quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Cai a máscara de benfeitor de Luciano Huck

Quem assiste ao Caldeirão do Huck, apresentado pelo empresário-que-virou-apresentador-sem-ter-dom-para-isso Luciano Huck, está sendo facilmente ludibriado ao vê-lo jogando bola com pobres, dando dinheiro em bens para necessitados e andando por favelas como se morasse por lá. O que emociona um monte de incautos na verdade é uma auto-propaganda feita pelo próprio apresentador, que esconde muitas intenções ocultas que podem não ser benéficas para a sociedade como um todo.

Pois eis que um fato desmascara o apresentador melhor amigo de Aécio Neves: ele acaba de fazer parte, junto com os gananciosos Abílio Diniz e Nizan Guanaez, de um projeto secreto que pretende criar uma política assumidamente neoliberal, para preservar as desigualdades que favorecem os homens mais ricos do país.

Para quem não sabe, neoliberalismo é a atualização do liberalismo. É uma doutrina político-econômica que defende a tese de que apenas os ricos devem ter direitos plenos. Segundo a mesma ideologia, todas as outras classes existem apenas para servir aos mais ricos e devem receber apenas o mínimo necessário para continuarem vivos e capazes de cumprir este papel.

O Neoliberalismo é a consagração da ganância. Mas tudo deve ser feito de forma sutil, para dar a impressão de justiça. A chamada meritocracia existe para legitimar o neoliberalismo, tratando a vida como uma competição e os ricos como vencedores delas. Coincidência ou não, empresários adoram patrocinar atletas e atividades esportivas, que envolvem competições. Seria uma forma de legitimar a meritocracia?

E esta iniciativa de tentar criar uma política neoliberal para o Brasil, o que segundo especialistas pode agravar a crise, que de fato não prejudica os mais ricos, ganha o apoio de um cara que se apresenta como benfeitor em seu próprio programa, iludindo muitas pessoas que veem nele a esperança de uma melhoria na distribuição de renda, algo que vai contra o neoliberalismo defendido pelo apresentador.

É mais um escândalo envolvendo Luciano Huck, que já colocou bonecos negros de cabeça para baixo em suas lojas (racismo), mandou fazer camisetas infantis com a frase "vem ni mim que tô facim" (pedofilia) e tentou convidar gringos para fazerem turismo sexual pelo país (machismo). Fora a apologia a destruição cultural que faz com frequência em seu programa e a inegável hipocrisia estampada em sua cara de sonso, de alguém que não liga a minima para os outros.

Mas ainda bem que a fama de pseudo-altruísta de Huck não caiu no senso comum. A falsa caridade praticada por Huck está sendo insuficiente para melhorar a ainda solida reputação do apresentador (que não consegue ser derrubado pelos seus próprios escândalos), verdadeiramente afinado com ideologias gananciosas e sádicas dispostas a eliminar discretamente toda a classe pobre que vive em nosso país.

Dá para perceber porque o nariz de Luciano Huck é grande. Pinóquio fez escola.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Porque o Guns'n' Roses é tão popular?

Virou consenso para o senso comum o mito de que a banda Guns'n' Roses é a melhor banda de rock de todos os tempos. De fato, a banda é a mais popular da atualidade, principalmente no Brasil. A G'n'R desbancou a Queen na função de ser a banda estrangeira mais querida entre os brasileiros. 

Mas muita coisa precisa ser esclarecida, pois quem entende rock e música sabe que a G'n'R, em matéria de sonoridade e postura, não é essa "Brastemp" toda, havendo trilhões de bandas muito melhores que a liderada pelo arrogante Axl Rose e contraditoriamente menos populares.

A única coisa que pode explicar a imensa popularidade do Guns'n'Roses e seu estigma de grandiosidade é que  a banda cumpre perfeitamente os estereótipos associados ao roqueiro no imaginário conservador. 

A atitude de pseudo rebeldia encarada como "legítima, o som excessivamente barulhento e agressivo e uma pose arrogante do tipo: "eu sou o maior, eu sei tudo e vocês são obrigados a me seguir". São essas as características que fazem da G'n'R uma "grande banda".

A memória curta do povo brasileiro apagou o fato de que a Guns 'n'Roses surgiu na leva das bandas do tipo "glam metal", pejorativamente rotulado de "poser metal" e "metal farofa". Quem prestar atenção ao som da G'n'R com maior atenção, sem paixões, vai perceber claramente a sonoridade arrogante do estilo, somado a temas machistas, racistas e conservadores disfarçados em uma agressiva rebeldia sem causa.

