quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Analisando o comentário de Luciano Huck

Como sabemos, Luciano Huck foi ao programa de Fausto Silva para, de forma sutil, revelar que estava retomando a ideia de se candidatar a presidente. Atendendo uma espécie de queremismo das elites brasileiras, ele retomou a decisão consciente de que é a melhor opção para convencer o eleitorado jovem e pobre de que o golpe deve ser mantido, com todas as suas truculências.

Mas de forma hipócrita, até para reforçar a sua falsa imagem de bom-moço, utilizando uma estratégia publicitária (apesar de formado em Direito, Huck é um excelente publicitário, na opinião deste blog a sua única qualidade), respondeu utilizando palavras lindas e a defesa de valores nobres, para imediatamente atrair o apoio de telespectadores hipnotizados pelas comoventes declarações.

Separamos uma declaração longa dada a Fausto Silva, comentando cada trecho com base do que sabemos sobre o empresário-apresentador, parente de integrantes do PSDB e tendo Aécio Neves como seu melhor amigo e um dos sócios. 

Huck é plutocrata, aristocrata e só usa a democracia para convencer incautos. Mas já avisou que se eleito, preservará as crueldades de Temer. Vendo o falso altruísmo em seus programas, percebemos como Huck ajudará os mais carentes, com paliativos que não compensam a ausência de dignidade. 

Dignidade é um bem sempre recusado aos pobres por políticos de direita e por lideranças comprometidas coma as elites financeiras, casos em que Huck se encaixa com perfeição. 

O comentário de Huck no programa de Fausto Silva

Vamos ao comentário do empresário-apresentador, ao responder Fausto sobre se seria candidato a presidente:

- “Minha missão este ano é tentar motivar as pessoas a que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. (...)"

"Consciência", entenda-se de acordo com o que Huck e a classe da qual ele pertence, a dos plutocratas ricos de mentalidade egoística-conservadora pensa.

- "Eu jamais vou ser o salvador da pátria. O que vai acontecer na minha vida, eu também não sei. (...)"

Com certeza ele não será o tal salvador. Ideologicamente conservador, ele agirá para afundar ainda mais o Brasil, a não ser que ele rompa ideologicamente com as suas convicções pessoais e vire um lulista. Quanto a não saber o que vai acontecer, ele sabe sim. Ele é raposa velha quase cinquentona. Ele só está esperando a hora certa para dizer o que pretende fazer. 

- "Eu amo o que faço, eu amo estar todo sábado na televisão, eu gosto muito de estar com as pessoas e contar as histórias. (...)"

Quem não amaria ser bilhardário, amado por todos e com influência sobre todas as pessoas podendo mexer nas leis a seu favor e escapar de escândalos sem o mais microscópico arranhão? Se ele gosta de estar com pessoas, ah ele gosta. Desde que logo em seguida ele tome um banho intenso para se limpar da "sujeira do povo" e recuperar a sua assepsia burguesa.

- "O que o destino, que Deus espera para mim, eu vou deixar rolar. (...)"

Dá para perceber que ele terá o apoio dos fundamentalistas cristãos, que em nome de seja lá Quem for, fará o que quiser, impondo a toda a população brasileira as suas convicções pessoais, ainda não confirmadas pela responsável ciência.

- " Neste momento, agora começo de janeiro, ainda acho que o meu papel com esse microfone na mão e aqui na TV Globo e motivando as pessoas pode ser talvez até mais importante do que estar lá. (...)"

Calma que ele espera a hora certa para se manifestar. Por enquanto ele usará o seu programa para fazer a sua propaganda política através de um altruísmo seletivo e mal feito que compensará a falta de consciência social de sua gestão política.

 - "Mas eu vou participar, eu vou botar a mão na massa, eu quero ajudar, eu acredito muito no Brasil e contem comigo para tentar melhorar essa bagunça geral aqui.”

