sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O vistoso Brasil da “moralidade”

Por Fernando Brito - Blog O Tijolaço

Como se sabe, o Brasil livrou-se, há quase dois anos, do maléfico “lulopetismo”.

Passou a ser governado por uma ampla coalizão  de homens bons, retos, tão honestos que nenhum deles foi à garra policial, com as notáveis  exceções de Eduardo Cunha – imolou-se o libertador de nossa libertação, Geddel Vieira Lima, que esqueceu uns trocados em um apartamento e Sérgio Cabral,que mandou seu próprio filho deixar o cargo que tinha e ir votar pelo impeachment.

O resultado desta “moralização” está nas primeiras páginas dos jornais de hoje: Temer calcula ter R$ 30 bilhões para aprovar a reforma da Previdência, diz o Estadão, acrescentando que a Caixa, sem dinheiro para financiar imóveis, prepara um polpudo reajuste de 37% para seus diretores postos sob suspeita por seu próprios auditores.

Não é muito diferente do que eram as manchetes de ontem, anteontem, dois meses atrás, ou seis, ou há um ano.

O vistoso Brasil que exsurgiu do golpe de Estado está aí, com a vísceras expostas e com instituições que assumem desavergonhadamente o papel de tutores políticos da população, com o faz o chefe da Polícia Federal ao dizer a O Globo que seu encontro secreto com Michel Temer foi “um pequeno erro de agenda”, que é “um policial bem mandado” e que espera “auxiliar o cidadão nas próximas eleições” com a exibição da versão policial de quem é honesto e quem não é.

Vamos bem na economia, porém, e isso é o que importa. Desça do seu apartamento, fale com zelador ou vá até a esquina onde estão os pedintes redivivos. Explique a eles que a Bolsa vive um “boom” ou que os R$ 17 de reajuste do salário mínimo são justos e corretos, porque a inflação acabou e, claro, a condenação à miséria eterna, não.

E vamos adiante em nossa jornada ao passado, dividindo os pratos de comida e as doses da vacina da febre amarela, sim, mas jamais as fortunas acumuladas.

Mostre a eles, também, que o desemprego, as obras paradas e a degradação dos serviços públicos já precários são necessários para reduzir o déficit público pelo teto de gastos e que trabalhar até a morte é necessário para poder continuar pagando as aposentadorias, acabando com os privilégios que 99% dos aposentados jamais tiveram.

É evidente que você não os convencerá e é por isso que, como diz o excelente Luís Costa Pinto em seu artigo de hoje no Poder360, “o lulismo é um movimento fundado na certeza que muitos conservam: a de terem vivido entre 2003 e 2011 os melhores anos de suas vidas. Naqueles tempos o país crescia, havia estabilidade econômica, as taxas de desemprego caíram abaixo de 5% da População Economicamente Ativa, houve mobilidade social entre diversos estratos e se devolveu à média da população a capacidade de sonhar”. 

Trocaram, os grandes senhores, aqueles sonhos e nos deram o de um país santificado pela moralidade que está aí, exposto num grau de torpeza que torna tudo imundo, sejam os palácios ou as ruas.

E como não podem convencer a maioria de que isso seja bom e justo, partem os homens bons para seu último recurso, sua ultima ratio: em nome da moralidade, todos estão proibidos de votar em Lula, ainda que o queiram.

Moro assim decidiu e Moro locuta, causa finita. Não se contesta o homem que não tem partido, não tem ideologia, não tem parcialidade, não tem nada que não sejam as verdades que vêm de suas convicções, às quais os fatos e evidências devem se dobrar e adequar, ou não virão ao caso.

Até porque é pecado mortal criticar o santo que nos levou ao inferno.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A Reforma Trabalhista aumenta violência e corrupção

A Reforma Trabalhista aprovada em 2017 e posta em prática no último - e macabro - 11 de novembro, pretende eliminar importantes direitos dos trabalhadores, reduzir o salário e permitir abusos ilimitados por parte de patrões e empresários. Enfim, a meta é transformar grande parte dos trabalhadores em escravos a oferecer serviços e troca de comida e de raros benefícios.