Mas com o tempo, a mídia tem tomado o maior cuidado de separar a G'n'R do movimento que a pariu e criou uma falsa imagem de "Classic Rock" que se aproveitou do desprezo dos jovens por datas, fazendo crer que a banda fosse mais antiga do que realmente era. Há uma piada que diz que há fãs que odeiam o Led Zeppelin por ser "mero imitador do Guns'n'Roses, esta sim uma grade banda clássica". Ignorância pouca é bobagem.

Muito trabalho publicitário tem feito com que a Guns'n'Roses seja transformada em uma legítima banda de "Classic Rock". Até forjar uma legítima rebeldia "de esquerda" foi necessário, pois conheço esquerdistas ingênuos que adoram a G'n'R, liderada por um criador de escândalos, machista, racista e autor de letras que estimulam o femicídio, eleitor e propagandista confesso de Donald Trump.

Mas para piorar, infelizmente não apenas a G'n'R, mas o movimento de onde a banda saiu, o "Glam Metal", ridicularizado na época, passou a ganhar respeito. Talvez por representar através de sua agressividade uma catarse em tempos em que os jovens não querem mais pensar e ouvir sons mais elaborados. Bandas como Poison, Motley Crue e Warrant passaram a ser vistas de forma séria atualmente. 

Até mesmo o Bon Jovi, também oriundo do movimento teve a sua imagem totalmente reformulada, desde os anos 90, embora a sua sonoridade nada tenha mudado. Uma prova de que uma boa publicidade pode transformar bandas medíocres, sem compromisso com a verdadeira arte, passarem a ser tratadas como "maiores bandas da história do rock.

Enquanto isso, verdadeiros gênios seguem sem alarde nos meios alternativos, longe de qualquer tipo de consagração midiática, longe do conhecimento do grande público, ansioso para satisfazer uma catarse vazia, sem se importar com musicalidade.

domingo, 24 de setembro de 2017

O infiltrado do golpe de 2016, seja quem for, pertence à área de cultura. Veja os indícios de suspeita

Um golpe para dar certo tem que ter um infiltrado. A ingenuidade do brasileiro que só enxerga crueldade com base nos estereótipos de vilania consagrados pelas obras de ficção, acredita que o infiltrado só viria das áreas política, econômica ou militar. Mas o golpe de 2016 está sendo um golpe novo, mais sutil e por isso, mais bem sucedido. Golpistas sabem que se agissem de forma tradicional seriam desmascarados com maior facilidade e com isso fracassado desde o início.

Já despertamos uma suspeita de onde viria o provável infiltrado. Só para lembrar, infiltrado é um membro da classe inimiga que entra na classe amiga e finge agir em prol desta para na hora certa, dar o bote ou entregar a classe inimiga que completará o serviço. É algo muito parecido com o que o vírus faz quando entra em uma bactéria: se infiltra para destruir por dentro. Destruir por implosão é bem mais discreto e suja menos.

Procuramos por sinais dessa infiltração e encontramos no setor que as pessoas menos desconfiam de que seria um meio traidor: a cultura. Sim, é na cultura que encontramos os indícios de que há um representante das classes opressoras fingindo ser amiga dos oprimidos para que estes possam ser oferecidos aos opressores como picanha a ser assada e comida.

Não temos ainda um grupo ou pessoa que possa ser definitivamente acusado de ser um traíra, embora tenhamos nossos suspeitos. Para não cometer injustiças, pois não temos provas definitivas, somente indícios, não vamos citar os nomes desses suspeitos. O que podemos dizer é que são ligados à área de cultura, onde traços de traição são dificeis de serem percebidos.

Mas podemos listar alguns fatores que mostram que os infiltrados pertencem à área cultural. A saber:

- A cultura defendida pelas esquerdas ridiculariza o povo pobre e desestimula o intelecto.
- Impedimento do acesso do povo pobre à cultura de qualidade.
- Criminalização da cultura de qualidade, transformada em algo elitista e até mesmo fascista.
- Há ênfase na cultura de mercado, alinhada ao capitalismo e caracterizada pela frequência no que se chama de hit-parade. Foco musical na dança, no visual e na atitude em detrimento da qualidade musical, tida como algo "elitista".
- Personagens da "cultura progressista" tem trânsito livre nas mídias de direita.
- Coletivos culturais de esquerda são patrocinados pelas mesmas instituições que patrocinam projetos do direita. Várias dessas instituições são ligadas a especuladores como George Soros e Família Koch.
- Futebol, cerveja e festas, também presentes na cultura de esquerda, são patrocinadas por grandes corporações, interessadas na opressão das classes menos favorecidas.
- A cultura LGBT, jogada para as classes oprimidas tem a secreta finalidade de impedir o nascimento de novos integrantes dessas classes;
- A religiosidade e o esporte, meios de manipulação imposto pelas classes opressoras, não são negados pelos esquerdistas;
- Estimulo à prostituição e ao consumo de drogas, coisas que destroem a dignidade humana;
- Transformação de manifestações políticas em micaretas carnavalescas.
- A retórica de intelectuais ligados à cultura de esquerda é muito parecida da de intelectuais direitistas que falam de assuntos culturais.
- Há uma sutil apologia à decadência do povo pobre através das formas de cultura que são construídas para a população carente. Tipo "orgulho da favela onde eu nasci".

