terça-feira, 8 de maio de 2018

Quem se importa com Lula?

OBS: Este texto excelente escrito por Wanderley Guilherme dos Santos é de uma maturidade ímpar que não se vê em boa parte da esquerda, iludida com seu otimismo exacerbado. Esquece a esquerda que o sistema é todo controlado pela direita. Como nossos progressistas não são nada revolucionários, querendo apenas um lugar ao sol no mundo capitalista, com as regras impostas pelas forças direitistas, acho melhor que a esquerda abra os olhos e perceba que o caminho para o Eldorado é muito mais difícil do que se imagina. Como diz Wanderley: sem Lula, a vitória é impossível e com Lula, a derrota é possível. Senão provável.

Quem se importa com Lula?

Por Wanderley Guilherme dos Santos - Publicado em O Cafezinho

A direita festejou a retumbante derrota do PT nas eleições municipais de 2016. À esquerda, volta e meia vítima de lavagem cerebral, líderes e porta vozes autorizados ou não deram início a desencontrada autocrítica. Como de hábito, o que começa como autocrítica termina em busca de bodes expiatórios. A perseguição da Lava-Jato (inegável) e a covarde difamação de Dilma Rousseff, incompetente, segundo líderes do PT, explicavam os alegados desastrosos resultados eleitorais. Só que não foi bem assim. A fragilidade dos analistas do partido os torna presa regular do noticiário conservador, daí a frequente adoção de estratégias incoerentes, em luta diária contra as manchetes do Jornal Nacional e os editoriais da Folha de São Paulo. Neste particular, operam como inocentes úteis da direita.

Há uma associação bastante sólida entre número de candidatos apresentados pelos partidos e a probabilidade de vitórias: quanto maior o número de candidatos, maior a proporção de vitórias conquistadas. A associação não vale, obviamente, para partidos concorrendo com um ou dois candidatos, coligados a partidos grandes, e que, beneficiados pelo sistema proporcional adotado, obtêm 100% de aproveitamento.

Na disputa pelas prefeituras, em 2016, o Partido dos Trabalhadores perdeu algo mais do que 50% das cadeiras conquistadas em 2012. Este foi um dos resultados que levou a direita às gargalhadas e lideranças da esquerda a espargir cinzas pelas cabeças alheias. Em grande parte, contudo, a perda se explica por correspondente fuga à competição. Em 2016, o PT registrou 1004 candidatos prefeitos contra os 1799 registrados em 2012, ou seja, uma redução de 44% na lista de concorrentes. A sangria na mobilização de competidores, esta sim, teve impacto desastroso no desempenho do partido.

O mesmo ocorreu na disputa pelas vereanças. Em 2016, o Partido dos Trabalhadores concorreu com uma absurda redução de 45% no número de candidatos, em comparação com 2012. Não deu outra: conseguiu, em 2016, menos 46% de vitórias das conquistadas em 2012. Não há comprovação de que o eleitorado petista tenha rejeitado o partido. O PT perdeu o que sua liderança pediu para perder.

Ser pautado pela direita significa ou ficar intimidado por ela – o que ocorreu em 2016 – ou tomar decisões embirradas com a propaganda midiática. Antes de se arriscar a resultados catastróficos em 2018, seria de toda conveniência que alguns exaltados ou compreensivelmente emocionados com a real perseguição ao partido e ao seu grande líder, fossem capazes de separar a solidariedade que não lhes tem faltado por todas as fatias do bolo à esquerda, da necessidade crucial de formular a estratégia com maior probabilidade de sucesso em outubro próximo. Essa decisão requer abertura negociada em torno de programas de governo. Os nomes surgirão naturalmente de um acordo de tal tipo.

Há uma reflexão à qual ninguém, no lado da esquerda, deveria fugir: é absolutamente certo que sem o apoio de Lula, uma vitória da centro-esquerda ficaria seriamente ameaçada; porém, dependendo do candidato, mesmo com o apoio de Lula, a vitória também será improvável. Dedicados petistas, fora dos dogmáticos discriminadores, não têm censura mental e podem admitir que, sem Lula é impossível ganhar, mas com Lula é possível perder. Em qualquer dos dois casos, a vítima maior será o próprio Lula, que está preso e, por enquanto, condenado. Os estrategistas do ou Lula ou nada continuarão soltos.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

As drogas e o problema de sua liberação

Criou-se um consenso nas esquerdas brasileiras de que deve se descriminalizar as drogas e deixar o consumo rolar livremente - quando não estimulado, como defendem alguns esquerdistas. Quanto a descriminalização, nossa equipe é totalmente a favor, pois o consumo de drogas é assunto de saúde e nada tem a ver com moral. Quanto a respeitar e estimular o consumo, somos contra.