Esta redução de salários e de direitos, somada ao aumento dos abusos empresariais, já começa a gerar seus estragos, muito além do simples aumento do desemprego e da precarização do trabalho, onde qualquer função foi reduzida a bicos, com a mesma segurança de um camelô não registrado.

Contrariando a evolução da ciência econômica e das teorias administrativas, a Reforma Trabalhista os devolveu a uma realidade que existia antes do Fordismo, o que na prática representa um gigantesco passo para trás. Tudo que aprendemos sobre Economia, Administração e Direito do Trabalho desde então foi jogado na lixeira.

A precarização do trabalho acabou arruinando a vida de muita gente. Agora que o emprego virou uma incerteza, já não podemos mais fazer planos. A médio prazo, compras a prestação já não poderão ser feitas. A diminuição de compras de artigos supérfluos (sobretudo os ligados ao lazer) levará empresas de entretenimento à falência, favorecendo o crescimento da audiência das TVs plutocratas. Pequenas e médias empresas caminharão para a extinção por falta de compradores.

Neste cenário desolador com os trabalhadores reduzidos a uma forma moderna de escravos é lógico que a violência, a criminalidade e a corrupção aumentarão, pois em troca do essencial para viver, já excluído da escassa remuneração, lança-se mão de tudo, inclusive de meios ilícitos e até cruéis para não passar o mês sem comida e abrigo.

Aos poucos a violência começa a aumentar nas cidades de todo o país. Sem a renda necessária, pessoas se desesperam e começam a agredir outras para tirar das vítimas aquilo que estas pessoas desesperadas não tem. 

Até mesmo a corrupção, cujo combate foi uma desculpa esfarrapada para impor um novo regime escravocrata para que ricaços não sofram os prejuízos da crise econômica mundial de 2008, volta com toda a força, pois muitos tentarão meios ilícitos para que não fiquem sem o necessário, já que o salário e direitos serão muito abaixo da dignidade.

O Golpe foi um desastre. Temer cometeu inúmeros erros e maldades e continua a cometer, pois ganha muito dinheiro e apoio com isso. Mas o maior deles foi impor a cruel Reforma Trabalhista que extingue o emprego para substitui-lo por formas modernas e brandas de escravidão. 

Sem a remuneração que permite a dignidade, seres humanos farão de tudo para se manter vivos, sadios e abrigados, abrindo mão de qualquer moral, ética e respeito alheio. Moral não serve para encher pratos de comida.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Analisando o comentário de Luciano Huck

Como sabemos, Luciano Huck foi ao programa de Fausto Silva para, de forma sutil, revelar que estava retomando a ideia de se candidatar a presidente. Atendendo uma espécie de queremismo das elites brasileiras, ele retomou a decisão consciente de que é a melhor opção para convencer o eleitorado jovem e pobre de que o golpe deve ser mantido, com todas as suas truculências.

Mas de forma hipócrita, até para reforçar a sua falsa imagem de bom-moço, utilizando uma estratégia publicitária (apesar de formado em Direito, Huck é um excelente publicitário, na opinião deste blog a sua única qualidade), respondeu utilizando palavras lindas e a defesa de valores nobres, para imediatamente atrair o apoio de telespectadores hipnotizados pelas comoventes declarações.

Separamos uma declaração longa dada a Fausto Silva, comentando cada trecho com base do que sabemos sobre o empresário-apresentador, parente de integrantes do PSDB e tendo Aécio Neves como seu melhor amigo e um dos sócios. 

Huck é plutocrata, aristocrata e só usa a democracia para convencer incautos. Mas já avisou que se eleito, preservará as crueldades de Temer. Vendo o falso altruísmo em seus programas, percebemos como Huck ajudará os mais carentes, com paliativos que não compensam a ausência de dignidade. 

Dignidade é um bem sempre recusado aos pobres por políticos de direita e por lideranças comprometidas coma as elites financeiras, casos em que Huck se encaixa com perfeição. 

O comentário de Huck no programa de Fausto Silva

Vamos ao comentário do empresário-apresentador, ao responder Fausto sobre se seria candidato a presidente:

- “Minha missão este ano é tentar motivar as pessoas a que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. (...)"