Ele acredita no Brasil? Os empresários parceiros de Huck também acreditam e por isso destroem o país por controle remoto, dentro de seus bunkers instalados em suas mansões e castelos em algum país europeu bem distante, como faz Jorge Paulo Lemann, dono da Ambev, de empresas de energia e que gerencia o golpe dentro de uma mansão caríssima na Suíça. E Huck foi sincero. Ele não vai acabar a bagunça (golpe). Ele vai melhorar a bagunça, torna-la mais palatável para aparecer linda e faceira na mídia golpista

Com a mais certa das certezas, Huck, como apoiador do golpe e amigo de golpista, ele dará seguimento às maldades de Temer. Quem votar em Luciano Huck, votou a favor do golpe e deseja sinceramente que boa parte da população brasileira se exploda.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Globo de Ouro e a hipocrisia hollywoodiana

Como sabemos, um monte de celebridades decidiu usar preto na noite de entrega de prêmios do Globo de Ouro como forma de "protesto" contra os abusos sexuais cometidos nos bastidores de Hollywood conhecidos tradicionalmente como "testes do sofá". Discursos contra assédio foram feitos, fazendo a premiação parecer um ato de conscientização social.

Mas o que aos olhos do público pareceu uma conscientização de grande parte das celebridades hollywoodianas, pode ter sido apenas um modismo ou uma forma hipócrita de demonstrar bom mocismo e consciência humana por parte de arrogantes acostumados a viver trancados em suas confortáveis mansões enquanto o mundo se destrói aos poucos.

O que reforça a hipocrisia é que boa parte das celebridades ou nada tem a ver com os casos de assédio ou possivelmente aceitaram o assedio numa boa para só agora se voltar contra. É estranho que todas as celebridades assediadas tenham não gostado do assédio, deixando passar por muito tempo para ficar contra. Principalmente quando assediadores são magnatas cheios da nota e poder, o tipo de pessoa que todos querem se associar.

Mas algumas celebridades preferiram não se calar diante deste tipo de assédio e estranhamente não foram convidadas a participar do Globo de Ouro, que preferiu um protesto silencioso que soou hipócrita. Várias celebridades levaram ativistas como companhia, mas nm isso adiantou para esconder a hipocrisia.

Rose McGowan está certa

A primeira celebridade a denunciar o caso, a atriz Rose McGowan, conhecida pelo seriado Charmed, criticou a atitude das celebridades, classificada pela atriz como hipocrisia. McGowan algou que se não fosse por ela, o caso com o poderoso produtor da Miramax, Harvey Weinstein, não teria sido conhecido, dando origem a uma série de denúncias envolvendo outros poderosos de Hollywood.

Claro que o fato de Gowan estar fora de algum trabalho de sucesso nos últimos anos, sendo tratada como "hasbeen" (decadente), faz com que muita gente não leve a sério o que ela diz. Pensam que ela é uma perdedora querendo voltar aos holofotes. Mas não é assim. Certamente ela perdeu muitas oportunidades de trabalho graças às denúncias, pois poderosos, não por afeto ou amizade, mas por interesses, costumam ser unidos entre si.

A denúncia só ganhou força quando McGowan ganhou apoio de outras atrizes como Asia Argento, filha do famoso cineasta Dário Argento. Argento inclusive mandou mensagem de apoio a McGowan  pelas críticas feitas às celebridades que decidiram vestir preto no Globo de Ouro.

A denúncia feita por McGowan não foi e ainda não é fácil, pois envolve poderosos, gente com capacidade de decidir o destino de alguém com uma simples canetada. Normalmente a vítima que denuncia é difamada e acusada de usar casos de assédio como forma de obter benefícios. 

"Eles culpam a vítima, eles fazem toda essa porcaria. As pessoas são criadas para ter medo. Eles são criados para colocar o medo nas pessoas e é o que eles fazem, eles são criados para colocar o medo nos editores e advogados e eles superam isso, e eu vou fazer o que posso e denuciar o máximo que puder", disse McGowan.

O assédio nos bastidores da industria de entretenimento e de esportes são mais comuns do que se imagina. Há muitas ameaças em troca de sexo ou de domínio violento. Jovens esportistas acusam com frequência atos de despotismo cometido por treinadores violentos. Atrizes costumam fazer os tais "testes do sofá" e não raramente são obrigadas a contrair matrimônio com diretores em troca de bons papéis. Uma estória triste revelada nos EUA e que está bem longe de acabar.

Enquanto isso no Brasil, fora um e outro caso de assédio que é denunciado, tudo segue em absoluto silêncio, mesmo tendo produtores, diretores e autoridades ainda mais autoritários, arrogantes e sexólatras que os norte-americanos. 