Um membro de nossa equipe leu em um site de esquerda, normalmente sensato, um texto dizendo que era um erro acreditar que desestimulando o consumo acabaria com o tráfico criminoso e a violência decorrente dele. 

Achamos estranho, pois a lógica mostra que a razão de ser do tráfico é a existência de consumidores. O texto claramente defendia o respeito a quem quer se entupir de substância nocivas a própria saúde. Para as esquerdas, ficar doente virou um direito.

Em conversa que tivemos antes que um de nós escrevesse este texto, analisamos este ponto de vista, imaginando a hipótese deste consenso esquerdista está correto. Não está. Claro que prender consumidores e pequenos traficantes (que não estão nessa porque querem, bom lembrar, mas por falta de alternativa de emprego razoavelmente remunerado) é um erro. 

Drogas representam um problema ligado a saúde. Temos que insistir com isso, pois o senso comum consagrou o problema das drogas como moral e punível através da truculência policial. Mesmo a esquerda que defende o consumo acredita neste mito da droga como problema moral, o que faz com que defendam o respeito ao consumo, fazendo com as drogas ilícitas o que já é feito com o álcool e o cigarro, que matam lentamente milhões de pessoas a cada ano.

O nosso medo é que com a liberação das drogas, passe a surgir uma espécie de Ambev ou Souza Cruz do 'loló", com o consumo liberado, e consequentemente aumentado, causando inúmeras mortes. As drogas, mesmo não matando, causam danos cerebrais que podem tornar a já alienada população brasileira, cuja maioria tem discernimento e senso críticos um tanto atrofiados (se fossem fortes, brasileiros seriam muito mais combativos) ainda mais divorciada do mundo real.

Lembrando que legalizadas, industrias de álccol, de cigarros e de medicamentos, continuam a aprontar suas traquinagens. Agindo dentro da lei, elas não chegam a estimular a violência como a conhecemos. Mas elas praticam outros tipos de violência tão ou mais cruéis, como fazer governos agirem a favor delas e contra a população, manipulando leis e derrubando governos que ajam a favor da população.

O ideal mesmo seria desestimular o consumo, por mais anti-democrático que seja. Ter danos físico-mentais não é direito de ninguém e precisamos criar meios que façam o consumo de drogas ser malvisto pela sociedade. 

Até agora, o consumo traz uma falsa aura de alegria, de liberdade e até de sofisticação em alguns casos. Quem consome se sente mais socialmente incluído e mais relaxado, embora os efeitos colaterais não demorem muito para aparecer e com o tempo, o copo vai se deteriorando, acelerando o processo de envelhecimento.

É bom todos pensarmos sobre isso. Sem o consumo de drogas teremos mais saúde, mais ar puro e menos violências. A droga que você deixa de consumir traz uma série de benefícios que podem ajudar e muito a eliminar outros problemas na sociedade. Quem sabe passemos a pensar melhor, a amar mais e a criar soluções que beneficiem a todos, não a uma classe específica, seja ela qual for.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Porque direitistas nunca se assumem como tais


A Direita tem orgulho de sua ideologia gananciosa e conservadora. Mas tem vergonha de seu rótulo. São muitos os direitistas que fingem não ser direitistas e alguns até se rotulam de "esquerdistas" por não saber o que é ser "de esquerda" ou para angariar confiança popular. 


Em geral, direitistas preferem se auto-rotular de "centro", como se estivessem em prol do bem estar de todos, o que é falso. Direitistas são muito seletivos. Mas apesar de não desejarem bem estar de todos, querem extrair de todos os benefícios que garantem seus privilégios.

Na verdade, direitistas, apesar de serem fiéis a uma ideologia que protege os privilégios dos mais ricos e a manutenção do status quo e das regras do sistema econômico-social vigente, sabem muito bem que o apoio da população também contribui para a manutenção destes aspectos, que é o verdadeiro interesse de quem segue uma ideologia direitista.