"Consciência", entenda-se de acordo com o que Huck e a classe da qual ele pertence, a dos plutocratas ricos de mentalidade egoística-conservadora pensa.

- "Eu jamais vou ser o salvador da pátria. O que vai acontecer na minha vida, eu também não sei. (...)"

Com certeza ele não será o tal salvador. Ideologicamente conservador, ele agirá para afundar ainda mais o Brasil, a não ser que ele rompa ideologicamente com as suas convicções pessoais e vire um lulista. Quanto a não saber o que vai acontecer, ele sabe sim. Ele é raposa velha quase cinquentona. Ele só está esperando a hora certa para dizer o que pretende fazer. 

- "Eu amo o que faço, eu amo estar todo sábado na televisão, eu gosto muito de estar com as pessoas e contar as histórias. (...)"

Quem não amaria ser bilhardário, amado por todos e com influência sobre todas as pessoas podendo mexer nas leis a seu favor e escapar de escândalos sem o mais microscópico arranhão? Se ele gosta de estar com pessoas, ah ele gosta. Desde que logo em seguida ele tome um banho intenso para se limpar da "sujeira do povo" e recuperar a sua assepsia burguesa.

- "O que o destino, que Deus espera para mim, eu vou deixar rolar. (...)"

Dá para perceber que ele terá o apoio dos fundamentalistas cristãos, que em nome de seja lá Quem for, fará o que quiser, impondo a toda a população brasileira as suas convicções pessoais, ainda não confirmadas pela responsável ciência.

- " Neste momento, agora começo de janeiro, ainda acho que o meu papel com esse microfone na mão e aqui na TV Globo e motivando as pessoas pode ser talvez até mais importante do que estar lá. (...)"

Calma que ele espera a hora certa para se manifestar. Por enquanto ele usará o seu programa para fazer a sua propaganda política através de um altruísmo seletivo e mal feito que compensará a falta de consciência social de sua gestão política.

 - "Mas eu vou participar, eu vou botar a mão na massa, eu quero ajudar, eu acredito muito no Brasil e contem comigo para tentar melhorar essa bagunça geral aqui.”

Ele acredita no Brasil? Os empresários parceiros de Huck também acreditam e por isso destroem o país por controle remoto, dentro de seus bunkers instalados em suas mansões e castelos em algum país europeu bem distante, como faz Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, de empresas de energia e que gerencia o golpe dentro de uma mansão caríssima na Suíça. E Huck foi sincero. Ele não vai acabar a bagunça (golpe). Ele vai melhorar a bagunça, torna-la mais palatável para aparecer linda e faceira na mídia golpista

Com a mais certa das certezas, Huck, como apoiador do golpe e amigo de golpista, ele dará seguimento às maldades de Temer. Quem votar em Luciano Huck, votou a favor do golpe e deseja sinceramente que boa parte da população brasileira se exploda.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Globo de Ouro e a hipocrisia hollywoodiana

Como sabemos, um monte de celebridades decidiu usar preto na noite de entrega de prêmios do Globo de Ouro como forma de "protesto" contra os abusos sexuais cometidos nos bastidores de Hollywood conhecidos tradicionalmente como "testes do sofá". Discursos contra assédio foram feitos, fazendo a premiação parecer um ato de conscientização social.

Mas o que aos olhos do público pareceu uma conscientização de grande parte das celebridades hollywoodianas, pode ter sido apenas um modismo ou uma forma hipócrita de demonstrar bom mocismo e consciência humana por parte de arrogantes acostumados a viver trancados em suas confortáveis mansões enquanto o mundo se destrói aos poucos.

O que reforça a hipocrisia é que boa parte das celebridades ou nada tem a ver com os casos de assédio ou possivelmente aceitaram o assedio numa boa para só agora se voltar contra. É estranho que todas as celebridades assediadas tenham não gostado do assédio, deixando passar por muito tempo para ficar contra. Principalmente quando assediadores são magnatas cheios da nota e poder, o tipo de pessoa que todos querem se associar.

