segunda-feira, 16 de abril de 2018

Jessé Souza: O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

OBS: O grande intelectual Jessé Souza, autor do brilhante livro A Elite do Atraso, que desmonta toda a farsa vendida em muitos livros de História do passado, escreveu este maravilhoso texto que merece ser lido e relido. Realmente as nossas elites gananciosas são metidas em falar grosso contra o povo brasileiro, mas mia feio gatinho diante dos imperialistas, esperando obter destes algum favorecimento.

O complexo de vira-lata de procuradores, juízes e generais

Jessé Souza — publicado na Carta Capital

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé nem ser especialmente tolo para defender os interesses dos EUA como se fossem seus.

Toda ideologia científica, criada para legitimar os interesses dos poderosos, precisa ter um grão de verdade para produzir uma mentira social convincente.

Assim, a ideologia científica da supremacia moral norte-americana nasce da tese de que o pioneiro protestante ascético criou uma sociedade igualitária de classe média, formada por pequenos empresários familiares no campo e na cidade, baseada na disciplina do trabalho duro, na política controlada pelo cidadão e na honestidade das relações interpessoais e contratuais. Até a Guerra Civil e 1861/1865, essa sociedade do pequeno empresário tinha seu grão de verdade.

Os Estados Unidos que nascem da guerra civil não têm, no entanto, mais nada a ver com esse passado mítico. O pequeno empresário perde qualquer importância econômica para os grandes monopólios econômicos,  que passam a dirigir de cima uma política cada vez mais corrompida para atender seus interesses.

Propaganda e indústria cultural manipulativa criam uma esfera pública colonizada pelo dinheiro onde o consumismo substitui a participação politica comunitária.

 A riqueza se concentra em poucas mãos e o assalto às riquezas de outros países, como em todo império, é usada para distribuir uma parte do butim para o próprio povo de modo a comprar solidariedade interna. Não obstante, a ideologia cientifica e cultural do “self made man”, do empresário trabalhador e honesto, é, até hoje, a imagem central da “ideologia americana”, para dentro e para fora da nação.

A elite de proprietários brasileiros, assim que termina a escravidão, procura e constrói uma ideologia cientifica que é o espelho invertido da americana para se apresentar como imagem do progresso: se não temos aqui o império do empresário diligente, honesto e trabalhador é apenas porque uma elite atrasada tomou o Estado e a política para seu interesse próprio.

Que nunca tenha existido aqui o “farmer” americano, mas o latifundiário ladrão de terras e assassino de gente, que se muda para a cidade para assaltar, agora, o orçamento do Estado e a sociedade como um todo, não parece perturbar ninguém.

A ideologia norte-americana ajuda a legitimar aqui o mercado da rapina sem freios sobre a população intelectualmente indefesa, produto de uma imprensa venal, que estigmatiza o Estado e a política para torná-los instrumentos dóceis do saque legalizado dos donos do mercado.

É apenas porque o mito nacional dos EUA travestido de ciência é reproduzido aqui na sua versão “vira-lata”, do inferiorizado moralmente, que a “informal” e ilegal “cooperação” entre o Departamento de Justiça americano e a Lava Jato pode se mostrar de público e sem nenhum disfarce.

O procurador Kenneth Blanco, do Departamento de Justiça dos EUA, elogiou, de público, sem qualquer pudor ou vergonha, a “íntima” cooperação com a Lava Jato, que permitiu ações ágeis e rápidas “fora dos procedimentos oficiais” por conta do relacionamento de “confiança individual” entre as equipes.

Que o país de uns tenha ficado mais rico e o país dos outros muito mais pobre, parece ser um mero efeito colateral sem importância. 

Em um contexto como este, onde a raposa e a galinha pensam o mundo e compartilham as mesmas ilusões, não se precisa sequer “pagar por fora”, em paraísos fiscais, aos procuradores e juízes envolvidos pelo serviço tão bem feito de acabar com as grandes empresas brasileiras, que eram o suporte de uma inserção internacional autônoma, via Brics, odiado pelos EUA.

Assim, acabar com 1,5 milhão de empregos e com a economia de vanguarda brasileira pode ser vendido como um acordo entre “gentlemen” interessados que a lei prevaleça e que a corrupção, claro, só do país atrasado, seja combatida.

Que os americanos façam muito diferente em casa, que as firmas corruptas sejam protegidas por “acordos secretos” com as autoridades administrativas, para proteger os empregos e os interesses americanos, como mostrado pela insuspeita The Economist  em agosto de 2014, também não parece preocupar ninguém.

Enquanto os funcionários norte-americanos são formados dentro de uma geopolítica e de uma ideologia científica centenária de um império que defende com unhas e dentes seus interesses, os nossos procuradores, juízes, generais e economistas só conhecem, quando muito, seu campo muito específico de ação. São vítimas da geopolítica do “vira-lata” e são perpassados por sentimentos de inferioridade aprendidos na escola, na mídia e nas universidades.