Mas para angariar a confiança de outras pessoas, é importante não se assumir ganancioso e retrógrado. Ganância e a recusa ao progresso são valores considerados negativos e espantam apoio popular. Ninguém apoia quem se assume ganancioso e retrógrado. Mesmo que a ganância e a defesa de ideais antiquados seja necessária ao direitista, ele precisa assumir uma postura oposta para que as pessoas que o irão beneficiar se aproximem e lhe favoreçam.

Por isso que os direitistas nunca se assumem como tais. Ser de direita é dizer para todos: "EU SOU GANANCIOSO E RETRÓGRADO!". Mas como abrir mão da ganância e de ideais antiquados significaria perda de bens, direitos e privilégios, a ganância e o conservadorismo tem que ser mantidos, mas sem rótulos, para que os interesses de direitistas sejam mantidos sem que estes se isolem das pessoas que irão lhes beneficiar. Ou seja, se assumir ganancioso soa tão ruim para o direitista quanto repartir renda e direitos.

Por isso que os direitistas odeiam o seu rótulo. Ideologicamente, ser de direita é muito bom para direitistas. Desde que você não os chame de direitistas.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Jessé Souza: O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

OBS: O grande intelectual Jessé Souza, autor do brilhante livro A Elite do Atraso, que desmonta toda a farsa vendida em muitos livros de História do passado, escreveu este maravilhoso texto que merece ser lido e relido. Realmente as nossas elites gananciosas são metidas em falar grosso contra o povo brasileiro, mas mia feio gatinho diante dos imperialistas, esperando obter destes algum favorecimento.

O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

Jessé Souza — publicado na Carta Capital

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé nem ser especialmente tolo para defender os interesses dos EUA como se fossem seus.

Toda ideologia científica, criada para legitimar os interesses dos poderosos, precisa ter um grão de verdade para produzir uma mentira social convincente.

Assim, a ideologia científica da supremacia moral norte-americana nasce da tese de que o pioneiro protestante ascético criou uma sociedade igualitária de classe média, formada por pequenos empresários familiares no campo e na cidade, baseada na disciplina do trabalho duro, na política controlada pelo cidadão e na honestidade das relações interpessoais e contratuais. Até a Guerra Civil e 1861/1865, essa sociedade do pequeno empresário tinha seu grão de verdade.

Os Estados Unidos que nascem da guerra civil não têm, no entanto, mais nada a ver com esse passado mítico. O pequeno empresário perde qualquer importância econômica para os grandes monopólios econômicos,  que passam a dirigir de cima uma política cada vez mais corrompida para atender seus interesses.

Propaganda e indústria cultural manipulativa criam uma esfera pública colonizada pelo dinheiro onde o consumismo substitui a participação politica comunitária.

 A riqueza se concentra em poucas mãos e o assalto às riquezas de outros países, como em todo império, é usada para distribuir uma parte do butim para o próprio povo de modo a comprar solidariedade interna. Não obstante, a ideologia cientifica e cultural do “self made man”, do empresário trabalhador e honesto, é, até hoje, a imagem central da “ideologia americana”, para dentro e para fora da nação.

A elite de proprietários brasileiros, assim que termina a escravidão, procura e constrói uma ideologia cientifica que é o espelho invertido da americana para se apresentar como imagem do progresso: se não temos aqui o império do empresário diligente, honesto e trabalhador é apenas porque uma elite atrasada tomou o Estado e a política para seu interesse próprio.

Que nunca tenha existido aqui o “farmer” americano, mas o latifundiário ladrão de terras e assassino de gente, que se muda para a cidade para assaltar, agora, o orçamento do Estado e a sociedade como um todo, não parece perturbar ninguém.

A ideologia norte-americana ajuda a legitimar aqui o mercado da rapina sem freios sobre a população intelectualmente indefesa, produto de uma imprensa venal, que estigmatiza o Estado e a política para torná-los instrumentos dóceis do saque legalizado dos donos do mercado.

É apenas porque o mito nacional dos EUA travestido de ciência é reproduzido aqui na sua versão “vira-lata”, do inferiorizado moralmente, que a “informal” e ilegal “cooperação” entre o Departamento de Justiça americano e a Lava Jato pode se mostrar de público e sem nenhum disfarce.

O procurador Kenneth Blanco, do Departamento de Justiça dos EUA, elogiou, de público, sem qualquer pudor ou vergonha, a “íntima” cooperação com a Lava Jato, que permitiu ações ágeis e rápidas “fora dos procedimentos oficiais” por conta do relacionamento de “confiança individual” entre as equipes.

