Pular para o conteúdo principal

A quem interessa o Golpe?

Infelizmente entramos em uma nova ditadura. As nossas elites não são gente altruísta e por isso também não são nada democráticas. A palavra "democracia" soa linda nos ouvidos das elites, mas a democracia posta em prática as incomoda. Como sabem que a maioria da população quer as medidas que desagradam as elites, o jeito foi apelar para um golpe e driblar as leis para que seus interesses prevaleçam.

Uma prova disso são as medidas amargas que estão postas para que os interesses exclusivos das elites sejam preservados. A saber:
- Impedir que o Brasil se desenvolva e ameace a hegemonia dos EUA;
- Vender as maiores riquezas brasileiras a grupos estrangeiros e comprar empresas brasileiras para que estas estejam sob controle internacional;
- Garantir lucros estratosféricos do gigantesco empresariado e os meios que os aumentem (juros, por exemplo), impedindo qualquer tipo de limitação para isso;
- Doutrinar jovens para que nunca desenvolvam o senso crítico e o discernimento, mantendo-os submissos a lideranças de todos os tipos;
- Dificultar a ascensão social da maioria das pessoas carentes;
- Preservar a influência das religiões dominantes e submeter as leis cotidianas ao seu controle.

São basicamente estas as medidas que estão sendo postas em prática. São medidas que ferem leis importantes, eliminam direitos essenciais e servem como ameaça real a soberania nacional. Em suma, devolve ao Brasil o caráter de país sub-desenvolvido e limita os direitos de pessoas que não se enquadram aos padrões impostos pelas elites nacionais e estrangeiras instaladas aqui.

A medida atende aos interesses de vários grupos. A saber.

- FORÇAS POLÍTICAS INTERNACIONAIS E GRANDES EMPRESAS ESTRANGEIRAS:
O Brasil estava em um bom crescimento nos últimos 10 anos. Isso incomoda os maiores empresários brasileiros, por ser mais concorrentes na limitada cúpula do poder econômico mundial. Se há mais gente crescendo, mais gente teria que encolher, dada a limitação no espaço de comando mundial das organizações. Como os que estão acima, não querem descer, o jeito foi apelar para a trapaça e fazer o golpe, antes que o Brasil se torna uma potência a ameaçar a hegemonia ianque diante do mundo.

- POLÍTICOS DE DIREITA:
A impopularidade dos políticos de direita nos últimos anos, tem preocupado os mesmos que a cada eleição se encontravam em franca derrota. Como boa parte dos políticos de direita são carreiristas, ou seja, tem na carreira política o seu meio de vida, as derrotas tem um significado bastante subjetivo para os seus interesses pessoais. Para retomarem o poder, lançaram mão de meios ilícitos e de contradições e brechas nas leis para tirar a esquerda e tomar de volta as rédeas do país, mantendo as carreiras no topo.

- GRANDE MÍDIA E MEIOS DE COMUNICAÇÃO OFICIAIS:
Para se exercer um bom poder é preciso se comunicar. E a mídia sempre se mostrou crucial em vários episódios da política mundial. Não por acaso, a comunicação é conhecido como o"Quarto Poder". Através de sua influência, a mídia dita costumes e ideias, chegando a moldar as preferências de sociedades inteiras, que por motivos de sociabilização, acabam por consagrar o chamado "pensamento único" que caracteriza o senso comum.

A mídia, controlada por empresários interessados em mandar na política de seus locais, estava receosa com a democratização midiática proposta pelos governos de esquerda através de uma regulação que favorecesse a diversidade de meios de comunicação (mais concorrentes) e de fontes de informação (fim da submissão de multidões a mídia oficial), diminuindo a sua influência social.

A "solução" foi instaurar o golpe através da difusão maciça de mentiras criadas para criminalizar as forças que estariam atrapalhando os planos dos donos midiáticos de influenciar a sociedade para que esta absorva os pontos de vista pessoais desses donos e os consagre no senso comum. É evidente que a responsabilidade da mídia no golpe foi decisiva para o seu sucesso.