Para os brasileiros, não é necessário ter má fé, nem ser especialmente tolo, para defender os interesses norte-americanos como se fossem os seus. Basta ter nascido brasileiro e aprendido na escola e na mídia a ser um vira-lata obediente.   

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O Grande Vencedor

OBS: O jornalista Mauro Santayana escreveu este maravilhoso texto em seu blog. Decidi publicá-lo aqui também, recomendando aos leitores que visitem o blog do jornalista, que tem muita informação e textos importantes para serem lidos. Parabéns, Santayana, seu tecto é belíssimo. Falou tudo.

O Grande Vencedor

Mauro Santayana, em seu blog oficial

A cada vez que alguém divulgar uma notícia fake na internet sabendo que no fundo, intimamente, está mentindo miseravelmente e não passa de um canalha vil e desprezível... .  

A cada vez que cidadãos que dizem se preocupar com a Liberdade, a Nação, o Estado de Direito e a Democracia, assistirem passivamente à publicação de comentários econômicos, jurídicos e políticos mentirosos, e a outras calúnias e absurdos na internet, mansa e passivamente, sem resistir nem responder a eles... 

A cada vez que alguém disser que o Brasil está quebrado por incompetência de governos anteriores quando somos o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, temos 380 bilhões de dólares - mais de 1 trilhão e 200 bilhões de reais - em reservas internacionais, o BNDES está pagando antecipadamente 230 bilhões de reais ao Tesouro e a divida bruta e líquida públicas são menores do que eram em 2002 com relação ao PIB...    

A cada vez que alguém gritar que temos que entregar o pré-sal, a PETROBRAS, a EMBRAER, a ELETROBRAS e a Amazônia para os EUA porque somos ladrões e incompetentes para cuidar do que é nosso, como se o governo e as empresas norte-americanas fossem um impoluto poço de honestidade e moralismo e até o genro do Rei da Espanha não tivesse sido  apanhado em cabide de emprego da Vivo depois que esta veio para o Brasil aproveitando a nefasta privatização da Telebras, feita por gente que depois ocupou aqui a Presidência dessa empresa espanhola...

A cada vez que alguém defender raivosamente o livre comércio quando o EXIMBANK e a OPIC norte-americanos emprestam mais dinheiro público que o BNDES no apoio a exportações  e Trump adota sobretaxas contra a importação de aço e aluminio brasileiros e para vender aviões ao governo dos EUA a EMBRAER é obrigada a instalar primeiro com participação minoritária uma fábrica nos Estados Unidos... 

A cada vez que alguém vangloriar o estado mínimo, quando os EUA - que está mais endividado que o Brasil - está programando investir mais de um trilhão de dólares de dinheiro público em  obras de infraestrutura para reativar a economia, tem apenas no Departamento de Defesa mais funcionários federais que todo o governo brasileiro e todo mundo - principalmente a China -  sabe que não existem naçõoes fortes sem estados fortes, ou sem empresas nacionais privadas ou estatais poderosas que é preciso preservar e defender...   

A cada vez que alguém defender a volta de militares golpistas ao poder - porque milhares de militares legalistas foram contra o golpe de 1964 e foram perseguidos depois por defender a Constituição e a Democracia - abrindo mão de votar e suspirar e sentir o cabelo da nuca arrepiar quando vir um reco passar por perto...

A cada vez que alguém afirmar que em 1964 não houve um golpe contra um Presidente eleito, consagrado pelo apoio popular, poucas semanas antes, em um plebiscito amplamente vitorioso...

A cada vez que alguém defender a tortura e a volta dos assassinatos da ditadura, sabendo que em um regime de exceção ninguém está a salvo do guarda da esquina, como aprenderam golpistas que desfilaram pedindo o golpe de 1964 e depois tiveram filhos e parentes assassinados ou torturados pela repressão... 

A cada vez que alguém achar normal - desde que não seja seu parente - que, sem flagrante, uma pessoa possa ser levada para depor pela polícia sem ter sido antes previamente intimada a depor pela justiça...    

A cada vez que informações sigilosas de inquéritos em andamento forem vazadas propositalmente por quem deveria preservar o sigilo de justiça, para determinadas e particulares emissoras de televisão...    

A cada vez que alguém aceitar que um cidadão pode ser acusado,  condenado e encarcerado sem provas e apenas pela palavra de um investigado preso que teve muitas vezes sua prisão  sucessiva imoralmente prorrogada, disposto a tudo para sair da cadeia a qualquer preço...

A cada vez que alguém achar que algum cidadão pode ser acusado de ser dono de alguma propriedade sem nunca ter tomado posse dela ou sequer possuir uma escritura que prove que  é sua...

A cada vez que alguém acreditar que um apartamento fuleiro que vale menos de um milhão de reais pode ter servido de propina para comprar a dignidade de alguém que comandou durante oito anos uma das maiores economias do mundo...

A cada vez que alguém soltar foguetes por motivos políticos, celebrando sua própria ignorância e imbecilidade...

A cada vez que alguém aceitar promulgar leis inconstitucionais para ceder à pressão dos adversários adotando um  republicanismo pueril e imaturo...