Mas algumas celebridades preferiram não se calar diante deste tipo de assédio e estranhamente não foram convidadas a participar do Globo de Ouro, que preferiu um protesto silencioso que soou hipócrita. Várias celebridades levaram ativistas como companhia, mas nm isso adiantou para esconder a hipocrisia.

Rose McGowan está certa

A primeira celebridade a denunciar o caso, a atriz Rose McGowan, conhecida pelo seriado Charmed, criticou a atitude das celebridades, classificada pela atriz como hipocrisia. McGowan algou que se não fosse por ela, o caso com o poderoso produtor da Miramax, Harvey Weinstein, não teria sido conhecido, dando origem a uma série de denúncias envolvendo outros poderosos de Hollywood.

Claro que o fato de Gowan estar fora de algum trabalho de sucesso nos últimos anos, sendo tratada como "hasbeen" (decadente), faz com que muita gente não leve a sério o que ela diz. Pensam que ela é uma perdedora querendo voltar aos holofotes. Mas não é assim. Certamente ela perdeu muitas oportunidades de trabalho graças às denúncias, pois poderosos, não por afeto ou amizade, mas por interesses, costumam ser unidos entre si.

A denúncia só ganhou força quando McGowan ganhou apoio de outras atrizes como Asia Argento, filha do famoso cineasta Dário Argento. Argento inclusive mandou mensagem de apoio a McGowan  pelas críticas feitas às celebridades que decidiram vestir preto no Globo de Ouro.

A denúncia feita por McGowan não foi e ainda não é fácil, pois envolve poderosos, gente com capacidade de decidir o destino de alguém com uma simples canetada. Normalmente a vítima que denuncia é difamada e acusada de usar casos de assédio como forma de obter benefícios. 

"Eles culpam a vítima, eles fazem toda essa porcaria. As pessoas são criadas para ter medo. Eles são criados para colocar o medo nas pessoas e é o que eles fazem, eles são criados para colocar o medo nos editores e advogados e eles superam isso, e eu vou fazer o que posso e denuciar o máximo que puder", disse McGowan.

O assédio nos bastidores da industria de entretenimento e de esportes são mais comuns do que se imagina. Há muitas ameaças em troca de sexo ou de domínio violento. Jovens esportistas acusam com frequência atos de despotismo cometido por treinadores violentos. Atrizes costumam fazer os tais "testes do sofá" e não raramente são obrigadas a contrair matrimônio com diretores em troca de bons papéis. Uma estória triste revelada nos EUA e que está bem longe de acabar.

Enquanto isso no Brasil, fora um e outro caso de assédio que é denunciado, tudo segue em absoluto silêncio, mesmo tendo produtores, diretores e autoridades ainda mais autoritários, arrogantes e sexólatras que os norte-americanos. 

Lamentavelmente, Podem estar ocorrendo sob o mais misterioso silêncio vários fatos cruéis ocorridos dentro das trancafiadas quatro paredes da indústria do entretenimento brasileira. Estamos esperando por uma "Rose McGowan" brasileira, para denunciar isso tudo. Quem se habilita?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Luciano Huck dá uma verdadeira aula de hipocrisia

Muita gente fala em hipocrisia, uma situação em que uma pessoa mostra na prática o oposto do que defendia na teoria. Mas se você não sabia exatamente o que é hipocrisia, teve a oportunidade ontem de ver um verdadeiro hipócrita falando: Luciano Huck. Foi na edição do programa do amigo de Michel Temer, Fausto Silva.

Se apresentando, ao lado da esposa - aquela que paga mucamas para segurarem guarda-chuvas - como uma verdadeira coletânea de qualidades, o apresentador, que não por acaso tem nariz grande, e que recentemente reatou com o "traidor" Aécio Neves, seu melhor amigo e sócio em empreitadas milionárias, revelou de forma muito sutil que está de volta à corrida presidencial.

O empresário-apresentador se apresentou como se fosse um cidadão preocupado com o país e dotado de um falso senso de altruísmo que, para quem conhece ele a fundo, soa como uma verdadeira lição de como ser um hipócrita. Sabe-se que ideologicamente Huck é o oposto de altruísmo e que ao declarar, em carta publicada antes, que apoia as reformas de Temer, é fácil perceber que desenvolver o Brasil e melhorar a vida da população passam bem longe dos objetivos do sisudo apresentador.

