Um golpe, para ser bem sucedido, tem que ter infiltrados, ou seja, representantes do inimigo disfarçados de amigos para destruir um grupo ou uma ideologia por dentro, como um vírus que mata uma bactéria após entrar nela.
O golpe de 2016, que apesar de desmoralizado se mostrou bem sucedido, pois não há sinais de cancelamento das medidas tomadas por ele, ainda não mostrou o seu infiltrado. Tentaram fazer do oficial Balta e do ex-ministro Antonio Palocci como "novos Cabos Anselmos". Mas as atitudes deles representam mais casos isolados do que uma tentativa de manutenção do golpe. Os infiltrados não eram eles. Então quem são?
Sabemos que os infiltrados trabalham na área da cultura, mesmo que pertençam a política e ao judiciário. É nítida a inserção de ideias afinadas com a teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso, maior liderança do PSDB, na defesa de certos hábitos, costumes e na produção cultural, observadas nas esquerdas atuais. Num país onde as esquerdas são fracas, é muito fácil entrar "corpos estranhos" e se infiltrar no pensamento progressista para dinamitá-lo.
Mesmo que os infiltrados estejam na área cultural, há um partido de esquerda que age de forma estranha, dando sinais de que pode se "endireitar" a qualquer momento, fazendo ocorrer o que já ocorreu com o PV e o PPS, ambos nascidos como partidos de esquerda e convertidos ao mais conservador direitismo. Este partido é o PSOL.
Partido dos pequenos burgueses
Para entender a postura aparentemente direitista do PSOL, é importante lembrar de que não se trata de um partido formado por excluídos. O PSOL é formado majoritariamente por pequenos burgueses, entre professores universitários (orientados pela USP de FHC & CIA) e empresários de pequeno porte. As suas causas predominantes são a defesa de ideologias como causas LGBT, Feminismo, ecologia, consumo de drogas e a apologia ao controverso "funk" (que ridiculariza as classes trabalhadoras). Aliás o PSOL é partidário da ideia surreal de que "cultura boa é cultura mercenária e de má qualidade".
Embora não desprezem, costumam subestimar a luta por melhores condições de vida, como o fim do desemprego, aumento de salários e a participação de trabalhadores na economia nacional. Causas que rendam polêmicas e que estejam mais relacionados com comportamento do que com qualidade de vida são prioritárias para os integrantes do PSOL, que agem como escandinavos, como se não tivéssemos problemas no mundo real.
Não que estas causas não fossem validas, mas elas não são prioritárias num país onde há desigualdades sociais, concentração de renda, alto desemprego e má qualidade no serviço público. Priorizar causas comportamentais é algo típico de quem não tem problemas na área econômica e isso parece mais coisa de direitista moderno. Não esqueçamos que há ramos na direita, um pouquinho mais progressistas, que apoiam estas causas, confundidas com causas "de esquerda". Luciano Huck é um exemplo que representa bem a direita afinada com os ideais do PSOL.
Aos poucos, o PSOL, partido com estas típicas características, vai mostrando a sua cara. Políticos do PSOL já foram vistos confraternizando com direitistas do PSDB. Vários integrantes do partido fizeram críticas destrutivas a Lula e ao PT. No repertório ideológico do partido, há ideias que parecem ter sido retiradas dos livros de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, o partido bate o pé e insiste em se auto-rotular de esquerdista.
Marcelo Freixo, um direitista enrustido?
Uma entrevista dada a um dos "diários oficiais" do Golpe, a Folha de São Paulo, dada por Marcelo Freixo, uma das lideranças do partido, dá mais sinais de que o PSOL pode se "endireitar". Criticou mais uma vez Lula e se recusou a participar de uma união das esquerdas para tentar acabar com o golpe.
Aliás, acabar com o golpe nunca foi prioridade do PSOL, que age como se seus integrantes e simpatizantes não sofressem os danos das medidas tomadas na gestão Temer. Aliás, nem mesmo outros partidos de esquerda, muito mais preocupados em defender posturas do que defender os interesses do povo brasileiro. Ainda mais que em 2018 teremos copa de futebol, assunto prioritário para grande parte dos esquerdistas, sobretudo para Freixo, carioca nascido na terra onde futebol é obrigação social irrecusável..
Freixo apoiou seu xará, o juiz-chefe da filiar carioca da Lava Jato, Marcelo Bretas, evangélico fanático que sonha em ver a Constituição de 1988 ser substituída pela alucinada e datada Bíblia de 2000 anos atrás. Freixo obtém simpatia por parte de setores da burguesia carioca e foi apoiado pela Rede Globo nas eleições para prefeito. Freixo e seu partido não sofrem críticas de nenhum direitista, o que aumentam ainda mais as suspeitas e o estigma de "esquerda que a direita gosta".
Não vamos ficar fazendo acusações, mas é estranho o comportamento não somente de Freixo, mas de todo o partido PSOL, que age como se quisesse ser uma direita mais progressista. Até porque lutar pelo bem estar de pobres e trabalhadores nunca foi meta do PSOL, interessada mesmo em defender causas simpáticas à pequena burguesia.
Isso nos leva a crer na possibilidade de serem os infiltrados do golpe de 2016, escalados para domesticar as esquerdas para que os interesses não somente da pequena burguesia, mas da alta e gigantesca burguesia - gestoras das grandes corporações - sejam preservados e respeitados.