A cada vez que a lei aceitar tratar de forma diferente - ou igualmente injusta e ilegal - aqueles que são iguais... 

A cada vez que um juiz ou procurador emitir - sem estar a isso constitucionalmente autorizado - uma opinião política...

A cada vez que juízes ou procuradores falarem em fazer greve para defender benesses como auxílio-moradia quando já ganham muitas vezes - também de forma imoral - perto ou mais de 100.000,00 reais, muito acima, portanto, do limite constitucional vigente, que é o salário de ministros do STF... 

A cada vez que alguém defender que "bandido bom é bandido morto" até algum parente se envolver em um incidente de trânsito ou em uma discussão de condomínio com algum agente prisional, guarda municipal ou agente de polícia...

A cada vez que alguém comemorar a morte de alguém por ele ser supostamente "comunista", ou negro, viciado, gay ou da periferia...

A cada vez que alguém ache normal - e com isso vibre - que candidatos defendam o excludente automático de ilicitude para agentes de segurança pública que matem "em serviço", em um país em que a polícia já é a que mais mata no mundo...

A cada vez que alguém achar que só ele tem o direito ou, pior, a exclusividade de usar os símbolos nacionais e o verde e amarelo - que pertencem a todos os brasileiros...

A cada vez que um ministro da Suprema Corte se calar quando for insultado publicamente por juízes e procuradores ou por um energúmeno qualquer nas redes sociais...

A cada vez que alguém acreditar que água de torneira - abençoada por um sujeito na tela da televisão -  cura o câncer, que a terra é plana, ou que Hitler - obrigado a suicidar-se durante a Batalha de Berlim pelo cerco das tropas soviéticas - era socialista... 

A cada vez que alguém achar que é normal que institutos de certos ex-presidentes tenham ganho milhões com a realização de palestras de um certo ex-presidente e outros institutos de outros ex-presidentes tenham de ser multados em todo o dinheiro ganho por palestras de outro ex-presidente...

A cada vez que alguém ache normal que alguém vá para a cadeia por não ter comprado um apartamento e outros sequer sejam investigados por ter comprado várias outras propriedades imobiliárias por preços abaixo do mercado...     

A cada vez que uma emissora de televisão, pratique, nas barbas do TSE, impune e disfarçadamente, política, “filtrando” e exibindo depoimentos “espontâneos” de cidadãos de todo o país, para defender subjetivamente suas próprias teses - ou aquelas que mais lhe agradem - em pleno ano eleitoral... 

A cada vez que alguém adotar descaradamente a chicana e  o casuísmo, impedindo que se cumpra a Constituição, porque está apostando na crise institucional e foi picado pela mosca azul quando estava sentado na principal cadeira do Palácio do Planalto…  

A cada vez que ministros do Supremo inventarem dialetos javaneses ou hermenêuticos lero-leros para justificar votos incompreensíveis e confusos que vão contra a Constituição e que a História não esquecerá nem absolverá...   

O Fascismo estará mais perto da vitória. 

E não perdoará, em sua orgia de ódio, violência e hipocrisia, nem mesmo aqueles que agora estão empenhados, por burrice, oportunismo ou covardia, em chocar o ovo da serpente e abrir-lhe o caminho para o triunfo.

terça-feira, 27 de março de 2018

Porque as esquerdas se recusam a enfatizar direitismo de José Padilha?

Todos já devem estar sabendo da tal série produzida para a Netflix brasileira inspirada na Lava Jato, "O Mecanismo", que mais parece uma refilmagem em forma de seriado do filme "Polícia Federal, a Lei é para todos (menos para os Tucanos)", criada e dirigida por José Padilha, diretor conhecido pela saga de filmes de pancadaria A Tropa de Elite.

Mas o que é estranho é ver esquerdistas revoltados com "O Mecanismo" se esquecendo das origens ideológicas de seu criador. José Padilha está sendo tratado como um vira-casaca, como se ele tivesse sido esquerdista antes, o que sinaliza a fata de informação das esquerdas sobre a figura responsável pela direção geral da série cheia de mentiras que favorecem a ideologia de direita.

Porque as esquerdas evitam a todo o custo apontar o dedo a José Padilha, da mesma forma que alguns "espíritas" de esquerda se recusaram a apontar o dedo para o ultra-reacionário Divaldo franco, pensando ser este o mais progressista dos esquerdistas? Parece que o sonho das esquerdas é converter direitistas simpáticos para virarem esquerdistas, obrigando a rever as suas posições retrógradas.

Nada disso. José Padilha sempre foi um direitista convicto. É membro atuante do Instituto Milenium, um dos mais ativos Think Tanks criados para o golpe de 2016. Criado por vários magnatas e jornalistas de direita como Pedro Bial, o instituto treinou jornalistas de direita a criarem de forma sutil e engenhosamente convincente, mentiras que difamassem as esquerdas para favorecer a subida de um direitista, capacho dos magnatas, no poder.