Para lembrar: os intelectuais de direita estão incluídos neste grupo, pois agem exatamente como agem os jornalistas de direita, a manobrar as mentes de incautos para que pensem igualmente aos donos do poder econômico.

- GRUPOS RELIGIOSOS, SOBRETUDO CRISTÃOS:
Religião é mitologia e isso é fato. Mas não para os religiosos, que enxergam realidade nos dogmas religiosos e sonham que os mesmos sejam levados a sério por toda a humanidade no cotidiano. Os governos esquerdistas, respeitando a pluralidade de pensamentos garantida pela Constituição, estavam preocupados em ver seus dogmas sendo ignorados pelo cotidiano.

A hierarquia divina (submissão a Deus) imposta delas religiões cristãs estava ameaçada. Grupos sociais considerados "pecaminosos" por estes dogmas começaram a se emergir, revoltando os religiosos que exigiram que alguma coisa fosse feita. Campanhas de ódio "defensivo" lançadas dentro das igrejas tentava transformar toda a esquerda em "falanges demoníacas" (a cor vermelha reforça esta ilusão) e pedia que as forças "do bem" (a direita capitalista) tomasse o poder para "salvar a humanidade (cristã).

Todas as religiões consideradas cristãs, exceto setores progressistas da Igreja Católica, entraram de "corpo e alma" a apoiar o golpe, os direitistas e todas as decisões excludentes e retrógradas que estão sendo tomadas. Era "necessário" salvar os cristãos, nem que fosse preciso acabar com o resto da humanidade "endemoniada".

- AS ELITES EM GERAL E OS NÃO-RICOS QUE AS APOIAM:
Os governos esquerdistas, mesmo deixando a desejar em algumas medidas de inclusão social, favoreceram as classes trabalhadoras acesso a alguns bens de consumo. Shoppings e aeroportos passaram a ser frequentados com gente de boné, chinelo e roupa barata, o que irritou as elites que necessitavam de um ambiente só para elas, como justificativa do suposto esforço feito por elas.

Irritadas em ver inclusive um presidente da república feio, de origem pobre, sem diploma de nível superior e com voz que - em estereótipo - lembra a de um troglodita, líder de um partido que se assume como "dos trabalhadores" (ditadura do proletariado?), as elites clamaram para que algo pudesse ser feito e o golpe veio a calhar para "tirar essa gente feia e pobre do poder" e colocar gente branca, padrão europeu, linda, cheirosa e "culta" (com diploma de nível superior, não com sabedoria), que está de acordo com o estigma tradicional de "liderança" desejado pelas elites.

- GRUPOS NAZISTAS, NEOFASCISTAS E SIMILARES:
A ânsia de proteger bens excessivos tem implantado um sentimento de egoísmo que aumentou bastante entre as pessoas. Mas há quem leve isso ao extremo e converta o egoísmo em sadismo. Esses grupos, que sempre foram marginalizados por causa dos danos catastróficos causados por seus idealizadores, encontraram nas forças golpistas uma boa brecha para que seus métodos sádicos possam ser legitimados.

Ainda não conseguiram de vez influenciar o governo, mas gradativamente vão encontrando espaços para se instalar o que significará a longo prazo, um golpe dentro do golpe e a instalação de um governo nazista no Brasil. Bom lembrar que pouco antes da chegada de Hitler ao poder, o cenário da Alemanha era muito parecido com o Brasil de 2016. O que serve como um preocupante alerta.

- JUDICIÁRIO CONSERVADOR E OUTRAS FORÇAS INTERESSADAS:
O judiciário (não os juristas responsáveis) instalado no poder serviu de base "legal" para legitimar o golpe, atendendo aos interesses das classes acima. Se aproveitando da ignorância da maioria da população sobre como funcionam as leis, agem secretamente nos bastidores, mas diante dos holofotes - com ajuda midiática, of course! - dá a aparência de legalidade aos seus atos, fazendo parecer aos olhos mais crédulos de que a justiça estava sendo feita.