São apenas alguns indícios de que o infiltrado faz parte do meio cultural. Todas estes indícios estão ligados à cultura e à diversão. 

O lazer é o único tempo livre para o cidadão agir sem a influência de uma liderança e é um período que favorece a "fabricação de subversivos", o que é perigoso para as classes opressoras. Por isso é tão importante manter o lazer cada vez mais alienado, com estimulo à preguiça e à "alegria", impedindo as pessoas de utilizarem o tempo livre para pensar. 

Mas tudo deve ser feito de forma sutil a angariar a confiança das vítimas do infiltrado para que tudo possa dar certo. Afinal, estigmatizado como fonte de felicidade e confraternização, o lazer e a cultura são os melhores instrumentos de manobra por justamente não despertarem desconfiança. Afinal quem iria querer transformar em vilão aquele que só traz alegria? É bom ficarmos de olho.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A intensa campanha de difamação contra Lula

As elites nunca gostavam de presidentes trabalhistas, que governam a favor dos mais necessitados. As pessoas mais ricas, nascidas ou instaladas no Brasil, sempre sonhavam com um governante que estivesse do seu lado, preservando a ganância aristocrática e reservando apenas migalhas às classes dominadas, que eram obrigadas a servir de forma quase escravagista aos interesses mesquinhos das classes opressoras e exploradoras.

Todos os presidentes que demonstraram alguma preocupação com os mais humildes foram difamados, moralmente linchados e de alguma forma, derrubados. Mas para não parecer preconceito de classe, o que traria uma imagem negativa para estas elites (embora para os mais esclarecidos, as elites não consigam enganar), era preciso criminalizar os trabalhistas para justificar o ataque elitista.

Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, João Goulart, Lula e Dilma, todos devidamente difamados com ajuda da mídia que é sustentada pelo poder econômico, representado por poderosos empresários pouco ou nada interessados em dar uma vida confortável a seus contratados. 

Sedentos por uma legislação que apenas os favoreça e crie limites às classes exploradas, os maiores empresários do país nunca hesitaram em difamar políticos trabalhistas, tachando-os de corruptos, quando ate o mais conservador dos economistas sabe que a corrupção é essencial para a sobrevivência do Capitalismo. É preciso tachar os trabalhistas, mesmo quando são honestos, de corruptos para que os verdadeiros corruptos, os capitalistas, não sejam pegos e punidos.

Uma intensa e forte campanha de difamação contra Lula e as esquerdas tem sido feita com a participação de muita gente, maior parte muito bem remunerada para esta "missão". É preciso dar uma fachada de verdade a campanha difamatória para que Lula, a mais forte liderança trabalhista da atualidade seja tirada do páreo para que um representante das elites tome o poder e transforma a ganância capitalista em lei constituinte.

Os difamadores perderam a vergonha e lançam teses cada vez mais absurdas que com o tempo vão sendo desmentidas, mas não sem antes causar estrago na reputação de Lula e de lideranças trabalhistas. Muito dinheiro tem sido gasto para que notícias falsas sobre Lula e apoiadores sejam difamados, consagrando uma imagem negativa que é comprovadamente falsa.

A ganância capitalista não dá sinais de que vai desaparecer pelo mundo. Ela é o principal motor do ódio mundial e das injustiças sociais que o causam. A ganância parece só aumentar. Enquanto o ser humano não abrir mão do acúmulo de bens supérfluos e do sádico poder predatório, vamos continuar brigando entre nós mesmos e difamando lideranças que demonstrem o mínimo de altruísmo. 

Pois, parece incrível, fazer bem aos mais humildes incomoda muita gente. Muita gente mesmo. Fazer o bem é o verdadeiro "crime" das lideranças trabalhistas e progressistas.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Sim! Tivemos ditadura no Brasil. O que nunca tivemos foi democracia

Parece que o conceito de "democracia" para as elites é muito diferente do tradicional. Para quem manda no país, "democracia" é um sistema onde as classes opressoras e seus apoiadores decidem e são os únicos beneficiados, lutando para eliminar as classes oprimidas, tratadas como animais selvagens ameaçadores. Pelo menos é essa a ideia que passa quando ouvimos um direitista falar em "democracia" e dizer que "nunca houve ditadura no Brasil".