Tanto Bial quanto Padilha não aparecem na lista atual do instituto, embora estivessem como membros no site no passado. Embora conseguimos rastros da participação do cineasta no citado instituto (veja imagem acima). Parece que vários membros preferem dissociar seu nome do instituto, cujos membros incluem Rodrigo Constantino, Armínio Fraga, Gustavo Franco, etc caterva, para tentar convencer incautos sobre suposta imparcialidade ideológica. Mas no Brasil, país das oportunidades escassas, estar do lado dos mais fortes quase sempre é se tornar um.

Mas porque esquerdistas preferem passar uma pá de cal no direitismo de Padilha. Porque mesmo sabendo disso, evitam comentar ao máximo sobre este fato? Talvez algumas coisas possam explicar o silêncio das esquerdas quanto ao direitismo de Padilha, tratado como um "esquerdista traidor";

- A direção feita por Padilha para a saga de ação "Tropa de Elite", filmes muito apreciados pelos esquerdistas e tratados de forma equiparada (como se tivessem a mesma importância artística) a "Dolce Vita" de Fellini (??!!), por mais que lembrasse os filmes de Rambo;
- O fato de José Padilha ser amigo do esquerdista Wagner Moura, este um cara sensato que, apesar de convicto com sua ideologia, é um cara educado, elegante e que não cria inimizades, podendo muito bem ser amigo de direitistas;
- A força que José Padilha deu ao hoje hegemônico "funk" carioca, tratado com quase unanimidade pelas esquerdas que ignoram que o ritmo foi criado para ridicularizar os pobres e impedi-los de ser levados a sério pela sociedade em geral, na hora de reivindicarem seus direitos;
- A possibilidade grande de José Padilha ser patrocinado pelos mesmos magnatas que patrocinam várias forças de esquerda como o Mídia Ninja, o Fora do Eixo e o próprio PSol.

Estes fatores podem ser os responsáveis pela cautela excessiva das esquerdas que preferem não tratar Padilha como um direitista convicto. Infiltrado? Traidor? Vira-casaca? Seja lá qual for a imagem que Padilha passou a ter diante dos esquerdistas, sabe-se que é um erro o desejo das esquerdas em tentar dialogar com direitistas.

Porta-vozes de poderosos magnatas, os direitistas desejam um mundo que não seja igualitário, que preserve injustiças e preserve a ganância dos mais ricos, ganância que é rotulada com outros nomes mais bonitos, para que não seja tratado como um defeito. A esquerda perde em tentar negociar com gananciosos convictos.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Porque a Grande Mídia não está preocupada com o crescimento do Fascismo no Brasil?

Sabemos que os conservadores costumam ser bastante crédulos na chamada mídia oficial. Acreditam em tudo que os meios tradicionais de comunicação dizem por enxergar neles o profissionalismo que é entendido como forma de garantia de ética e compromisso com a verdade. 

Não vemos na classe média conservadora uma preocupação real com o Fascismo que cresce silenciosamente, mas de forma acelerada no Brasil. A única preocupação dos conservadores é com o fantasma do "Comunismo", uma ideologia que nunca foi posta em prática e que é erroneamente associada às forças progressistas. O "Comunismo" virou uma espécie de "Bicho Papão" dos adultos: não é real, mas amedronta e estimula o ódio e a violência.

Mas quanto ao Fascismo, infelizmente, o perigo é real. Para quem não sabe - e muita gente não sabe mesmo - o Fascismo é uma ideologia que separa pessoas "corretas" das "erradas" com base em critérios subjetivos e que pretende eliminar os "errados" para que os benefícios sejam exclusivos dos "corretos". O problema é justamente definir quem é "correto" e quem é "errado".

Como os conservadores só acredita na mídia tradicional corporativa, considerada por muitos as fontes oficiais de informação, o fato dos grandes meios de comunicação não falarem em Fascismo no Brasil - admitem que ele cresce na Europa e em alguns estados norte-americanos - faz com que os cidadãos brasileiros de mentalidade conservadora se sintam distantes da preocupação com o Fascismo.

A mídia corporativa brasileira prefere silenciar sobre o Fascismo brasileiro porque tal ideologia, logicamente sádica e inaceitável, representa uma carta na manga para a plutocracia brasileira representada pela mídia. É como aquele dispositivo de segurança a ser acionado no momento  alarmante. 

Sabe-se que as elites brasileiras estão entre as mais gananciosas do mundo. Não possuem compromisso com o desenvolvimento nacional e se declararam avessas a uma distribuição de renda e direitos mais justa. São capazes de arruinar com um país todo para salvar seus nababescos privilégios. Qualquer problema, eles pegam as malas e s mudam para países de primeiro mundo, verdadeiras pátrias para as elites brasileiras.

Por isso há uma aversão doentia a forças políticas e econômicas que pretendam repartir bens e direitos. Com a aceitação cada vez maior de Lula, um político progressista ea favor da distribuição mais justa de bens e direitos - tido como uma espécie de "Robin Hood" brasileiro - como grande líder político brasileiro, as elites se desesperam com a incapacidade de alguma força conservadora de convencer a população de que um conservador no poder seria "benéfico" ao país.