Huck é parente de membros do PSDB, tem origem aristocrática, é amigo de vários direitistas, empresário dono  e sócio de inúmeras empresas, é o melhor amigo de Aécio, é fã do juiz do PSDB Sérgio Moro e já demostrou ser a favor do golpe de 2016 e das medidas sádicas tomadas por Temer e que estão arruinando com a soberania do Brasil e os direitos da população, contrariando a declaração dada pelo próprio no Domingão do Faustão, que alegava defesa da soberania e de direitos.

Huck decidiu voltar à ideia de se tornar presidente da República porque a direita precisa de alguém que represente uma nova embalagem ao retrógrado e ganancioso neoliberalismo. Vendo Lula crescer nas pesquisas, a direita se desespera e tem medo de que as reformas sádicas de Temer sejam revogadas, ameaçando a ganância da alta burguesia da qual pertence Huck, sua família e seus amigos e sócios.

E agora, Huck?

O economista e analista político Leonardo Stoppa sabiamente havia dito, sob dúvidas de seus parceiros no excelente canal alternativo de jornalismo Brasil 247, de que Huck não havia desistido e que a falsa desistência de Huck era apenas um jogo para forjar um queremismo além de outras razões estratégicas que beneficiariam a imagem do empresário-apresentador. Stoppa estava mais do que certo e as intenções do apresentador narigudo se confirmaram.

Apesar de nada estar definitivamente decidido sobre a campanha de Huck, sabe-se de duas coisas: O PPS de Roberto Freire (esquerdista que descambou para a direita) está assumidamente interessado no rapaz e que seu programa de governo não pretende revogar as maldades de Temer, preferindo apenas amenizá-las. Por exemplo, pode ser que Fuck não reduza o salário mínimo a R$ 200, como querem os plutocratas, mas a R$ 500, para doer menos no bolso.

Se Lula for (politicamente) preso, o que é uma vontade secreta de Huck, o apresentador tem a esperança de herdar boa parte dos eleitores do ex-presidente, já que vários deles são telespectadores do Caldeirão e acreditam no falso altruísmo mostrado no programa. Aguardemos.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

PSOL, o partido da esquerda havaiana, poderá trair a esquerda consciente

A esquerda em geral é muito ingênua e relação ao PSOL. Está tratando os casos de surtos direitistas de integrantes do partido como se fossem meros espirros, sem sequer levantar algum tipo de desconfiança. Estes casos cada vez mais frequentes de surtos direitistas do PSOL merecem ser tratados com atenção e cautela.

Representantes do que se pode chamar de "esquerda havaiana", aquela que vive meio fora da realidade, o PSOL dá sinais claros de que pode assumir um direitismo, fazendo-nos crer - não estamos confirmando, apenas supondo - de que o PSOL e forças similares podem ser o "Cabo Anselmo" do golpe de 2016.

Há um fator ideológico que pode fortalecer a nossa tese: o PSOL não é um partido de proletários e sim de pequenos burgueses, com um certo nível de conforto de vida. Não combateram o golpe de forma mais decisiva - apenas de forma morna - e colocaram a reforma trabalhista, que para a equipe do blog é a pior coisa feita no governo Temer, em segundo plano, pois ela não prejudicará a classe econômica da qual pertence os integrantes do PSOL.

O PSOL é famoso por priorizar causas comportamentais e de ignorar que o "funk" é um produto das elites, com função puramente lúdica, que foi jogado para os pobres fingirem que é o seu patrimônio. Algo como a versão musical da "Teoria da dependência" de Fernando Henrique Cardoso, mestre enrustido de muitos intelectuais psolistas, defensores não do sociólogo, mas de suas ideias.

Por causa do PSOL é que a esquerda havaiana defende que usar drogas é saudável, vender o corpo é digno, golpe do baú é romantismo, "funk" é cultura superior intelectualizada, futebol é dever cívico e que lutar contra a reforma trabalhista é perda de tempo. Pior que toda a esquerda, simpática ao festivo PSOL transformou estas ideias em verdades absolutamente inquestionáveis.