Que o país de uns tenha ficado mais rico e o país dos outros muito mais pobre, parece ser um mero efeito colateral sem importância. 

Em um contexto como este, onde a raposa e a galinha pensam o mundo e compartilham as mesmas ilusões, não se precisa sequer “pagar por fora”, em paraísos fiscais, aos procuradores e juízes envolvidos pelo serviço tão bem feito de acabar com as grandes empresas brasileiras, que eram o suporte de uma inserção internacional autônoma, via Brics, odiado pelos EUA.

Assim, acabar com 1,5 milhão de empregos e com a economia de vanguarda brasileira pode ser vendido como um acordo entre “gentlemen” interessados que a lei prevaleça e que a corrupção, claro, só do país atrasado, seja combatida.

Que os americanos façam muito diferente em casa, que as firmas corruptas sejam protegidas por “acordos secretos” com as autoridades administrativas, para proteger os empregos e os interesses americanos, como mostrado pela insuspeita The Economist  em agosto de 2014, também não parece preocupar ninguém.

Enquanto os funcionários norte-americanos são formados dentro de uma geopolítica e de uma ideologia científica centenária de um império que defende com unhas e dentes seus interesses, os nossos procuradores, juízes, generais e economistas só conhecem, quando muito, seu campo muito específico de ação. São vítimas da geopolítica do “vira-lata” e são perpassados por sentimentos de inferioridade aprendidos na escola, na mídia e nas universidades.

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé, nem ser especialmente tolo, para defender os interesses norte-americanos como se fossem os seus. Basta ter nascido brasileiro e aprendido na escola e na mídia a ser um vira-lata obediente.   

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O Grande Vencedor

OBS: O jornalista Mauro Santayana escreveu este maravilhoso texto em seu blog. Decidi publicá-lo aqui também, recomendando aos leitores que visitem o blog do jornalista, que tem muita informação e textos importantes para serem lidos. Parabéns, Santayana, seu tecto é belíssimo. Falou tudo.

O Grande Vencedor

Mauro Santayana, em seu blog oficial

A cada vez que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível... .  

A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles... 

A cada vez que alguém disser que o Brasil está quebrado por incompetência de governos anteriores quando somos o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, temos 380 bilhões de dólares - mais de 1 trilhão e 200 bilhões de reais - em reservas internacionais, o BNDES está pagando antecipadamente 230 bilhões de reais ao Tesouro e a divida bruta e líquida públicas são menores do que eram em 2002 com relação ao PIB...    

A cada vez que alguém gritar que temos que entregar o pré-sal, a PETROBRAS, a EMBRAER, a ELETROBRAS e a Amazônia para os EUA porque somos ladrões e incompetentes para cuidar do que é nosso, como se o governo e as empresas norte-americanas fossem um impoluto poço de honestidade e moralismo e até o genro do Rei da Espanha não tivesse sido  apanhado em cabide de emprego da Vivo depois que esta veio para o Brasil aproveitando a nefasta privatização da Telebras, feita por gente que depois ocupou aqui a Presidência dessa empresa espanhola...

A cada vez que alguém defender raivosamente o livre comércio quando o EXIMBANK e a OPIC norte-americanos emprestam mais dinheiro público que o BNDES no apoio a exportações  e Trump adota sobretaxas contra a importação de aço e aluminio brasileiros e para vender aviões ao governo dos EUA a EMBRAER é obrigada a instalar primeiro com participação minoritária uma fábrica nos Estados Unidos... 

A cada vez que alguém vangloriar o estado mínimo, quando os EUA - que está mais endividado que o Brasil - está programando investir mais de um trilhão de dólares de dinheiro público em  obras de infraestrutura para reativar a economia, tem apenas no Departamento de Defesa mais funcionários federais que todo o governo brasileiro e todo mundo - principalmente a China -  sabe que não existem naçõoes fortes sem estados fortes, ou sem empresas nacionais privadas ou estatais poderosas que é preciso preservar e defender...   

A cada vez que alguém defender a volta de militares golpistas ao poder - porque milhares de militares legalistas foram contra o golpe de 1964 e foram perseguidos depois por defender a Constituição e a Democracia - abrindo mão de votar e suspirar e sentir o cabelo da nuca arrepiar quando vir um reco passar por perto...