Por isso, as forças conservadoras que tem a mídia tradicional como porta-voz dos interesses dos mais ricos, preferem tratar o tema "Fascismo no Brasil" om cautela. Num ambiente onde as forças progressistas fortalecem, a medida a er tomada como "emergencial" seria o Fascismo, pois para salvar os interesses gananciosos dos mais ricos é preciso eliminar os pobres que poderiam ameaçar o fim das mamatas e dos privilégios dos plutocratas.

Os mais ricos se acham merecedores do maior numero de bens possível. A ganância não é considerada defeito por eles, apesar de ser disfarçada com nomes mais bonitos como "mérito", "conquista", entre outros termos que transformam um erro em uma virtude necessária.

Como as elites querem de qualquer forma salvar a ganância, principalmente após a crise de 2008 - curioso o fato de que o Fascismo sempre fortalece em tempos de crise - querem passar por cima de tudo e de todos para que nunca repartam seus excessos. 

Nestas horas que o "bom" Fascismo é bastante útil. Este é o motivo que explica o desprezo da mídia corporativa brasileira ao tema: não falar mal daquilo que pode ser útil na hora conveniente.

domingo, 18 de março de 2018

Para que servem as Mega-fundações

OBS: Esta entrevista, retirada do site Vi o Mundo, do genial Luiz Carlos Azenha, responsável pela entrevista que reproduzimos abaixo, mostra a influência oculta das Mega-Fundações como a Open Society e a Ford Foundation na tentativa de manipular políticas nos lugares onde se instalam e sob o pretexto de filantropia, garantir que os interesses de grandes corporações e gestões conservadoras não estejam ameaçados.

O legal é que o texto escrito por Azenha antes da entrevista, além da entrevista em si, admitem que a mídia de esquerda recebe dinheiro destas fundações, o que levanta a suspeita sob atitudes ambíguas mostradas por algumas forças de esquerda, que parecem estar desinteressadas em combater de forma eficiente o golpe de 2016.

Leiam a entrevista e o link que está neste comentário e vamos tentar entender este fato que secretamente pode estar impulsionando a provável entrada de um exército secreto de infiltrados a destruir as esquerdas internamente.

Viomundo: Há muitas fundações hoje em dia, conservadoras e liberais, mesmo de esquerda. Por que a máscara do pluralismo no subtítulo do livro?

Joan Roelofs: Eu estava me referindo à teoria pluralista, segundo a qual diferentes grupos de interesse competem uns com os outros para definir as políticas públicas [um conceito utilizado nos Estados Unidos]. Argumento que todos os grandes grupos de interesse são financiados pelas fundações, o que falsifica a ideia de pluralismo e mascara a real competição. Há limites impostos pelo financiamento (e outros processos relacionados às fundações, como networking, workshops, assistência técnica e a própria formulação do pedido de financiamento). Organizações financiadas não podem provocar grandes rupturas no poder e na riqueza, ou no capitalismo imperialista. Mesmo as ongs de esquerda, como o Institute for Policy Studies, e um dos grandes institutos trabalhistas, o Economic Policy Institute, são financiados pela fundações liberais, dentre as quais a Ford e a Open Society [de George Soros].

Viomundo: O financiamento amplifica a influência das fundações muito além da elite?

Joan: Meu livro é sobre isso. Elas se envolvem com o maior número possível de movimentos e organizações. Estes não podem sobreviver ou fazer o que querem, como levar casos à Suprema Corte, por exemplo, só com o dinheiro dos associados. Os institutos financiados pelas fundações fornecem os especialistas que falam na TV e material para artigos de opinião. As fundações têm grande influência nas faculdades e universidades. Elas cooptam liberais de classe média e gente talentosa entre os mais pobres para receberem doações a título de formação de lideranças. Está tudo no meu livro.

Viomundo: A senhora menciona ideias de alguém considerado um dos grandes estrategistas dos Estados Unidos, Zbigniew Brzezinski. O que ele dizia sobre espalhar a influência norte-americana?

Joan: Ele defendia o uso do soft power como forma de derrotar o comunismo. Faça a elite se envolver com as tecnologias da informação e torne as massas fascinadas pela cultura dos Estados Unidos. Operações clandestinas e abertas (com grande participação das fundações) foram utilizadas para levar adiante este plano.

Viomundo: A Fundação Rockefeller tem uma longa relação com o Brasil. Começou com doações ligadas à saúde pública e hoje o dinheiro continua chegando, por exemplo, no campo do chamado desenvolvimento sustentável. Por que eles investiriam dinheiro aqui?

Joan: Existe um ótimo livro sobre os Rockefellers e a América Latina, Thy Will Be Done, de Colby e Dennett. Se você quer explorar os recursos ou mesmo apenas fazer negócios, você não quer que seus trabalhadores locais ou seus gerentes norte-americanos fiquem doentes. Você precisa de água limpa. Você precisa que os recursos naturais sigam jorrando. Se o seu negócio é em turismo internacional, por exemplo, você quer que as pessoas se sintam limpas e seguras em suas férias no Exterior.