A utilização de um jovem juiz metido a ativista jurídico-social e de qualidade medíocre está sendo tratada como um empenho do poder judiciário para combater a corrupção (que é o caule e não a raiz dos problemas do país) e qualquer mal que fosse supostamente causado pelo poder político e econômico.

Decisões com base em convicções pessoais e em erros de interpretação tem feito com que o judiciário agisse de forma parcial a satisfazer interesses particulares, prejudicando as forças interessadas na justiça social e na igualdade entre as pessoas, algo que vai contra os interesses das elites, que enxergam "heroísmo" nas atitudes duvidosas deste judiciário claramente corrompido.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Hino Nacional e a realidade do Brasil

O Hino Nacional Brasileiro, apesar de não ser o nosso primeiro hino, é muito antigo. A sua rebuscada letra já não está de acordo com a realidade do país.

Mas com o hábito que o brasileiro herdou do catolicismo de divinizar os símbolos pátrios (a "seleção" também?), ele não pode mais ser mudado, já que a população não quer, talvez por pensar que "foi Deus" quem definiu os símbolos pátrios de nosso país e sua divisão territorial.


Hoje, no Dia da Pátria, resolvi analisar a letra do Hino e comparar o que aparece em seus versos, ao cenário atual de nosso país, mostrando que um de nossos maiores símbolos cívicos, por mais admirável que seja, está completamente fora da realidade que vemos em nosso dia a dia.

Hino Nacional Brasileiro

Letra de Joaquim Osório Duque Estrada (1870 - 1927) e música de Francisco Manuel da Silva (1795 - 1865)

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante - De "brado retumbante", a população bras…

Sandy faz parte do "sertanejo universitário"

Ao entrar esta semana na filial perto de minha casa das Lojas Americanas, estava rolando no áudio da mesma o CD ao vivo de Paula Fernandes. Gente, é impossível não lembrar do cd de estreia da carreira solo de Sandy, filha "artística" de Chitãozinho e Xororó (e filha biológica do segundo).

Sandy espalhou para Deus e o mundo que sua carreira solo seria mais "autônoma", "independente", dando a entender que seria mais "intelectualizada" e "anti-comercial". Mas como a fruta não cai longe do galho, o DNA brega não conseguiu ficar calado e aparece na forma de vibrato na voz da bela cantora.

E o fundo de roquinho usado como base instrumental das novas músicas da Sandy, rapidamente rementem a urbanização da música breganeja conhecida como "sertanejo universitário" (que nada tem de sertão e muito menos de universitário - esta palavra deve estar sendo utilizada como eufemismo de "burguês" ou no sentido de "urbano", par…

A hipocrisia humana em prol das vítimas do acidente com a Chapecoense

Quando uma tragédia gera comoção coletiva intensa - muito graças a um constante estimulo midiático - um exército normalmente ausente em momentos mais urgentes começa mostrar a sua cara forjando uma preocupação social que costuma não ser manifestada.
Um monte de pessoas começou a postar mensagens e mais mensagens sobre a tragédia com os vitimados do citado acidente. As mensagens claro, são muito bem vindas, a gente entende, mas percebendo com atenção a origem de várias mensagens, nota-se que veem justamente de quem não costuma ser solidário de fato com a espécie humana.
Na verdade - embora não sejam todos os casos, mas grande parte deles - se tratam apenas de uma forma de dizer "eu sou bondoso", de usar a tragédia para promoção pessoal, para forjar uma preocupação social, vinda de gente que não mexe um centavo de seu patrimônio para eliminar as desigualdades no Brasil. 
Vários deles fazem parte da elite direitista que apoia as desigualdades, xinga os verdadeiros benfeitores …