As elites forjaram uma crise e elegeram a corrupção (que para os leigos significa "qualquer tipo de delito ou crime cometido por políticos") como principal problema do país. Ninguém, mas ninguém mesmo se preocupa com a má distribuição de renda (uma das mais injustas do mundo), este sim a verdadeira raiz de quase todos os problemas brasileiros.

Desde que houve o golpe de 2016, o que assistimos (e sentimos na pele) é um festival de erros que acabarão por destruir o país, entregar as riquezas a estrangeiros gananciosos e acabar com os direitos essenciais para a população. A classe média apoiadora das elites não sabe, mas ela irá se dar mal com o tempo, pois a elite bajulada não está interessada em agradar sequer seus apoiadores.

Agora virou moda inventar que toda esta desgraça que acontece no Brasil faz parte do processo democrático e que as elites estão fazendo "o melhor para a população em geral". Muita gente está acreditando neste papo furado graças a mídia, que todos pensam ser a voz do povo quando na verdade os grandes meios de comunicação trabalham para aristocratas rentistas.

Muitos políticos e celebridades de direita vem declarando que "nunca tivemos ditadura". Seja por ignorância ou seja por crueldade, o que percebemos que declarações deste tipo são mais do que absurdas. Será que democracia é limitar direitos dos mais humildes? Democracia é levar sofrimento à classes oprimidas, obrigando-as a aceitar desgraça de bocas bem fechadas? Sei não.

Na verdade, nunca tivemos de fato uma democracia, no sentido de governos que focam os interesses da população. Com os governos trabalhistas, o que tivemos foram ensaios de democracia. Tipo "trial version", versão para teste. Como aqueles programas com recursos a menos e prazo de utilização limitado. E que a democracia "trial" mais recente expirou em 2016.

As decisões das autoridades sempre usaram o "interesse popular" como desculpa para atrair o apoio das massas a medidas que as prejudicam. Mas na verdade, no Brasil, foi sempre o interesse dos aristocratas e seus apoiadores que eram levados em conta. Para os ricos tudo, aos pobres, nada mais que migalhas.

Sabemos que  direita é burra, mentirosa e gananciosa. Mas pelo jeito os nossos direitistas atuais querem levar estas características ao extremo, passando por cima de qualquer um que os atrapalhe em sua caminhada devastadora.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Quem será o infiltrado do golpe de 2016?

Para um golpe dar certo, um dos ingredientes é a existência de um infiltrado. Um representante das classe opressoras que se metem entre os oprimidos para angariar confiança e com isso, manipular de dentro para evitar o esclarecimento intelectual e consequentemente o surgimento de um subversivo a atrapalhar os interesses das classes opressoras.

Até agora não foi apresentado alguém que pudesse fazer o papel de infiltrado. Alguns ate tentaram classificar o militar Balta, que se infiltrou em um grupo de jovens manifestantes como o "Cabo Anselmo" de 2016. Outros acusam Antonio Palocci de ser o infiltrado da vez. Mas ambos foram desmascarados com impressionante rapidez, o que pode caracterizar um exagero em classificá-los como infiltrados.

Um infiltrado tem que ser alguém que desperte confiança na classe invadida. Ele deve agir de inicio em prol das classes oprimidas, embora mesmo sutilmente demonstre características afins com as classes dominantes e circule livremente entre elas.

Há muitos suspeitos de serem os infiltrados da vez. Não vamos arriscar a dizer pois  não temos provas concretas disso, embora existam evidência fortes como o patrocínio de entidades ligadas às forças opressoras e forte propaganda midiática em prol de alguns possíveis infiltrados.

Dentro das esquerdas, há forças que dialogam de forma meio suspeita com as forças de direita, não como forma de negociação, mas como se conversasse com os direitistas como amigos, como se tivessem assuntos em comum para tratar. 

Estranhamente não é no setor da política que estão os infiltrados, mas em setores envolvidos com cultura e mídia alternativa, meios em que o estigma positivo que transmitem não desperta suspeitas imediatas. Como estão ligados à alegria e a confraternização humana, estes meios se tornam altamente confiáveis. A acusação de que possam ser possíveis traíras, gera inclusive uma revolta a quem confiar nesses meios, o que nos impede de citar de forma clara nossas possíveis suspeitas.