Viomundo: A Fundação Ford se define hoje, no Brasil, como defensora da justiça racial, para fazer avançar a democracia e a igualdade. “Nós apoiamos a emergência e o crescimento de poderosas novas vozes e narrativas, tanto no campo quanto na cidade, e trabalhamos para conectá-las com outros líderes da justiça, movimentos e instituições-chave”, diz um texto sobre objetivos da FF. Não é disso que precisamos no Brasil?

Joan: Sim, mas é que direitos civis, lideranças e networking não bastam. Pode ser que o sistema econômico esteja bloqueando o progresso real em todo o mundo (inclusive nas nações desenvolvidas). Escrevi um artigo recente sobre direitos humanos como substituto do socialismo. James Petras tem escrito muito sobre a cooptação da esquerda na América Latina. A NACLA (North American Congress on Latin America), que já foi radical, a certa altura recebeu dinheiro da Fundação Ford e mudou o discurso sobre as barreiras à justiça social na América Latina.

Viomundo: A Ford e a Open Society (Soros) dão muito dinheiro para organizações de mídia, inclusive da nova mídia, algumas das quais identificadas com a esquerda. Por que os bilionários se preocupariam com isso?

Joan: Essas organizações de mídia se dizem realmente independentes, em contraste com as antigas, “ruins”, financiadas por governos ou partidos políticos. Naturalmente, existe poder em ter dinheiro no que é supostamente “alternativo” e que é lido por gente de esquerda, dentre outros.

Viomundo: Hoje, as fundações investem até em parcerias com grandes veículos de mídia, nos Estados Unidos. É dito que sem qualquer tipo de controle. Se as fundações não controlam o conteúdo, por que não aceitar o dinheiro?

Joan: Por que quem aceita o dinheiro normalmente se autocensura. Não quer ofender o patrocinador.

Viomundo: A Open Society está preocupada, pelo menos aparentemente, em fazer avançar a democracia na América do Sul. Junto com a Fundação Ford e outras, traçou inclusive cenários da América Latina para os próximos 15 anos. Com gente de esquerda no meio. Como você vê essas iniciativas de George Soros?

Joan: As organizações dele, junto com as operações clandestinas, tem sido poderosas para provocar mudanças. Por exemplo, na Hungria, com a transformação das universidades e a criação do partido Fidesz, ou com a derrubada de Milosevic [na extinta Iugoslávia]. Roger Cohen escreveu a respeito. Está no meu livro. Alguém deveria escrever um livro sobre tudo o que aconteceu nas revoluções coloridas [no entorno da extinta União Soviética] e sobre quem estava envolvido nelas.

Viomundo: Por que quase não existe debate sobre as fundações? Por que elas parecem ser neutras?

Joan: Elas não gostam de críticas públicas e tem poder suficiente para marginalizá-las. Eu fui chamada de teórica da conspiração por tentar jogar luz nas fundações. A maioria dos acadêmicos e repórteres evita morder a mão que os alimenta. As fundações se dizem apartidárias, o que é verdade. Eles não favorecem a este ou aquele partido nos Estados Unidos. Mas isso não significa que sejam objetivas e neutras. São fachadas para o poder da elite. Sua origem, financiamento, investimentos e filosofias estão profundamente ligadas às corporações bilionárias. Alguns de seus empregados, inclusive presidentes, refletem “diversidade” e elas podem promover grandes mudanças sociais desde que sua riqueza, poder e domínio internacional não sejam afetados. As fundações foram importantes em acabar com o apartheid oficial nos Estados Unidos — e na África do Sul — mas nos dois casos o capitalismo não pode ser tocado.

Viomundo: As fundações distorcem a democracia?

Joan: A riqueza distorce a democracia e as fundações são apenas uma parte dela. O trabalho delas com intervenções internacionais clandestinas certamente não ajuda a democracia. Além disso, a parte a descoberto — apoio a grupos de interesse ou a ongs para representar as pessoas — não promove a democracia. O sistema das fundações apoia e reforça o sistema das ongs e algumas fundações inclusive criaram ongs. Essas organizações são de elite, se comparadas à cidadania em geral, desorganizada. As fundações não podem legalmente financiar partidos políticos ou movimentos políticos de massa. A democracia deveria requerer que todas as pessoas fossem integradas a algum braço de uma organização local, de uma entidade política poderosa. Talvez já nem seja possível nos dias de hoje, com as grandes populações, extremo individualismo e a cultura da celebridade; e muitos gadgets, hobbies e jogos.

Viomundo: Então, as fundações podem ser uma força por mudança?

Joan: Alguma mudança, sim. Mas, elas previnem contra mudanças mais radicais, que poderiam ser mais eficazes na promoção da justiça e da paz?

Na Europa Oriental, nas repúblicas da extinta União Soviética, na Índia, dentre outros lugares, as fundações encorajam o nacionalismo e mesmo tradições religiosas locais, como forma de atacar o internacionalismo e as ideias do ‘trabalhadores do mundo, uni-vos’.

