Muitos dos que se consideram economicamente estabilizados, facham os ouvidos e os olhos diante de notícias que envolvem a chamada Reforma Trabalhista. Acreditam que tais reformas não os atingirão em sua estabilidade e seguem tranquilos, tratando tudo como algo específico para uma só classe, no caso a desfavorecida.
Muitas pessoas da classe média, preocupadas apenas em manter o que ganham, talvez nem sejam, pelo menos a curto-médio prazo, ameaçadas pelas reformas. Acredito que os golpistas necessitem de um considerável grupo de apoiadores entre aqueles que não terão seus direitos feridos, como profissionais liberais e servidores já estabilizados. Mas estes poderão ser prejudicados com o caos econômico que virá de carona com as reformas.
As reformas que se iniciam no próximo doa 11 prometem extinguir direitos e salários, o que significa também a extinção da função e consumidor. Micros, pequenos e médios empresários irão a falência por falta de compradores, que sem salário, obviamente não comprarão.
Há também a ameaça de acabar com a estabilidade de servidores públicos. Incluindo os já estabilizados. Coma privatização de todas as estatais - medida que já foi aprovada por Temer, no início deste mês - servidores estabilizados serão demitidos, para que outros, em condições mais precárias, possam substitui-los.
Somente empresários de grande e gigantesco porte, com ações nas bolsas de valores (rentistas) e representantes no Poder Legislativo é que ficarão salvos das reformas. Este tipo de empresariado tem outras fontes de renda que compensarão a diminuição drástica de consumidores.
Com isso, até mesmo setores da classe média alta sentirão os efeitos das reformas trabalhistas. Além dos empresários de pequeno-médio porte, advogados trabalhistas já começarão a sentir os efeitos, já que a justiça do trabalho será dificultada. Outros profissionais liberais, que cobram altos preços de seus serviços também ficarão sem clientela, sendo obrigados a fechar as suas portas.
O desastre ocorrerá de forma gradativa, mas incessante. Como a economia é uma cadeia de relações profissionais, tudo irá se despencar e ocorrerá o que especialistas chamam de "desertificação do Brasil". O Brasil como uma nação sem dignidade e com um gigantesco número de indigentes abandonados em todo o território.
Sabem o que acontece em países miseráveis como Bangladesh, com multidões de miseráveis nas calçadas das ruas? Esse é o destino inevitável a ser construído com a Reforma Trabalhista. Pode até demorar para isso acontecer, mas estudos garantem que isso será uma certeza.
Por enquanto, as classes estabilizadas estão tranquilas. A preocupação deles é sobre qual o destino no exterior a ser visitado durante as próximas férias. Mas é bom aproveitar enquanto os danos não aparecem. Pois as classes medias que apoiaram o golpe vão pagar também pelas reformas, instaurando o fato de que emprego estável se tornará um artigo de luxo em nosso país.