Lamentavelmente, Podem estar ocorrendo sob o mais misterioso silêncio vários fatos cruéis ocorridos dentro das trancafiadas quatro paredes da indústria do entretenimento brasileira. Estamos esperando por uma "Rose McGowan" brasileira, para denunciar isso tudo. Quem se habilita?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Luciano Huck dá uma verdadeira aula de hipocrisia

Muita gente fala em hipocrisia, uma situação em que uma pessoa mostra na prática o oposto do que defendia na teoria. Mas se você não sabia exatamente o que é hipocrisia, teve a oportunidade ontem de ver um verdadeiro hipócrita falando: Luciano Huck. Foi na edição do programa do amigo de Michel Temer, Fausto Silva.

Se apresentando, ao lado da esposa - aquela que paga mucamas para segurarem guarda-chuvas - como uma verdadeira coletânea de qualidades, o apresentador, que não por acaso tem nariz grande, e que recentemente reatou com o "traidor" Aécio Neves, seu melhor amigo e sócio em empreitadas milionárias, revelou de forma muito sutil que está de volta à corrida presidencial.

O empresário-apresentador se apresentou como se fosse um cidadão preocupado com o país e dotado de um falso senso de altruísmo que, para quem conhece ele a fundo, soa como uma verdadeira lição de como ser um hipócrita. Sabe-se que ideologicamente Huck é o oposto de altruísmo e que ao declarar, em carta publicada antes, que apoia as reformas de Temer, é fácil perceber que desenvolver o Brasil e melhorar a vida da população passam bem longe dos objetivos do sisudo apresentador.

Huck é parente de membros do PSDB, tem origem aristocrática, é amigo de vários direitistas, empresário dono  e sócio de inúmeras empresas, é o melhor amigo de Aécio, é fã do juiz do PSDB Sérgio Moro e já demostrou ser a favor do golpe de 2016 e das medidas sádicas tomadas por Temer e que estão arruinando com a soberania do Brasil e os direitos da população, contrariando a declaração dada pelo próprio no Domingão do Faustão, que alegava defesa da soberania e de direitos.

Huck decidiu voltar à ideia de se tornar presidente da República porque a direita precisa de alguém que represente uma nova embalagem ao retrógrado e ganancioso neoliberalismo. Vendo Lula crescer nas pesquisas, a direita se desespera e tem medo de que as reformas sádicas de Temer sejam revogadas, ameaçando a ganância da alta burguesia da qual pertence Huck, sua família e seus amigos e sócios.

E agora, Huck?

O economista e analista político Leonardo Stoppa sabiamente havia dito, sob dúvidas de seus parceiros no excelente canal alternativo de jornalismo Brasil 247, de que Huck não havia desistido e que a falsa desistência de Huck era apenas um jogo para forjar um queremismo além de outras razões estratégicas que beneficiariam a imagem do empresário-apresentador. Stoppa estava mais do que certo e as intenções do apresentador narigudo se confirmaram.

Apesar de nada estar definitivamente decidido sobre a campanha de Huck, sabe-se de duas coisas: O PPS de Roberto Freire (esquerdista que descambou para a direita) está assumidamente interessado no rapaz e que seu programa de governo não pretende revogar as maldades de Temer, preferindo apenas amenizá-las. Por exemplo, pode ser que Fuck não reduza o salário mínimo a R$ 200, como querem os plutocratas, mas a R$ 500, para doer menos no bolso.

Se Lula for (politicamente) preso, o que é uma vontade secreta de Huck, o apresentador tem a esperança de herdar boa parte dos eleitores do ex-presidente, já que vários deles são telespectadores do Caldeirão e acreditam no falso altruísmo mostrado no programa. Aguardemos.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

PSOL, o partido da esquerda havaiana, poderá trair a esquerda consciente

A esquerda em geral é muito ingênua e relação ao PSOL. Está tratando os casos de surtos direitistas de integrantes do partido como se fossem meros espirros, sem sequer levantar algum tipo de desconfiança. Estes casos cada vez mais frequentes de surtos direitistas do PSOL merecem ser tratados com atenção e cautela.

Representantes do que se pode chamar de "esquerda havaiana", aquela que vive meio fora da realidade, o PSOL dá sinais claros de que pode assumir um direitismo, fazendo-nos crer - não estamos confirmando, apenas supondo - de que o PSOL e forças similares podem ser o "Cabo Anselmo" do golpe de 2016.

Há um fator ideológico que pode fortalecer a nossa tese: o PSOL não é um partido de proletários e sim de pequenos burgueses, com um certo nível de conforto de vida. Não combateram o golpe de forma mais decisiva - apenas de forma morna - e colocaram a reforma trabalhista, que para a equipe do blog é a pior coisa feita no governo Temer, em segundo plano, pois ela não prejudicará a classe econômica da qual pertence os integrantes do PSOL.