Nos Estados Unidos, trabalham contra o chamado ‘extremismo anticapitalista’. Elas não encorajam os grupos da supremacia branca ou fanáticos religiosos fundamentalistas, mas foram incapazes de evitá-los.

Um sistema baseado na disputa entre grupos de interesse, que foi estimulado pelas fundações, resulta em maior polarização do que ocorreria, se tivessemos movimentos políticos mais generalizados.

Reflito que os Estados Unidos tem o mais amplo e elaborado terceiro setor do mundo — fundações, entidades sem fins lucrativos, think tanks, mesmo organizações de base (reais, não de mentirinha). Ainda assim, o padrão de vida está em declínio, a infraestrutura cai aos pedaços, o meio ambiente está sendo devastado, os números da pobreza são enormes, a incidência de violência é sem precedentes (não apenas se comparada a países desenvolvidos). Todo mundo deveria ler o relatório How Effective Are International Human Rights Treaties? [Quão eficazes são os tratados de direitos humanos internacionais?] Enquanto isso, a agressão e a intervenção dos Estados Unidos em muitas nações não dá sinais de parar. E todas estas, aliás, não são questões que as fundações estão dispostas a descrever como “problemas”.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Exército sobe para o morro não descer

Relacione os fatos: um desfile de uma escola carioca denunciando o golpe, uma faixa na favela com uma suposta ameaça de reação popular contra a prisão injusta de um líder progressista, uma invasão no aeroporto por uma multidão contra uma liderança conservadora. Misture isto tudo a desistência de um candidato que seria uma esperança para modernizar a fachada da direita. 

Desesperada, a direita, sem candidato forte e com todo o seu plano fascista/neoliberal revelado, resolveu reagir e sob o pretexto de combater a criminalidade, resolveu chamar o exercito para mais uma operação que promete ser fracassada diante do combate ao crime, mas bem sucedida na missão de provocar uma "higiene social", matando pobres e não-brancos sob o pretexto de pegar bandidos.

O exército, que não é preparado para operações deste tipo - este tipo de intervenção é de uma truculência burra que sabiamente os generais discordam plenamente, apesar de serem obrigados a obedecer o Poder Executivo nacional, segundo a lei - já atuou em operações deste tipo em outras ocasiões que se mostraram um fracasso.

O problema é que além de não estarem preparados e nem criadas para este tipo de operação, as forças militares vão no máximo pegar, com grandes chances de criar uma desastrada tragédia, pequenos traficantes e muito inocentes, quando o governo poderia, de forma mais inteligente e menos brutal, pegar os verdadeiros traficantes, disfarçados dos maiores empresários do país e escondidos em suas distantes e mais do que tranquilas mansões e castelos.

Para mim, esta operação é para meter medo na população, avisando que a direita vai fazer de tudo para que o golpe continue e que os interesses das grandes corporações - prováveis requerentes da operação - sejam preservados. 

Desesperados por não poder mentir para a população e nem ter um candidato que possa derrotar Lula nas urnas, a direita usa o suposto combate ao crime para mostrar a sua força e tentar instaurar um holocausto à moda antiga no Rio de Janeiro para depois levá-lo aos outros estados. Até porque desde 2016 uma forma branda de holocausto já está sendo posta em prática, com a destruição dos direitos de quase toda a população para preservar a ganância de meia dúzia de bem alimentados gatos pingados.

Como veem, o exército sobe o morro para este não descer. É para isso que existe a intervenção militar. Os verdadeiros criminosos podem respirar sossegados: o exército não está atrás destes.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Estamos no caminho para achar o infiltrado do Golpe de 2016

Lazer é um momento onde a pessoa se encontra livre para agir e pensar por conta própria. na vida adulta, foi imposto que a maior parte do tempo de uma pessoa deve ser dedicada a vontade alheia de um patrão, em troca de dinheiro para o sustento pessoal. O tempo livre, longe de um patrão regulador, foi entendido pelos controladores do sistema, como algo que precisava de controle.

O lazer deve ser o mais alienado possível, para que no momento livre do ócio, as pessoas pudessem continuar a serem mantidas sobre controle. mesmo que seja um controle invisível. Estimular o lazer fútil, além de consagrar a ideia de que raciocinar é muito chato, são meios úteis para manter a pessoa anestesiada no único período que ela tem para dedicar a si mesma.

Por isso que o lazer foi o meio encontrado para servir de porta de entrada para o infiltrado do golpe de 2016. Sabemos que para um golpe ter bom êxito, é necessário que haja um infiltrado, alguém que se finja de aliado para destruir uma ideologia por dentro. E pelo jeito está dando certo, pois a dominação está sendo muito sutil.

Criar uma forma de lazer imbecilizante, que ridicularize as classes oprimidas e somada a isso, a iniciativa de transformar esta mesma forma em "direito irrevogável das classes oprimidas" foi o que garantiu o êxito dos infiltrados que souberam de forma bem sutil a domesticar as classes populares para que elas não insurjam contra as classes opressoras, mantendo o sistema de dominação capitalista totalmente intacto, mesmo com uma suposta aversão a ele por parte das classes oprimidas.