A cada vez que alguém afirmar que em 1964 não houve um golpe contra um Presidente eleito, consagrado pelo apoio popular, poucas semanas antes, em um plebiscito amplamente vitorioso...

A cada vez que alguém defender a tortura e a volta dos assassinatos da ditadura, sabendo que em um regime de exceção ninguém está a salvo do guarda da esquina, como aprenderam golpistas que desfilaram pedindo o golpe de 1964 e depois tiveram filhos e parentes assassinados ou torturados pela repressão... 

A cada vez que alguém achar normal - desde que não seja seu parente - que, sem flagrante, uma pessoa possa ser levada para depor pela polícia sem ter sido antes previamente intimada a depor pela justiça...    

A cada vez que informações sigilosas de inquéritos em andamento forem vazadas propositalmente por quem deveria preservar o sigilo de justiça, para determinadas e particulares emissoras de televisão...    

A cada vez que alguém aceitar que um cidadão pode ser acusado,  condenado e encarcerado sem provas e apenas pela palavra de um investigado preso que teve muitas vezes sua prisão  sucessiva imoralmente prorrogada, disposto a tudo para sair da cadeia a qualquer preço...

A cada vez que alguém achar que algum cidadão pode ser acusado de ser dono de alguma propriedade sem nunca ter tomado posse dela ou sequer possuir uma escritura que prove que  é sua...

A cada vez que alguém acreditar que um apartamento fuleiro que vale menos de um milhão de reais pode ter servido de propina para comprar a dignidade de alguém que comandou durante oito anos uma das maiores economias do mundo...

A cada vez que alguém soltar foguetes por motivos políticos, celebrando sua própria ignorância e imbecilidade...

A cada vez que alguém aceitar promulgar leis inconstitucionais para ceder à pressão dos adversários adotando um  republicanismo pueril e imaturo...

A cada vez que a lei aceitar tratar de forma diferente - ou igualmente injusta e ilegal - aqueles que são iguais... 

A cada vez que um juiz ou procurador emitir - sem estar a isso constitucionalmente autorizado - uma opinião política...

A cada vez que juízes ou procuradores falarem em fazer greve para defender benesses como auxílio-moradia quando já ganham muitas vezes - também de forma imoral - perto ou mais de 100.000,00 reais, muito acima, portanto, do limite constitucional vigente, que é o salário de ministros do STF... 

A cada vez que alguém defender que "bandido bom é bandido morto" até algum parente se envolver em um incidente de trânsito ou em uma discussão de condomínio com algum agente prisional, guarda municipal ou agente de polícia...

A cada vez que alguém comemorar a morte de alguém por ele ser supostamente "comunista", ou negro, viciado, gay ou da periferia...

A cada vez que alguém ache normal - e com isso vibre - que candidatos defendam o excludente automático de ilicitude para agentes de segurança pública que matem "em serviço", em um país em que a polícia já é a que mais mata no mundo...

A cada vez que alguém achar que só ele tem o direito ou, pior, a exclusividade de usar os símbolos nacionais e o verde e amarelo - que pertencem a todos os brasileiros...

A cada vez que um ministro da Suprema Corte se calar quando for insultado publicamente por juízes e procuradores ou por um energúmeno qualquer nas redes sociais...

A cada vez que alguém acreditar que água de torneira - abençoada por um sujeito na tela da televisão -  cura o câncer, que a terra é plana, ou que Hitler - obrigado a suicidar-se durante a Batalha de Berlim pelo cerco das tropas soviéticas - era socialista... 

A cada vez que alguém achar que é normal que institutos de certos ex-presidentes tenham ganho milhões com a realização de palestras de um certo ex-presidente e outros institutos de outros ex-presidentes tenham de ser multados em todo o dinheiro ganho por palestras de outro ex-presidente...

A cada vez que alguém ache normal que alguém vá para a cadeia por não ter comprado um apartamento e outros sequer sejam investigados por ter comprado várias outras propriedades imobiliárias por preços abaixo do mercado...     

A cada vez que uma emissora de televisão, pratique, nas barbas do TSE, impune e disfarçadamente, política, “filtrando” e exibindo depoimentos “espontâneos” de cidadãos de todo o país, para defender subjetivamente suas próprias teses - ou aquelas que mais lhe agradem - em pleno ano eleitoral... 