O PSOL é famoso por priorizar causas comportamentais e de ignorar que o "funk" é um produto das elites, com função puramente lúdica, que foi jogado para os pobres fingirem que é o seu patrimônio. Algo como a versão musical da "Teoria da dependência" de Fernando Henrique Cardoso, mestre enrustido de muitos intelectuais psolistas, defensores não do sociólogo, mas de suas ideias.

Por causa do PSOL é que a esquerda havaiana defende que usar drogas é saudável, vender o corpo é digno, golpe do baú é romantismo, "funk" é cultura superior intelectualizada, futebol é dever cívico e que lutar contra a reforma trabalhista é perda de tempo. Pior que toda a esquerda, simpática ao festivo PSOL transformou estas ideias em verdades absolutamente inquestionáveis.

O partido costuma fazer coligações com partidos de direita moderados e vários integrantes fizeram declarações estranhas que deixam vazar a vocação direitista de um partido claramente pequeno burguês e pouco interessado na transformação real do país.

Várias entidades ligadas ou simpáticas ao partido são financiadas por instituições ligadas a George Soros e como falei, costumam se manifestar de forma morna sobre as atrocidades cometidas contra os direitos das classes operárias. Como se a luta pelo emprego e pela melhoria da distribuição de renda - incluindo o salário mínimo justo  de cerca de R$ 3.0000 - fosse uma causa quase supérflua, que não deve ser priorizada.

Integrantes do PSOL já se manifestaram a favor da Lava Jato. Outros já posaram alegremente ao lado de tucanos. Uma importante liderança fez um comentário respeitoso sobre Bolsonaro, o candidato dos jovens fascistas. E a Rede Globo apoiou claramente Freixo na campanha para a prefeitura do Rio. O que se deve ver com alta desconfiança, pois a Globo não apoia socialistas.

Estas e outros fatores que não lembramos no momento nos levam a desconfiar da postura dos integrantes do PSOL, um partido festivo, que atrai a simpatia de todos , mas que a médio-longo prazo pode revelar a sua verdadeira cara graças as atitudes estranhas que não deixam de cometer.

Convém lembrar que golpes bem sucedidos tem infiltrados e que o Imperialismo das grandes corporações tem grana o suficiente para patrocinar um esquema em que uma entidade se disfarce de progressista e se infiltre para destruir por dentro, garantindo os interesses gananciosos das elites interessadas em governar toda a humanidade.

Não estamos afirmando que este entidade seria o PSOL. Mas que ela age de forma estranha para um partido que se aforma progressista, aí ela age. Fiquemos de olho neles.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O queremismo de Luciano Huck


Recentemente, após uma intensa campanha que incluía negociações - ainda em aberto - com partidos políticos, o empresário filiado ao PSDB Luciano Huck, tambem apresentador de um programa de TV e falso filantropo, havia dito que "desistia" de se lançar como candidato à Presidência da República do Brasil. 


Mas um fato divulgado hoje mostrou que, como disse sabiamente o economista e analista político Leonardo Stoppa, Huck não desistiu de fato da candidatura, apenas esperando a hora certa para oficializar a sua candidatura, após o assentar da poeira dos escândalos envolvendo seu amigo e sócio Aécio Neves com quem acaba de fazer as pazes.

Huck pediu aos institutos de pesquisa que mantivessem seu nome nas simulações de eleição, certamente para que o empresário tivesse noção de sua popularidade e aceitação eleitoral, principalmente na possibilidade de Lula ser preso e tirado na marra da competição. 

Luciano Huck conta com a sua popularidade como apresentador de TV, "filantropo" e "agitador cultural" para conquistar eleitores do ex-presidente, cuja orientação político-social prejudica interesses da classe da qual Huck faz parte. É fato de que muitos eleitores de Lula gostam de Huck como apresentador, se comovendo com o falso altruísmo mostrado no programa, confundindo-o como suposta responsabilidade social, o que poderia favorecê-lo na corrida presidencial.

Ou seja, o pedido de manutenção de seu nome nas pesquisas sinaliza um queremismo de Huck, que fingiu desistir das ambições presidenciais esperando um queremismo que faça todos acreditarem que ele desistiu da desistência porque "o povo pediu para que ele retorne à ideia de se tornar presidente".