O partido costuma fazer coligações com partidos de direita moderados e vários integrantes fizeram declarações estranhas que deixam vazar a vocação direitista de um partido claramente pequeno burguês e pouco interessado na transformação real do país.

Várias entidades ligadas ou simpáticas ao partido são financiadas por instituições ligadas a George Soros e como falei, costumam se manifestar de forma morna sobre as atrocidades cometidas contra os direitos das classes operárias. Como se a luta pelo emprego e pela melhoria da distribuição de renda - incluindo o salário mínimo justo  de cerca de R$ 3.0000 - fosse uma causa quase supérflua, que não deve ser priorizada.

Integrantes do PSOL já se manifestaram a favor da Lava Jato. Outros já posaram alegremente ao lado de tucanos. Uma importante liderança fez um comentário respeitoso sobre Bolsonaro, o candidato dos jovens fascistas. E a Rede Globo apoiou claramente Freixo na campanha para a prefeitura do Rio. O que se deve ver com alta desconfiança, pois a Globo não apoia socialistas.

Estas e outros fatores que não lembramos no momento nos levam a desconfiar da postura dos integrantes do PSOL, um partido festivo, que atrai a simpatia de todos , mas que a médio-longo prazo pode revelar a sua verdadeira cara graças as atitudes estranhas que não deixam de cometer.

Convém lembrar que golpes bem sucedidos tem infiltrados e que o Imperialismo das grandes corporações tem grana o suficiente para patrocinar um esquema em que uma entidade se disfarce de progressista e se infiltre para destruir por dentro, garantindo os interesses gananciosos das elites interessadas em governar toda a humanidade.

Não estamos afirmando que este entidade seria o PSOL. Mas que ela age de forma estranha para um partido que se aforma progressista, aí ela age. Fiquemos de olho neles.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O queremismo de Luciano Huck


Recentemente, após uma intensa campanha que incluía negociações - ainda em aberto - com partidos políticos, o empresário filiado ao PSDB Luciano Huck, tambem apresentador de um programa de TV e falso filantropo, havia dito que "desistia" de se lançar como candidato à Presidência da República do Brasil. 


Mas um fato divulgado hoje mostrou que, como disse sabiamente o economista e analista político Leonardo Stoppa, Huck não desistiu de fato da candidatura, apenas esperando a hora certa para oficializar a sua candidatura, após o assentar da poeira dos escândalos envolvendo seu amigo e sócio Aécio Neves com quem acaba de fazer as pazes.

Huck pediu aos institutos de pesquisa que mantivessem seu nome nas simulações de eleição, certamente para que o empresário tivesse noção de sua popularidade e aceitação eleitoral, principalmente na possibilidade de Lula ser preso e tirado na marra da competição. 

Luciano Huck conta com a sua popularidade como apresentador de TV, "filantropo" e "agitador cultural" para conquistar eleitores do ex-presidente, cuja orientação político-social prejudica interesses da classe da qual Huck faz parte. É fato de que muitos eleitores de Lula gostam de Huck como apresentador, se comovendo com o falso altruísmo mostrado no programa, confundindo-o como suposta responsabilidade social, o que poderia favorecê-lo na corrida presidencial.

Ou seja, o pedido de manutenção de seu nome nas pesquisas sinaliza um queremismo de Huck, que fingiu desistir das ambições presidenciais esperando um queremismo que faça todos acreditarem que ele desistiu da desistência porque "o povo pediu para que ele retorne à ideia de se tornar presidente".

Sabemos que o apresentador-empresário é uma raposa velha nas vésperas de completar meio-século de vida. Ele nada tem de jovial ou de ingênuo e apesar de formado em Direito, é um publicitário nato, sabendo muito bem usar os fatos a seu favor. Se ele se tornar presidente, certamente foi graças a seu senso publicitário. 

Em contrapartida, em matéria de melhorar o país ele deu sinais claros de que não sabe nada, graças a sua imutável orientação ideológica neoliberal, preferindo trabalhar em prol da classe burguesa a qual ele pertence.