A cada vez que alguém adotar descaradamente a chicana e  o casuísmo, impedindo que se cumpra a Constituição, porque está apostando na crise institucional e foi picado pela mosca azul quando estava sentado na principal cadeira do Palácio do Planalto…  

A cada vez que ministros do Supremo inventarem dialetos javaneses ou hermenêuticos lero-leros para justificar votos incompreensíveis e confusos que vão contra a Constituição e que a História não esquecerá nem absolverá...   

O Fascismo estará mais perto da vitória. 

E não perdoará, em sua orgia de ódio, violência e hipocrisia, nem mesmo aqueles que agora estão empenhados, por burrice, oportunismo ou covardia, em chocar o ovo da serpente e abrir-lhe o caminho para o triunfo.

terça-feira, 27 de março de 2018

Porque as esquerdas se recusam a enfatizar direitismo de José Padilha?

Todos já devem estar sabendo da tal série produzida para a Netflix brasileira inspirada na Lava Jato, "O Mecanismo", que mais parece uma refilmagem em forma de seriado do filme "Polícia Federal, a Lei é para todos (menos para os Tucanos)", criada e dirigida por José Padilha, diretor conhecido pela saga de filmes de pancadaria A Tropa de Elite.

Mas o que é estranho é ver esquerdistas revoltados com "O Mecanismo" se esquecendo das origens ideológicas de seu criador. José Padilha está sendo tratado como um vira-casaca, como se ele tivesse sido esquerdista antes, o que sinaliza a fata de informação das esquerdas sobre a figura responsável pela direção geral da série cheia de mentiras que favorecem a ideologia de direita.

Porque as esquerdas evitam a todo o custo apontar o dedo a José Padilha, da mesma forma que alguns "espíritas" de esquerda se recusaram a apontar o dedo para o ultra-reacionário Divaldo franco, pensando ser este o mais progressista dos esquerdistas? Parece que o sonho das esquerdas é converter direitistas simpáticos para virarem esquerdistas, obrigando a rever as suas posições retrógradas.

Nada disso. José Padilha sempre foi um direitista convicto. É membro atuante do Instituto Milenium, um dos mais ativos Think Tanks criados para o golpe de 2016. Criado por vários magnatas e jornalistas de direita como Pedro Bial, o instituto treinou jornalistas de direita a criarem de forma sutil e engenhosamente convincente, mentiras que difamassem as esquerdas para favorecer a subida de um direitista, capacho dos magnatas, no poder.


Tanto Bial quanto Padilha não aparecem na lista atual do instituto, embora estivessem como membros no site no passado. Embora conseguimos rastros da participação do cineasta no citado instituto (veja imagem acima). Parece que vários membros preferem dissociar seu nome do instituto, cujos membros incluem Rodrigo Constantino, Armínio Fraga, Gustavo Franco, etc caterva, para tentar convencer incautos sobre suposta imparcialidade ideológica. Mas no Brasil, país das oportunidades escassas, estar do lado dos mais fortes quase sempre é se tornar um.

Mas porque esquerdistas preferem passar uma pá de cal no direitismo de Padilha. Porque mesmo sabendo disso, evitam comentar ao máximo sobre este fato? Talvez algumas coisas possam explicar o silêncio das esquerdas quanto ao direitismo de Padilha, tratado como um "esquerdista traidor";

- A direção feita por Padilha para a saga de ação "Tropa de Elite", filmes muito apreciados pelos esquerdistas e tratados de forma equiparada (como se tivessem a mesma importância artística) a "Dolce Vita" de Fellini (??!!), por mais que lembrasse os filmes de Rambo;
- O fato de José Padilha ser amigo do esquerdista Wagner Moura, este um cara sensato que, apesar de convicto com sua ideologia, é um cara educado, elegante e que não cria inimizades, podendo muito bem ser amigo de direitistas;
- A força que José Padilha deu ao hoje hegemônico "funk" carioca, tratado com quase unanimidade pelas esquerdas que ignoram que o ritmo foi criado para ridicularizar os pobres e impedi-los de ser levados a sério pela sociedade em geral, na hora de reivindicarem seus direitos;
- A possibilidade grande de José Padilha ser patrocinado pelos mesmos magnatas que patrocinam várias forças de esquerda como o Mídia Ninja, o Fora do Eixo e o próprio PSol.