Sabemos que o apresentador-empresário é uma raposa velha nas vésperas de completar meio-século de vida. Ele nada tem de jovial ou de ingênuo e apesar de formado em Direito, é um publicitário nato, sabendo muito bem usar os fatos a seu favor. Se ele se tornar presidente, certamente foi graças a seu senso publicitário. 

Em contrapartida, em matéria de melhorar o país ele deu sinais claros de que não sabe nada, graças a sua imutável orientação ideológica neoliberal, preferindo trabalhar em prol da classe burguesa a qual ele pertence.

sábado, 30 de dezembro de 2017

PSOL: o partido dos infiltrados?

Um golpe, para ser bem sucedido, tem que ter infiltrados, ou seja, representantes do inimigo disfarçados de amigos para destruir um grupo ou uma ideologia por dentro, como um vírus que mata uma bactéria após entrar nela. 

O golpe de 2016, que apesar de desmoralizado se mostrou bem sucedido, pois não há sinais de cancelamento das medidas tomadas por ele, ainda não mostrou o seu infiltrado. Tentaram fazer do oficial Balta e do ex-ministro Antonio Palocci como "novos Cabos Anselmos". Mas as atitudes deles representam mais casos isolados do que uma tentativa de manutenção do golpe. Os infiltrados não eram eles. Então quem são?

Sabemos que os infiltrados trabalham na área da cultura, mesmo que pertençam a política e ao judiciário. É nítida a inserção de ideias afinadas com a teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso, maior liderança do PSDB, na defesa de certos hábitos, costumes e na produção cultural, observadas nas esquerdas atuais. Num país onde as esquerdas são fracas, é muito fácil entrar "corpos estranhos" e se infiltrar no pensamento progressista para dinamitá-lo.

Mesmo que os infiltrados estejam na área cultural, há um partido de esquerda que age de forma estranha, dando sinais de que pode se "endireitar" a qualquer momento, fazendo ocorrer o que já ocorreu com o PV e o PPS, ambos nascidos como partidos de esquerda e convertidos ao mais conservador direitismo. Este partido é o PSOL.

Partido dos pequenos burgueses

Para entender a postura aparentemente direitista do PSOL, é importante lembrar de que não se trata de um partido formado por excluídos. O PSOL é formado majoritariamente por pequenos burgueses, entre professores universitários (orientados pela USP de FHC & CIA) e empresários de pequeno porte. As suas causas predominantes são a defesa de ideologias como causas LGBT, Feminismo, ecologia, consumo de drogas e a apologia ao controverso "funk" (que ridiculariza as classes trabalhadoras). Aliás o PSOL é partidário da ideia surreal de que "cultura boa é cultura mercenária e de má qualidade".

Embora não desprezem, costumam subestimar a luta por melhores condições de vida, como o fim do desemprego, aumento de salários e a participação de trabalhadores na economia nacional. Causas que rendam polêmicas e que estejam mais relacionados com comportamento do que com qualidade de vida são prioritárias para os integrantes do PSOL, que agem como escandinavos, como se não tivéssemos problemas no mundo real.

Não que estas causas não fossem validas, mas elas não são prioritárias num país onde há desigualdades sociais, concentração de renda, alto desemprego e má qualidade no serviço público. Priorizar causas comportamentais é algo típico de quem não tem problemas na área econômica e isso parece mais coisa de direitista moderno. Não esqueçamos que há ramos na direita, um pouquinho mais progressistas, que apoiam estas causas, confundidas com causas "de esquerda". Luciano Huck é um exemplo que representa bem a direita afinada com os ideais do PSOL.

Aos poucos, o PSOL, partido com estas típicas características, vai mostrando a sua cara. Políticos do PSOL já foram vistos confraternizando com direitistas do PSDB. Vários integrantes do partido fizeram críticas destrutivas a Lula e ao PT. No repertório ideológico do partido, há ideias que parecem ter sido retiradas dos livros de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, o partido bate o pé e insiste em se auto-rotular de esquerdista.

Marcelo Freixo, um direitista enrustido?

Uma entrevista dada a um dos "diários oficiais" do Golpe, a Folha de São Paulo, dada por Marcelo Freixo, uma das lideranças do partido, dá mais sinais de que o PSOL pode se "endireitar". Criticou mais uma vez Lula e se recusou a participar de uma união das esquerdas para tentar acabar com o golpe.

