista, entre eles o respeitoso silêncio da grande mídia em relação a ele, os projetos neoliberais de seu programa de governo e a possibilidade de ter o mega-empresário golpista Benjamin Steinbruch como vice. Não estamos aqui afirmando nada, mas Ciro é uma figura que merece ser analisada antes de qualquer coisa. Não dá para amá-lo, nem odiá-lo, apenas vigiá-lo. Na hora certa saberemos de que lado ele realmente está.

Afinal, quem é Ciro Gomes?

Carlos D'Incao - Blog Esquerda Caviar

Está na hora de colocarmos um ponto final na questão de quem é, do que representa e do que fazer com a candidatura de Ciro Gomes. Um vacilo nas atuais circunstâncias pode ser decisivo para a esquerda e representar um retrocesso histórico para a classe trabalhadora, de dimensões apocalípticas.

Ciro Gomes é da direita. Não tenhamos nem um pingo de dúvidas sobre isso. Seu passado o denuncia e seu presente o confirma como um expoente desse campo.

Quem poderia achar o contrário de alguém que já foi do ARENA (PDS), do PMDB, do PSDB, do PPS, do PROS (partido que hoje declara apoio a Bolsonaro) e que hoje está no PDT que não é nem sombra daquilo que já foi na era brizolista?

Como alguém que apoiou em 2010 a pré-candidatura de Aécio Neves, lhe rasgando a seda como se o mesmo fosse - junto com o PSDB - “o presidente que iria unir os homens e mulheres de bem em nosso país”, pode hoje ser considerado de centro-esquerda?

Alguns, corretamente devem lembrar: Ciro foi também ministro de Lula na composição do Presidencialismo de coalisão. Assim como foi Michel Temer. Mas é preciso saber fazer uma distinção lúcida dos fatos.

Uma coisa é você fazer parte das forças progressistas e ser obrigado a estabelecer uma aliança com setores reacionários para tentar impôr uma agenda progressista para o país.
Outra coisa é você ser a parte reacionária dessa aliança, montar uma quadrilha, se unir com o grande capital e agora dizer que a esquerda deveria se submeter a essa aliança.

Avancemos mais: Ciro Gomes, embora tenha criticado o processo judicial que condenou Lula, não acredita que as decisões desses tribunais foi um golpe que pretende sepultar a esperança de se reverter as famigeradas reformas ultra-neoliberais que assolam o país. Nem mesmo reconhece que há uma flagrante fraude no processo eleitoral, ao tentar retirar o candidato favorito do pleito (Lula), mesmo ele sendo inocente.

Ciro Gomes atuou, ao longo do processo golpista contra Dilma, apostando no óbvio fiasco das reformas ultra-neoliberais que estavam por vir e que rapidamente se tornariam impopulares. Sempre com os olhos em 2018, falou duro contra a direita golpista, encantando setores inocentes da esquerda. Mas nunca deixou de fazer veementes críticas ao PT e à Dilma, colocando nas vítimas o ônus do crime cometido contra elas.

Atualmente Ciro avalia que não restam mais dúvidas de que Lula não será mais candidato e... resolveu iniciar sua traição programada.

Em primeiro lugar vai aumentar o tom da retórica de que as eleições sem Lula não são uma fraude e de que “ninguém é dono dos eleitores”. Irá aprofundar diálogos com os candidatos da esquerda e já possui de prontidão um exército de cabos eleitorais para militar nas redes sociais.

Esses cabos eleitorais - muito bem pagos - estão infiltrados especialmente nos grupos de esquerda, e estão sempre atentos para defender Ciro, sua suposta brilhante gestão no distante Ceará da década de 90 e que - apesar de todas as evidências - ele é sim um candidato de “centro-esquerda” e o único capaz de vencer a direita.

Nos bastidores, Ciro recebe dinheiro dos banqueiros, defende a continuidade de uma agenda ultra-neoliberal, apoia a reforma da Previdência, se porta como legítimo defensor dos interesses do mercado e com grande eloquência repete os ditames dos economistas liberais neokeynesianos.

Recentemente ganhou a simpatia e o apoio da grande imprensa e nas próximas semanas começará a tomar os holofotes dos grandes canais de comunicação.