Não é delírio admitir que o patrocínio de entidades ligadas a CIA (Central Intelligency Agency, principal agência de domínio intelectual dos EUA) a coletivos progressistas é real e ativo. Graças a má imagem que tiveram as ditaduras tradicionais, o sistema teve que encontrar formas sutis que colocassem as classes oprimidas sob domínio mantendo a aparência de democracia e de respeito aos direitos humanos. Interferir no tempo livre das classe oprimidas foi a decisão perfeita.

O INFILTRADO DO GOLPE DE 2016

Há tempos que estamos atrás da identificação desta força infiltrada. Temos suspeitos, que são vários. O Golpe de 2016 te sido um golpe mais sofisticado e isso exige uma complexidade maior. Não dá para realizar um processo complexo com apenas uma só pessoa. Portanto foi necessário não um, mas vários "Cabos Anselmos" para tentar destruir internamente as forças progressistas.

Estamos notando em várias ocasiões, a assinatura de forças ligadas a CIA em patrocínios de entidades e de projetos progressistas. Entre as entidades, as mais comuns são a Fundação Ford e a Open Society (esta de propriedade do especulador George Soros,curiosamente de mentalidade conservadora). Recentemente, escutei de um progressista mais sensato de que a intervenção de George Soros no patrocínio de forças progressistas é um fato comprovável.

É bom lembrar o fato de que George Soros apoiou o PSDB nas últimas eleições e também esteve por trás do patrocínio dos protestos do "Pato Amarelo", versão moderna das marchas da "Família com Deus pela Liberdade" que deu origem a ditadura militar. Ou seja, soros está por trás do patrocínio tanto de conservadores como de progressistas.

A Open Society de Soros é discretamente ligada a CIA. O próprio Soros é informante da CIA. Mas que interesse tem a CIA em desenvolver projetos progressistas nas Américas, se há interesses claros dos EUA e de grades corporações de diversas nacionalidades em ver a América Latina falida e trabalhando como escrava a essas corporações?

É uma ingenuidade das forças progressistas em enxergar em seus patrocinadores indivíduos interessados no desenvolvimento das forças progressistas. Na biologia temos o fenômeno do vírus que entra em uma bactéria para destruí-la. Vários parasitas entram no corpo humano para destruí-lo. Porque ignorar que entidades façam o mesmo, patrocinando forças progressistas para enfraquecê-las?

DISCÍPULOS DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Recentemente, o portal DCM publicou um texto ate sensato sobre  os privilégios dos juízes. Mas o ânimo com o texto acaba quando se lê um resumo da biografia do autor do texto, um jurista que trabalha para a Open Society do especulador Soros. Seria ele um dos infiltrados?

Já observamos vários jornalistas e antropólogos ligados ao estudo do entretenimento que vieram da mesmo grupo da USP ligado ao ex-presidente e guru tucano Fernando Henrique Cardoso, autor da tese, conhecida como "Teoria da Dependência" que diz que pobres na devem melhorar a sua qualidade de vida (se limitando a depender da caridade paliativa consagrada pelas religiões) e nações emergentes devem sempre depender eternamente das nações prósperas, sem nunca dispensá-las. 

Esta teoria é muito conveniente para os grandes capitalistas pois preserva as desigualdades e protege a ganância dos mais ricos que são dispensados de repartir renda e direitos, mantendo ricos e pobres cada um no seu "quadrado": os ricos com a sua prosperidade e os pobres com a sua incurável dor.

Isso faz com que os infiltrados, por meio de textos de aparência positiva e falsamente engajados num suposto empoderamento das classes oprimidas, estimulem os pobres a terem orgulho de sua condição, para que nunca almejem a evolução humana que os faça largar a sua condição humilhante. E o momento de lazer, sob o nome de "cultura", foi o modo escolhido para que esta forma sutil de domínio pudesse sr bem sucedido. E está sendo.

Estamos no caminho de encontrar o infiltrado do Golpe de 2016. Não foi nem Pallocci e nem Balta, pois não passam de casos isolados que não favoreceram o golpe como um todo. Os infiltrados são as forças que se instalam para supostamente lutar pela dignidade do povo pobre, mas estranhamente mantendo-o em suas condições. 

Pois a última coisa que os infiltrados querem é tirar os pobres da pobreza. Manter os pobres em suas condições é essencial para o sucesso do golpe. E isso não pode ser feito por forças assumidamente opostas aos pobres. É preciso que um adversário se faça de amigo para ser ouvido por sua vítima e dar o bote na hora certa. 

Se alguém falar que pobres tem que ter orgulho de serem pobres, desconfiemos. Não há motivo nenhum para um pobre se orgulhar de sua situação degradante. E é aí que os infiltrados entram, para aprisionar os pobres em sua vida indigna. Este é um bom macete para detectarmos os infiltrados. Fiquemos de olho neles.