Uma boa pista de quem sejam os possíveis infiltrados pode ser manifestada no interesse deles de ridicularizar as classe pobres por meio da precarização da cultura. Algo que infelizmente caiu no senso comum de toda a esquerda que ingenuamente se encafifou de acreditar que a cultura irá se evoluir através de sua precarização.

Vamos aguardar o desenrolar dos fatos e se a mentira tiver pernas curtas como a sabedoria popular sempre diz, o infiltrado será desmascarado a médio prazo. A certeza é que ele virá de forma surpreendente, de alguém ligado a um meio que ninguém esperava ver alguma traição. Esperemos, pois um dia, o infiltrado se apresentará como tal. E muita gente vai ficar pasma.

domingo, 17 de setembro de 2017

A hipocrisia de Gisele Bundchen

Antes de escrever este texto, quero esclarecer que nossa equipe nada tem contra a modelo Gisele Bundchen. Nada contra e nem a favor. Mas o que ela fez é um bom exemplo do que nossas abastadas celebridades são capazes de fazer para forjar bom mocismo e atrair admiração alheia.

Na abertura da edição de 2017 do festival de música Rock in Rio (que só tem rock no nome), a modelo brasileira mais famosa do mundo, hoje fora das passarelas, fez um discurso piegas sobre ecologia e desejo de um mundo mais justo, que pode ter comovido incautos que acreditam na possibilidade de justiça em um mundo cronicamente injusto, mas manteve em sentinela os que conhecem os bastidores da política e das relações humanas.

Bundchen, para piorar, esteve do lado da não menos hipócrita Ivete Sangalo, uma cantora de voz boa mas de repertório inferior ao medíocre e que se encanou de virar proprietária da cultura brasileira, mesmo fazendo música com fins puramente e explicitamente financeiros. Ambas apoiaram o golpe de 2016, cientes da condição aristocrática em que se encontram em suas vidas.

Esta condição aristocrática é que faz com que as celebridades se tornem hipócritas quando fingem querer melhorar o mundo. Mentir é especialidade de nossas elites. Não dá para melhorar o mundo mantendo a gigantesca distância entre ricos e pobres. Os supérfluos de Bundchen com certeza impedem os mais pobres de terem o necessário. Mesmo que a própria modelo não tenha consciência deste fato.

Gisele Bundchen deveria ter evitado o episódio. A modelo tem todos os motivos para ser hipócrita em uma situação como esta. Descendente de uma bem vivida família da alemães, Bundchen iniciou sua carreira de modelo, uma profissão cuja única qualidade exigida é ter nascido bonita, graças a um caça-talentos, impressionado com a sua beleza. Beleza que, cá para nós, nem é tanta assim. Letícia Sabatella sozinha é milhões de vezes mais linda que trilhões de Giseles Bundchen juntas.

Hoje, a modelo, devidamente consagrada,vive como magnata, casada com um dos mais populares - e ricos - esportistas ianques. E como sabemos, magnatas sem pre odiaram governos trabalhistas, justificando a adesão ao golpe que depôs uma presidente honesta como Dilma para colocar uma máfia que apesar de claramente desonesta e mal intencionada, trabalha em prol da elite da qual pessoas como Ivete Sangalo e Gisele Bundchen pertencem.

Gisele nunca teve qualidades marcantes e nem simpática ela é. Mas se tornou influente e a fala dela no Rock in Rio foi bom para ela e para os organizadores do festival, simulando uma falsa preocupação pela melhoria da sociedade. Mas uma forma de melhoria que não mexe na ganância dos mais ricos, reservando aos mais carentes apenas umas migalhas, na forma de assistencialismo simbolizado por sopas aguadas e agasalhos rasgados.

A hipocrisia na abertura do Rock in Rio foi agravada pela canção "Imagine", de John Lennon, que é sempre entoada pelos hipócritas sem prestar atenção na letra, cheia de coisas que desagradam às elites e que fala inclusive que um mundo sem religiosidade seria melhor. Até onde eu sei, Bundchen e Sangalo, que entoavam o "hino", não são ateias e se utilizam da religiosidade para forjar uma bondade ausente em seu caráter.

Nada contra as duas, nada a favor. O que ambas fizeram é muito comum entre a nossa hipócrita elite brasileira que acredita na utopia de vivermos felizes e justos em uma sociedade onde a ganância, o ódio e a sede pelo poder fazem parte da essência desta gente abastada que não cansa de se exibir como "melhores que o resto da humanidade" e que somente em horas como essa, finge altruísmo muito mais para melhorar a sua própria imagem do que para ajudar os menos favorecidos.