Sua meta é legitimar a fraude das eleições de 2018, dividir o “legado” de Lula (a operação abutre) e criar a ponte para a meta final da direita e do grande capital nacional e internacional, qual seja, destruir o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais organizados no Brasil.

A perversidade de Ciro Gomes se materializa no fato de que ele é o único candidato que se porta como uma opção da esquerda, da centro-esquerda, da centro-direita e da direita. E pior: ele é um candidato muito inteligente e muito bem preparado, o que o torna um inimigo de altíssima periculosidade.

Caso tenha sucesso e se eleja presidente, sua traição programada se concluirá com adendos fundamentais: Ciro Gomes é também uma pessoa arrogante, destemperada e autoritária. Além da continuidade de uma agenda ultra-neoliberal, ele atacará com violência política e militar a esquerda brasileira e os movimentos sociais. Por fim, caberá a ele ser o coveiro do Presidencialismo e o implementador da trava oligárquica do Parlamentarismo.

Para os espectadores que não observam as águas mais profundas da política brasileira, ver Manuela d’Àvila e Guilherme Boulos conversando com Ciro apenas o credencia como uma opção do pólo progressista.

Aqui não há inocência. Caso o PC do B caminhe nessa direção, será mais um partido de esquerda que traiu a classe trabalhadora em troca das moedas de Judas (como fez fartamente nas eleições municipais de 2016, quando em muitas e grandes cidades fez alianças com o DEM e com o PSDB).

O mesmo vale para o PSOL, embora o significado de Ciro Gomes seja mais claro para as suas lideranças, com a óbvia exceção do grupo da Luciana Genro (que ainda acredita que o Estado Islâmico é um braço libertário do Oriente Médio).

Não podemos errar nesse momento: a única opção da esquerda é se unir ao Partido dos Trabalhadores, que possui a hegemonia dos movimentos sociais e é o partido mais popular e com a maior bancada no Congresso Nacional.

Fingir que tudo isso não existe e que um eventual impedimento da candidatura de Lula abre o campo para alianças sem a liderança do maior partido da esquerda é fazer exatamente o jogo da direita.

Caso a esquerda tenha que caminhar sozinha em uma candidatura do Partido dos Trabalhadores que assim seja e que venha a servir para denunciar a farsa dessas eleições.

A História irá contemplar aqueles que não viraram as costas ao povo brasileiro em um momento tão grave e tão nebuloso. Mas que nesse caminho sejam também apontados todos os traidores da classe trabalhadora, a começar pelo mais perverso e perigoso inimigo, forjado nas mais sujas alcovas da direita brasileira: Ciro Gomes.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Quem se importa com Lula?

OBS: Este texto excelente escrito por Wanderley Guilherme dos Santos é de uma maturidade ímpar que não se vê em boa parte da esquerda, iludida com seu otimismo exacerbado. Esquece a esquerda que o sistema é todo controlado pela direita. Como nossos progressistas não são nada revolucionários, querendo apenas um lugar ao sol no mundo capitalista, com as regras impostas pelas forças direitistas, acho melhor que a esquerda abra os olhos e perceba que o caminho para o Eldorado é muito mais difícil do que se imagina. Como diz Wanderley: sem Lula, a vitória é impossível e com Lula, a derrota é possível. Senão provável.

Quem se importa com Lula?

Por Wanderley Guilherme dos Santos - Publicado em O Cafezinho

A direita festejou a retumbante derrota do PT nas eleições municipais de 2016. À esquerda, volta e meia vítima de lavagem cerebral, líderes e porta vozes autorizados ou não deram início a desencontrada autocrítica. Como de hábito, o que começa como autocrítica termina em busca de bodes expiatórios. A perseguição da Lava-Jato (inegável) e a covarde difamação de Dilma Rousseff, incompetente, segundo líderes do PT, explicavam os alegados desastrosos resultados eleitorais. Só que não foi bem assim. A fragilidade dos analistas do partido os torna presa regular do noticiário conservador, daí a frequente adoção de estratégias incoerentes, em luta diária contra as manchetes do Jornal Nacional e os editoriais da Folha de São Paulo. Neste particular, operam como inocentes úteis da direita.