Aliás, acabar com o golpe nunca foi prioridade do PSOL, que age como se seus integrantes e simpatizantes não sofressem os danos das medidas tomadas na gestão Temer. Aliás, nem mesmo outros partidos de esquerda, muito mais preocupados em defender posturas do que defender os interesses do povo brasileiro. Ainda mais que em 2018 teremos copa de futebol, assunto prioritário para grande parte dos esquerdistas, sobretudo para Freixo, carioca nascido na terra onde futebol é obrigação social irrecusável..

Freixo apoiou seu xará, o juiz-chefe da filiar carioca da Lava Jato, Marcelo Bretas, evangélico fanático que sonha em ver a Constituição de 1988 ser substituída pela alucinada e datada Bíblia de 2000 anos atrás. Freixo obtém simpatia por parte de setores da burguesia carioca e foi apoiado pela Rede Globo nas eleições para prefeito. Freixo e seu partido não sofrem críticas de nenhum direitista, o que aumentam ainda mais as suspeitas e o estigma de "esquerda que a direita gosta". 

Não vamos ficar fazendo acusações, mas é estranho o comportamento não somente de Freixo, mas de todo o partido PSOL, que age como se quisesse ser uma direita mais progressista. Até porque lutar pelo bem estar de pobres e trabalhadores nunca foi meta do PSOL, interessada mesmo em defender causas simpáticas à pequena burguesia. 

Isso nos leva a crer na possibilidade de serem os infiltrados do golpe de 2016, escalados para domesticar as esquerdas para que os interesses não somente da pequena burguesia, mas da alta e gigantesca burguesia - gestoras das grandes corporações - sejam preservados e respeitados.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

As esquerdas querem a hegemonia do futebol

Não adianta. Em matéria de lazer, diversão e cultura, os esquerdistas resolverem que os Capitalistas sabem cuidar melhor da diversão do povo. Celebridades, costumes, músicas, filmes e obras em geral, criadas e gerenciadas por capitalistas devem ser respeitadas como se houvesse uma espontaneidade e como se não fosse instrumentos de manipulação ideológica.

Vários sites de esquerda estão lutando para a preservação do futebol como hegemonia nacional, quase como um dever cívico compulsório. Com a desculpa de ser nosso "vem cultural" e "maior identidade do brasileiro", esquerdistas retomam o fanatismo futebolístico que estava ameaçado com as críticas contra as caríssima obras da copa. 

Como a copa de 2018 não depende de gastos exorbitantes no Brasil, a tranquila barulheira pelo futebol retoma o seu tradicional caos. Ou seja, retoma-se a priorização do futebol e o desejo de vitória em uma copa como se isso fosse de extrema urgência para a dignidade nacional. falta agora sonhar com o tucano Neymar como vice de Lula nas próximas eleições.

Se esquecem os direitistas de que futebol é item supérfluo, por ser um mero lazer. Nem o papo de "identidade" convence pois se identidade fosse importante, estaríamos vestidos como indígenas até hoje em nosso cotidiano. E com a mais certa das certezas, nenhum brasileiro morrerá caso o futebol seja extinto. A não se de suicídio.

Outra coisa que passa longe das mentes esquerdistas é que a magia do futebol é postiça. Futebol depende da grande mídia e de cartolas mercenários para ter a pompa que caracteriza a sua magia. Caso contrário vira uma pelada de várzea. 

Também é bom recordar que o futebol é obrigação social para a maioria das pessoas (seja qual for a ideologia de cada uma delas), que fingem gostar, através do espiral do silêncio que diz que uma pessoa copia as outras para não se sentir solitária. É comprovado o fato de que muitos brasileiros não curtem de fato futebol, apelando apenas para o "patriotismo de copa" para se sentirem socialmente incluídos.

Tempos mudam e traços de identidade também. O futebol, esporte de direita (que ilustrou os protestos coxinhas, como forma de "patriotismo"), que depende da mídia e de dinheiro de corporações para manter a sua magia, já deu o que tinha que dar. A defesa de sua manutenção marca o traço conservador da esquerda brasileira que não setá no mínimo interessada em se livrar de suas zonas de conforto, contribuindo para que o golpe de 2016 fosse uma moleza.

Se continuarmos preocupados mais com o futebol do que com nossas vidas, seremos uma nação cujos habitantes se limitam a 11 jogadores de futebol e cujas únicas edificações ainda erguidas sejam estádios de futebol. A nossa insistência com uma mera forma de lazer comprova a nossa ainda nítida imaturidade. A brincadeira ainda vem antes do dever.