Estes fatores podem ser os responsáveis pela cautela excessiva das esquerdas que preferem não tratar Padilha como um direitista convicto. Infiltrado? Traidor? Vira-casaca? Seja lá qual for a imagem que Padilha passou a ter diante dos esquerdistas, sabe-se que é um erro o desejo das esquerdas em tentar dialogar com direitistas.

Porta-vozes de poderosos magnatas, os direitistas desejam um mundo que não seja igualitário, que preserve injustiças e preserve a ganância dos mais ricos, ganância que é rotulada com outros nomes mais bonitos, para que não seja tratado como um defeito. A esquerda perde em tentar negociar com gananciosos convictos.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Porque a Grande Mídia não está preocupada com o crescimento do Fascismo no Brasil?

Sabemos que os conservadores costumam ser bastante crédulos na chamada mídia oficial. Acreditam em tudo que os meios tradicionais de comunicação dizem por enxergar neles o profissionalismo que é entendido como forma de garantia de ética e compromisso com a verdade. 

Não vemos na classe média conservadora uma preocupação real com o Fascismo que cresce silenciosamente, mas de forma acelerada no Brasil. A única preocupação dos conservadores é com o fantasma do "Comunismo", uma ideologia que nunca foi posta em prática e que é erroneamente associada às forças progressistas. O "Comunismo" virou uma espécie de "Bicho Papão" dos adultos: não é real, mas amedronta e estimula o ódio e a violência.

Mas quanto ao Fascismo, infelizmente, o perigo é real. Para quem não sabe - e muita gente não sabe mesmo - o Fascismo é uma ideologia que separa pessoas "corretas" das "erradas" com base em critérios subjetivos e que pretende eliminar os "errados" para que os benefícios sejam exclusivos dos "corretos". O problema é justamente definir quem é "correto" e quem é "errado".

Como os conservadores só acredita na mídia tradicional corporativa, considerada por muitos as fontes oficiais de informação, o fato dos grandes meios de comunicação não falarem em Fascismo no Brasil - admitem que ele cresce na Europa e em alguns estados norte-americanos - faz com que os cidadãos brasileiros de mentalidade conservadora se sintam distantes da preocupação com o Fascismo.

A mídia corporativa brasileira prefere silenciar sobre o Fascismo brasileiro porque tal ideologia, logicamente sádica e inaceitável, representa uma carta na manga para a plutocracia brasileira representada pela mídia. É como aquele dispositivo de segurança a ser acionado no momento  alarmante. 

Sabe-se que as elites brasileiras estão entre as mais gananciosas do mundo. Não possuem compromisso com o desenvolvimento nacional e se declararam avessas a uma distribuição de renda e direitos mais justa. São capazes de arruinar com um país todo para salvar seus nababescos privilégios. Qualquer problema, eles pegam as malas e s mudam para países de primeiro mundo, verdadeiras pátrias para as elites brasileiras.

Por isso há uma aversão doentia a forças políticas e econômicas que pretendam repartir bens e direitos. Com a aceitação cada vez maior de Lula, um político progressista ea favor da distribuição mais justa de bens e direitos - tido como uma espécie de "Robin Hood" brasileiro - como grande líder político brasileiro, as elites se desesperam com a incapacidade de alguma força conservadora de convencer a população de que um conservador no poder seria "benéfico" ao país.

Por isso, as forças conservadoras que tem a mídia tradicional como porta-voz dos interesses dos mais ricos, preferem tratar o tema "Fascismo no Brasil" om cautela. Num ambiente onde as forças progressistas fortalecem, a medida a er tomada como "emergencial" seria o Fascismo, pois para salvar os interesses gananciosos dos mais ricos é preciso eliminar os pobres que poderiam ameaçar o fim das mamatas e dos privilégios dos plutocratas.

Os mais ricos se acham merecedores do maior numero de bens possível. A ganância não é considerada defeito por eles, apesar de ser disfarçada com nomes mais bonitos como "mérito", "conquista", entre outros termos que transformam um erro em uma virtude necessária.

Como as elites querem de qualquer forma salvar a ganância, principalmente após a crise de 2008 - curioso o fato de que o Fascismo sempre fortalece em tempos de crise - querem passar por cima de tudo e de todos para que nunca repartam seus excessos. 

Nestas horas que o "bom" Fascismo é bastante útil. Este é o motivo que explica o desprezo da mídia corporativa brasileira ao tema: não falar mal daquilo que pode ser útil na hora conveniente.