Há uma associação bastante sólida entre número de candidatos apresentados pelos partidos e a probabilidade de vitórias: quanto maior o número de candidatos, maior a proporção de vitórias conquistadas. A associação não vale, obviamente, para partidos concorrendo com um ou dois candidatos, coligados a partidos grandes, e que, beneficiados pelo sistema proporcional adotado, obtêm 100% de aproveitamento.

Na disputa pelas prefeituras, em 2016, o Partido dos Trabalhadores perdeu algo mais do que 50% das cadeiras conquistadas em 2012. Este foi um dos resultados que levou a direita às gargalhadas e lideranças da esquerda a espargir cinzas pelas cabeças alheias. Em grande parte, contudo, a perda se explica por correspondente fuga à competição. Em 2016, o PT registrou 1004 candidatos prefeitos contra os 1799 registrados em 2012, ou seja, uma redução de 44% na lista de concorrentes. A sangria na mobilização de competidores, esta sim, teve impacto desastroso no desempenho do partido.

O mesmo ocorreu na disputa pelas vereanças. Em 2016, o Partido dos Trabalhadores concorreu com uma absurda redução de 45% no número de candidatos, em comparação com 2012. Não deu outra: conseguiu, em 2016, menos 46% de vitórias das conquistadas em 2012. Não há comprovação de que o eleitorado petista tenha rejeitado o partido. O PT perdeu o que sua liderança pediu para perder.

Ser pautado pela direita significa ou ficar intimidado por ela – o que ocorreu em 2016 – ou tomar decisões embirradas com a propaganda midiática. Antes de se arriscar a resultados catastróficos em 2018, seria de toda conveniência que alguns exaltados ou compreensivelmente emocionados com a real perseguição ao partido e ao seu grande líder, fossem capazes de separar a solidariedade que não lhes tem faltado por todas as fatias do bolo à esquerda, da necessidade crucial de formular a estratégia com maior probabilidade de sucesso em outubro próximo. Essa decisão requer abertura negociada em torno de programas de governo. Os nomes surgirão naturalmente de um acordo de tal tipo.

Há uma reflexão à qual ninguém, no lado da esquerda, deveria fugir: é absolutamente certo que sem o apoio de Lula, uma vitória da centro-esquerda ficaria seriamente ameaçada; porém, dependendo do candidato, mesmo com o apoio de Lula, a vitória também será improvável. Dedicados petistas, fora dos dogmáticos discriminadores, não têm censura mental e podem admitir que, sem Lula é impossível ganhar, mas com Lula é possível perder. Em qualquer dos dois casos, a vítima maior será o próprio Lula, que está preso e, por enquanto, condenado. Os estrategistas do ou Lula ou nada continuarão soltos.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

As drogas e o problema de sua liberação

Criou-se um consenso nas esquerdas brasileiras de que deve se descriminalizar as drogas e deixar o consumo rolar livremente - quando não estimulado, como defendem alguns esquerdistas. Quanto a descriminalização, nossa equipe é totalmente a favor, pois o consumo de drogas é assunto de saúde e nada tem a ver com moral. Quanto a respeitar e estimular o consumo, somos contra.

Um membro de nossa equipe leu em um site de esquerda, normalmente sensato, um texto dizendo que era um erro acreditar que desestimulando o consumo acabaria com o tráfico criminoso e a violência decorrente dele. 

Achamos estranho, pois a lógica mostra que a razão de ser do tráfico é a existência de consumidores. O texto claramente defendia o respeito a quem quer se entupir de substância nocivas a própria saúde. Para as esquerdas, ficar doente virou um direito.

Em conversa que tivemos antes que um de nós escrevesse este texto, analisamos este ponto de vista, imaginando a hipótese deste consenso esquerdista está correto. Não está. Claro que prender consumidores e pequenos traficantes (que não estão nessa porque querem, bom lembrar, mas por falta de alternativa de emprego razoavelmente remunerado) é um erro. 

Drogas representam um problema ligado a saúde. Temos que insistir com isso, pois o senso comum consagrou o problema das drogas como moral e punível através da truculência policial. Mesmo a esquerda que defende o consumo acredita neste mito da droga como problema moral, o que faz com que defendam o respeito ao consumo, fazendo com as drogas ilícitas o que já é feito com o álcool e o cigarro, que matam lentamente milhões de pessoas a cada ano.

O nosso medo é que com a liberação das drogas, passe a surgir uma espécie de Ambev ou Souza Cruz do 'loló", com o consumo liberado, e consequentemente aumentado, causando inúmeras mortes. As drogas, mesmo não matando, causam danos cerebrais que podem tornar a já alienada população brasileira, cuja maioria tem discernimento e senso críticos um tanto atrofiados (se fossem fortes, brasileiros seriam muito mais combativos) ainda mais divorciada do mundo real.

Lembrando que legalizadas, industrias de álccol, de cigarros e de medicamentos, continuam a aprontar suas traquinagens. Agindo dentro da lei, elas não chegam a estimular a violência como a conhecemos. Mas elas praticam outros tipos de violência tão ou mais cruéis, como fazer governos agirem a favor delas e contra a população, manipulando leis e derrubando governos que ajam a favor da população.

O ideal mesmo seria desestimular o consumo, por mais anti-democrático que seja. Ter danos físico-mentais não é direito de ninguém e precisamos criar meios que façam o consumo de drogas ser malvisto pela sociedade. 

Até agora, o consumo traz uma falsa aura de alegria, de liberdade e até de sofisticação em alguns casos. Quem consome se sente mais socialmente incluído e mais relaxado, embora os efeitos colaterais não demorem muito para aparecer e com o tempo, o copo vai se deteriorando, acelerando o processo de envelhecimento.

É bom todos pensarmos sobre isso. Sem o consumo de drogas teremos mais saúde, mais ar puro e menos violências. A droga que você deixa de consumir traz uma série de benefícios que podem ajudar e muito a eliminar outros problemas na sociedade. Quem sabe passemos a pensar melhor, a amar mais e a criar soluções que beneficiem a todos, não a uma classe específica, seja ela qual for.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Porque direitistas nunca se assumem como tais


A Direita tem orgulho de sua ideologia gananciosa e conservadora. Mas tem vergonha de seu rótulo. São muitos os direitistas que fingem não ser direitistas e alguns até se rotulam de "esquerdistas" por não saber o que é ser "de esquerda" ou para angariar confiança popular. 


Em geral, direitistas preferem se auto-rotular de "centro", como se estivessem em prol do bem estar de todos, o que é falso. Direitistas são muito seletivos. Mas apesar de não desejarem bem estar de todos, querem extrair de todos os benefícios que garantem seus privilégios.

Na verdade, direitistas, apesar de serem fiéis a uma ideologia que protege os privilégios dos mais ricos e a manutenção do status quo e das regras do sistema econômico-social vigente, sabem muito bem que o apoio da população também contribui para a manutenção destes aspectos, que é o verdadeiro interesse de quem segue uma ideologia direitista.

Mas para angariar a confiança de outras pessoas, é importante não se assumir ganancioso e retrógrado. Ganância e a recusa ao progresso são valores considerados negativos e espantam apoio popular. Ninguém apoia quem se assume ganancioso e retrógrado. Mesmo que a ganância e a defesa de ideais antiquados seja necessária ao direitista, ele precisa assumir uma postura oposta para que as pessoas que o irão beneficiar se aproximem e lhe favoreçam.

Por isso que os direitistas nunca se assumem como tais. Ser de direita é dizer para todos: "EU SOU GANANCIOSO E RETRÓGRADO!". Mas como abrir mão da ganância e de ideais antiquados significaria perda de bens, direitos e privilégios, a ganância e o conservadorismo tem que ser mantidos, mas sem rótulos, para que os interesses de direitistas sejam mantidos sem que estes se isolem das pessoas que irão lhes beneficiar. Ou seja, se assumir ganancioso soa tão ruim para o direitista quanto repartir renda e direitos.

Por isso que os direitistas odeiam o seu rótulo. Ideologicamente, ser de direita é muito bom para direitistas. Desde que você não os chame de direitistas.